CDL POA Talks mostra o que você precisa saber sobre o Open Bank

Na quinta-feira, 04 de novembro, a CDL POA e a Rede de Entidades Parceiras realizaram mais uma edição do CDL POA Talks pelo YouTube. Na apresentação, o economista-chefe da Entidade, Oscar Frank, destacou que um dos principais objetivos do Open Bank é desenvolver o mercado de crédito no Brasil e fazer com que as taxas de juros sejam menores. Essa iniciativa, em parceria com o Cadastro Positivo, entre outras, proporciona mais segurança jurídica para facilitar os empréstimos e medidas para alavancar o consumo de bens e serviços. Para Frank, o Open Bank é uma importante e inovadora ferramenta, que irá beneficiar tanto os consumidores quanto as empresas. Em poucas palavras, o Open Bank é uma plataforma que permite o compartilhamento padronizado de informações bancárias. 

A apresentação foi dividida em dois grandes blocos. O primeiro deles realizou um diagnóstico dos problemas relativos aos juros e ao mercado de crédito no Brasil. De acordo com o economista, o País possui um mercado de crédito pouco desenvolvido e, por consequência, taxas de juros muito elevadas, e é este problema que o Open Bank tenta amenizar. Para se ter uma ideia, no comparativo mundial, o saldo da carteira de crédito no País é praticamente metade da média mundial e, ainda, bem inferior no comparativo com os países emergentes. O Brasil possui a mais alta taxa de juros real (quando descontada a inflação) em comparação com os demais países. Além disso, a dívida do governo é muito elevada e, desde 2014, o Brasil gasta mais do que arrecada. Segundo o especialista, tudo isso faz com que a economia gire de forma muito lenta. Todos esses fatores prejudicam a composição do Índice do Custo de Crédito (ICC), responsável por formar o spread bancário. Além disso, o Brasil apresenta uma taxa de recuperação de crédito muito baixa, um mercado muito fechado ao comércio exterior, o que gera uma disfunção, por ser a oitava maior economia do planeta. A concentração bancária, ou seja, poucos bancos dominando a maior parte do mercado, também contribui para o cenário.

Na segunda parte do evento, Frank mostra de que forma o Open Bank pode transformar a realidade do mercado de crédito no Brasil. A tecnologia inovadora que envolve o Open Bank coloca o consumidor no centro das decisões para compartilhar suas informações, obtendo vantagens, acirrando a concorrência e reduzindo as taxas. Antes da modalidade, os bancos tinham a posse dos dados e agora esta vantagem foi revertida para os consumidores, trazendo mais condições, facilidades e adequações às necessidades de cada um.

Os benefícios gerais do Open Bank são o acirramento da concorrência, com novos entrantes; novos modelos de negócios, como apps de lojas oferecendo serviços financeiros; juros e condições adequadas para cada perfil; tarifas mais baixas; maior integração entre as instituições financeiras; e a portabilidade de relacionamento. O sistema ainda é muito novo mundo, o que denota uma vanguarda do Banco Central, a experiência do Reino Unido segue exemplo de ótimos resultados. 

Na prática, mediante consentimento, a pessoa física ou jurídica pode compartilhar as informações que quiser, com quem quiser e por quanto tempo desejar. Por exemplo: “eu posso ter no Banco A minha conta corrente, no Banco B, cheque especial e, no Banco C, investimentos. Dentro daquilo que for mais vantajoso”, explica o economista.  A implementação do Open Bank ocorreu em três fases. Na primeira, em fevereiro de 2021, deu-se início ao compartilhamento de dados das próprias instituições. Na fase 2, iniciada em agosto, consumidores e empresas puderam autorizar o compartilhamento de suas informações. A fase 3, iniciada na última semana, passou a permitir pagamento em ambientes fora do banco e solicitações simultâneas de crédito por diferentes bancos. Na fase 4, que ocorrerá em dezembro, haverá o compartilhamento de outros produtos e serviços financeiros, como seguros, previdência e investimentos. “A vantagem do Open Bank é que irão existir soluções diversas para diferentes necessidades, trata-se de uma revolução que deve transformar o mercado de crédito nos próximos meses”, afirmou Frank.

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Data

05 novembro 2021

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