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Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Projeções para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)

Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório FOCUS (02/04/2026). *Mediana. Elaboração: AE/CDL POA.

No cenário internacional, o prazo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a reabertura do Estreito de Ormuz (por onde circula aproximadamente 1/5 do petróleo consumido mundialmente) acabava nesta segunda-feira (06/04). O Irã não vem negando a possibilidade de negociar um cessar-fogo. Contudo, Teerã defende que a interrupção do conflito precisa ocorrer sob “condições claras”.

Do ponto de vista da agenda de dados, o payroll de março – termômetro relevante a respeito do mercado de trabalho americano – revelou que o saldo entre admitidos e desligados formais alcançou 178 mil vagas, enquanto o consenso entre os analistas acusava 51 mil. De acordo com as aberturas por setores, a saúde liderou os ganhos (+76 mil), a partir do encerramento da greve de categorias relacionadas. Outro segmento importante foi o de construção (+26 mil), beneficiado pela melhora do clima. A média mensal do primeiro trimestre de 2026 atingiu +68 mil, o que sinaliza uma recuperação, após a dinâmica ruim verificada em particular no segundo semestre de 2025. É bem verdade também que a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%. No entanto, parte do fenômeno decorreu da diminuição da taxa de participação da mão de obra. Ademais, o ritmo de crescimento dos rendimentos decaiu de +3,8% para +3,5% – a mínima desde maio de 2021. De uma maneira geral, portanto, as evidências apontam resiliência, mas não a reaceleração.

Já no Brasil, a diferença entre contratações e demissões com carteira assinada totalizou 255,3 mil postos, um pouco abaixo das expectativas coletadas pelo Broadcast+ (269 mil). Houve forte retrocesso no confronto com o mesmo período do ano passado (440,4 mil), porém o desempenho à época acabou impulsionado pelo efeito do calendário, motivado pelo deslocamento do carnaval para março. Os indicadores complementares em patamares elevados, como a taxa de dispensa a pedido do colaborador e a razão entre os salários de entrada e saída, são consistentes com o arrefecimento bastante gradual da ocupação. O quadro evita o aprofundamento dos desequilíbrios orçamentários das famílias em virtude dos juros altos e, simultaneamente, mantém a chama da inflação acesa, sobretudo nos preços dos serviços.

Por sua vez, a produção industrial em fevereiro subiu +0,9% contra janeiro, na série com correção sazonal, com avanços disseminados. Logo, a estatística ultrapassou a mediana entre as previsões dos especialistas sondados pelo Broadcast+ (+0,7%). A tendência é de uma expansão significativa no 1ºT/26, não só da manufatura como da economia como um todo (cerca de +1,0%), fruto da base de comparação deprimida e das consequências dos incentivos à demanda do governo federal, como a ampliação do enquadramento para isenção do Imposto de Renda Pessoa Física. Todavia, o panorama para o restante do ano é desafiador por causa das incertezas comerciais, da geopolítica e das eleições, de modo que o resultado para o PIB no agregado em 2026 permaneceu em +1,85%.

No que se refere aos demais prognósticos do Relatório FOCUS, tivemos novo aumento do IPCA estimado para 2026 (de +4,31% para +4,36%). Se considerarmos apenas os números dos últimos 5 dias úteis, o valor é de +4,50%, ou seja, o limite superior do Regime de Metas. Entendemos que os ajustes provêm da tentativa de incorporação dos impactos da guerra no Oriente Médio. Além disso, o IGP-M de março (+0,52%) acima do esperado (+0,46%), com maior pressão no que tange ao atacado, provavelmente contribuiu para a mudança.

Avaliação da PNAD e do Novo CAGED – fevereiro de 2026

PNAD – Brasil:

• De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego subiu na transição do trimestre móvel encerrado em janeiro para fevereiro de 2026, de 5,4% para 5,8%, praticamente em linha com o consenso entre as estimativas dos analistas sondados pelo Broadcast+ (5,7%);

• Cabe ressaltar que os números tipicamente aumentam nos primeiros meses de cada ano, pois diversos vínculos provisórios para dar conta da demanda inerente às festas de fim de ano terminam. Após o ajuste sazonal, a variável saiu de 5,38% para 5,47%;

• Se considerarmos os períodos correspondentes dos anos anteriores, tivemos o piso histórico, com queda em comparação ao ano passado de 1,0 ponto percentual;

• Por sua vez, a massa de rendimentos no conceito habitual exibiu acréscimo real de +6,9% nos últimos 12 meses, desacelerando em relação aos +7,3% do levantamento antecedente;

• Apesar disso, o ritmo supera as leituras ao longo de 2025;

• A taxa de informalidade registrou estabilidade (37,5%);

• Embora desconfortável, o contingente é um dos menores da série;

• Somente no auge da crise do coronavírus os valores foram inferiores porque os impactos do distanciamento social acabaram afetando muito mais as modalidades sem o enquadramento legal;

Novo CAGED – Brasil

• A diferença entre recrutamentos e desligamentos com carteira assinada totalizou +255,3 mil em fevereiro;

• Dado ficou aquém da mediana dos prognósticos dos especialistas (+270 mil) e do patamar verificado na mesma janela de 2025 (+440,4 mil);

• Importante lembrar que o desempenho em 2025 foi influenciado positivamente em virtude do efeito do calendário causado pelo deslocamento da celebração do carnaval para março;

• É o pior saldo desde 2023 (+252,5 mil);

• Razão entre o salário de admissão e o de demissão avançou de 96,6% para 96,7%;

• Normalmente, o vencimento na destituição do cargo ultrapassa o da contratação, devido ao ganho de produtividade atrelado à experiência no exercício do ofício. Logo, quanto maior a disputa por mão de obra escassa, maior tende a ser o indicador, justamente para tornar o preenchimento das vagas em aberto atrativo;

• Já a taxa de pedidos de dispensa voluntária cresceu para 35,4%, ou seja, bastante elevada;

De uma maneira geral, as estatísticas corroboram o aquecimento do mercado de trabalho na esfera nacional, não obstante o arrefecimento (pequeno) de determinadas métricas. Por um lado, o cenário ajuda a evitar a deterioração adicional da situação financeira das famílias decorrente dos altos juros e da inadimplência / comprometimento da renda com o serviço da dívida, ambos recordes. Por outro, contribui para dificultar o processo de convergência da inflação para a meta, sobretudo pela pressão sobre os preços do setor terciário.

Novo CAGED – Rio Grande do Sul:

• A geração líquida alcançou +24.392 postos no RS em fevereiro de 2026;

• Segunda colocação no ranking por Unidades da Federação, com São Paulo na liderança (+95.896);

• Porém, a sazonalidade é favorável no respectivo intervalo, graças às movimentações realizadas pela indústria de transformação;

• Nesse sentido, o resultado não só se situou abaixo de 2025 (+30.651) como também da média entre 2020 e 2025 (+25.872);

 

Saldo do CAGED – Rio Grande do Sul
(Em unidades)

Fonte: Ministério do Trabalho. Elaboração: AE/CDL POA.

Conforme a PNAD Trimestral, a taxa de desocupação entre outubro e dezembro de 2025 no RS atingiu 3,7%: a mínima de todos os tempos. Todavia, o comportamento do Novo CAGED é consistente com alguma perda de tração na ponta em função da dinâmica do nível de atividade. Em 2025, o PIB do Brasil expandiu +2,3%, em contraposição ao RS (+0,9%). No tocante ao futuro, as revisões para baixo nas perspectivas para a safra de grãos de 2025/2026 atuarão para conter o ímpeto do emprego.

Data

07 abril 2026

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