As novas projeções do FMI para a economia - CDL POA

As novas projeções do FMI para a economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou a atualização dos prognósticos de diversos indicadores relevantes. Nesse sentido, os números e a própria visão a respeito do panorama constituem elementos importantes acerca de tendências, contribuindo para a tomada de decisão em um ambiente ainda caracterizado por incertezas.

Em primeiro lugar, o PIB global esperado para 2026 caiu de 3,1% (cálculo realizado em abril) para 3,0%. Caso se confirme, teremos a menor taxa desde 2020 (-2,7%), quando as restrições impostas por causa da pandemia de COVID-19 exerceram influência para o resultado. O decréscimo é explicado em virtude dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, e só não foi maior graças à adoção da Inteligência Artificial (IA). Todavia, apesar de mais equilibrado, o balanço de riscos para o nível de atividade segue inclinado para baixo, ou seja, a probabilidade de uma desaceleração ultrapassa a de um ganho de tração. A eventual extensão da guerra entre Estados Unidos e Irã pode encarecer os custos de produção e gerar volatilidade, além de diminuir o apetite relacionado à concessão / contratação de crédito. No tocante a 2027, a previsão subiu de 3,2% para 3,4%, provavelmente por conta de um efeito rebote superior decorrente da piora das condições imaginadas para 2026.

A questão geopolítica fez com que a estimativa para a inflação mundial em 2026 passasse de 4,4% para 4,7%. Trata-se, portanto, de uma interrupção da trajetória de moderação observada desde o descasamento entre oferta e procura determinado pelo coronavírus. Já em 2027, houve majoração de 0,2 ponto percentual (de 3,7% para 3,9%). O referido contexto demandará esforço por parte dos bancos centrais em termos de juros mais altos para evitar a deterioração adicional do poder de compra das moedas.

No Brasil, o PIB projetado para 2026 avançou de +1,9% para +2,4%, lembrando que, em 2025, o incremento atingiu +2,3%. A valorização da cotação do barril de petróleo não somente incentiva a exportação da commodity, bem como favorece o setor de óleo e gás, que vem elevando sua participação nos últimos anos. Outro aspecto citado como justificativa envolve o suporte oriundo de estímulos fiscais e creditícios. Conforme levantamento da XP, o montante alcança R$ 181,1 bilhões, sem contemplar os R$ 18,5 bilhões recém anunciados de socorro aos segmentos afetados pelo tarifaço americano. Por fim, destaca-se o consumo privado robusto. A despeito da ausência de menção explícita, entendemos que a resiliência do mercado de trabalho, responsável por correções reais da massa de salários, é fundamental para tanto.

Em suma, o quadro permanece desafiador e deve ser monitorado de perto. Sem um acordo duradouro entre EUA e Irã, é possível que uma nova rodada de aumentos dos preços acarrete viés negativo para o cenário como um todo.

Data

23 julho 2026

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