Com a proximidade do Natal, ambulantes tomam conta das ruas de Porto Alegre

Quando percebem a presença da fiscalização, os comerciantes ilegais deixam os locais às pressas.

Faltando pouco mais de um mês para o Natal, os camelôs seguem desrespeitando a lei e continuam a marcar presença no Centro de Porto Alegre. Na manhã desta quarta-feira, em função da chuva, os ambulantes procuraram abrigo nas marquises dos prédios localizados nas avenidas Borges de Medeiros e Salgado Filho. Porém, tradicionalmente eles ficam na frente das lojas localizadas na rua dos Andradas – a partir da rua General Câmara até a quase a rua Marechal Floriano Peixoto.

Nestes pontos são expostos produtos eletrônicos, óculos, roupas falsificadas, calçados, acessórios para telefone celular, além de frutas e verduras. Mesmo com a fiscalização da prefeitura, feita por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Smdet), os camelôs se instalam nas ruas dos Andradas, Voluntários da Pátria e também na avenida Borges de Medeiros.

Quando percebem a presença da fiscalização, que atua em conjunto com a Guarda Municipal e a Brigada Militar para coibir a ocupação dos espaços públicos e apreender as mercadorias sem procedência, os camelôs deixam os locais às pressas com receio de que haja o recolhimento dos produtos. Nas abordagens da fiscalização, são apreendidos artigos como eletrônicos, alimentos, óculos, cigarros e roupas.

Uma outra parte dos ambulantes procura as áreas da avenida Salgado Filho, na esquina das ruas Vigário José Inácio e Marechal Floriano Peixoto, e o Largo Glênio Peres, onde comercializam frutas e verduras. Na rua dos Andradas, os ambulantes começam a chegar no Centro Histórico depois das 9h e preferem se concentrar nas imediações das lojas Americanas, Marisa e Gaston. Uma parte dos ambulantes, a maioria estrangeiros, opta por ficar na avenida Borges de Medeiros, nas proximidades da Esquina Democrática. Problema

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL POA), Irio Piva, disse que a presença de ambulantes é um tema recorrente na Capital e que precisa ser solucionado de forma definitiva. “Existem diversos fatores que incorporam esta pauta, desde o aspecto social, até o desequilíbrio econômico. O que causa um consistente desalinhamento de mercado, insegurança e criminalidade, gerando desemprego e desigualdade social”, destacou.

Conforme Piva, com o atual cenário, resultado das sequelas da pandemia e da lenta retomada econômica (em especial, para o varejo), é inadmissível que uma empresa pague impostos, gere empregos e renda, e tenha que competir com um sistema ilegal de comércio. “Por todos esses motivos, precisamos combater o comércio ilegal com muita urgência”, acrescentou. Conscientização

O presidente Sindicato do Comércio Varejista de Material “ptico, Fotográfico e Cinematográfico do Rio Grande do Sul (Sindióptica/RS), André Roncatto, afirmou que a população precisa se conscientizar e não comprar produtos sem procedência, pois, além de prejudicar a saúde, financia o crime organizado, a evasão de divisas e crimes financeiros. “O consumidor precisa compreender que quando ele investe em produtos falsificados e pirateados ela está trazendo riscos a sua saúde”, ressalta.

Segundo Roncatto, no caso do seu setor, a crescente comercialização de lentes, armações e óculos falsificados já atinge níveis alarmantes em Porto Alegre. “Neste momento, é preciso conscientizar o consumidor que óculos falsificados podem causar riscos cumulativos e irreversíveis, podendo levar até a cegueira”, explicou.

Para o Sindilojas Porto Alegre, coibir o comércio ilegal é um importante passo para o processo de retomada econômica na cidade. “Na medida em que incentivamos o consumo formal, contribuímos para o processo de recuperação financeira das empresas, o que refletirá na geração de empregos que tanto precisamos pós-pandemia”, destacou presidente Paulo Kruse.

Fonte: Correio do Povo

Data

04 novembro 2021

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