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COPOM aumenta a Taxa SELIC em ritmo menor

Observação: documento escrito antes da decisão.

Avaliação da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre: nosso cenário-base é de acréscimo de 0,50 ponto percentual dos juros básicos, de 12,75% para 13,25% ao ano, com 80% de probabilidade. Teremos uma elevação mais branda nesse encontro do COPOM, dada a mensagem no comunicado de maio, que anteviu a extensão do atual ciclo com ajuste de magnitude inferior ao praticado até então, de +1,00 ponto percentual. No entanto, julgamos que a piora do balanço de riscos da inflação descrita abaixo justificaria incremento de 0,75 ponto percentual.

1) Dinâmica quantitativa e qualitativa do IPCA apresentou piora: o IPCA acumulado dos últimos 12 meses encontra-se no segundo maior patamar desde 2003 (11,73%). Além disso, a difusão – percentual dos itens investigados com crescimento – caiu de 78,25% em abril para 72%. Todavia, o indicador permanece alto quando confrontado com os mesmos períodos dos anos anteriores;

2) Expectativas deterioradas: de acordo as previsões de mercado do Relatório FOCUS, a projeção para a inflação oficial em 2022 avançou de 7,89% em 29 de abril para 8,89% em 03 de junho, enquanto o prognóstico para 2023 passou de +4,10% para +4,39% em igual intervalo. Os valores aumentarão com o reajuste da gasolina e do diesel anunciado pela Petrobrás;

3) Política monetária mais apertada nos Estados Unidos;

4) Novas restrições à circulação na China: possível atraso da normalização das cadeias globais de suprimentos, pressionando, assim, os custos dos empresários e as despesas das famílias;

5) Dúvidas quanto à sustentabilidade das contas públicas com a proposta que reduz a tributação sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo;

6) Comportamento do petróleo: a cotação do barril continua refletindo as incertezas da guerra no Leste Europeu, as sanções de algumas das principais nações do mundo em retaliação à Rússia e a ampliação insuficiente da oferta da commodity proveniente da OPEP+.

Perspectivas futuras: é possível que a estratégia do COPOM envolva a manutenção da nova Taxa SELIC por tempo adicional, e não majorá-la ainda mais no curto prazo. Tudo dependerá do conteúdo da nota a ser divulgada.

Decisão do Banco Central dos Estados Unidos: análise do cenário e perspectivas

O Federal Reserve optou pela majoração dos juros em 0,75 ponto percentual (p.p.) na reunião desta quarta-feira (15) – incremento inédito desde 1994. Agora, o valor referencial está entre 1,5 e 1,75% ao ano. Cabe destacar que os temores de um aumento no grau de aperto da política monetária ganharam muita força a partir da surpresa negativa com a inflação ao consumidor em maio, divulgada no dia 10. Ademais, a estratégia de redução gradual da liquidez (moeda) despejada para incentivar a economia na crise relacionada à pandemia não sofrerá alterações por ora.

Na avaliação do FED, o nível de atividade dos EUA retomou após a queda registrada no primeiro trimestre. Da mesma forma, o mercado de trabalho permaneceu resiliente. Os preços de uma maneira geral seguem pressionados pelos desequilíbrios entre oferta e demanda, acentuados não só pelos desdobramentos da guerra no Leste Europeu, como também pelos problemas nas cadeias produtivas em função dos lockdowns adotados na China.

No que tange ao futuro, o entendimento é de que a sustentação das altas de 0,75 p.p. nos próximos encontros parece apropriada. Além disso, as portas para uma eventual aceleração do ritmo não foram fechadas.

Vale lembrar que esse anúncio traz implicações para o Brasil. Quanto maior a atratividade dos títulos da dívida americana, mantidos os demais fatores constantes, maior é o esforço necessário da parte do COPOM no sentido de estender o atual ciclo de patamares elevados da Taxa SELIC.

Data

20 junho 2022

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