Varejo inicia 2014 com 1,73% de crescimento no RS

Bom resultado de janeiro sobre dezembro – descontados os efeitos sazonais – fez o segmento gaúcho acelerar para 4,1% no crescimento acumulado em 12 meses.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, o Varejo restrito no RS iniciou 2014 com crescimento de 1,73% sobre dezembro, já descontados os efeitos sazonais. O faturamento de janeiro foi aproximadamente R$ 8,1 bilhões.

Os dados apontam, já descontada a inflação:

  • aumento de 1,73% em relação a dezembro/2013, já descontados os efeitos sazonais;
  • aumento de 7,1% com relação ajaneiro/2013;
  • crescimento acumulado nos últimos 12 meses em 4,1%;
  • no Varejo Ampliado, que inclui Veículos e Material de Construção, o crescimento foi de 11,4% em relação a janeiro/2013;
  • entre os segmentos com melhor desempenho na comparação com janeiro/13 estão Móveis e eletrodomésticos (16,4%), Livrarias e papelarias (11,6%) e Combustíveis e Lubrificantes (8,6%).

(var. % – mês s/ mês ano anterior)

Fonte: IBGE.  Elaboração: NI/CDL Porto Alegre

(em var. %)

Fonte: IBGE.  Elaboração: NI/CDL Porto Alegre

Por fim, o Varejo restrito no Brasil teve desempenho abaixo do gaúcho, com aumento de 0,43% frente à dezembro/13, e 6,2% frente à janeiro/13. No acumulado, o Varejo restrito brasileiro manteve-se estável em 4,3%.

Considerações da Assessoria Econômica

Os dados mostraram um resultado de crescimento positivo na margem, com expansão de 1,73% em janeiro, frente a dezembro. A título de comparação, no ano de 2013 a expansão média do Varejo restrito foi de 0,59% ao mês.

Com isso, o acumulado em 12 meses voltou a acelerar e atingiu 4,1% de crescimento. Dentre os fatores que contribuíram para esse resultado positivo estão:

  • o crescimento da renda ligada ao mercado de trabalho, que encontra-se mais apertado em Porto Alegre, bem como pelo forte aumento do salário-mínimo regional – que afeta as negociações coletivas de reajustes salariais;
  • a desaceleração dos preços de alimentos (desaceleraram de 9,3% em dezembro para 7,8% em janeiro, no acumulado em 12 meses) o que contribuiu para o bom desempenho do segmento de Alimentos e Bebidas (que possui maior participação no índice do Varejo);
  • a antecipação de liquidações para o primeiro mês do ano, o que contribui para deslocamento de vendas de outros meses;
  • continuidade do crescimento do crédito livre para pessoas físicas(4,8%, já descontada a inflação), mesmo com aumento de crédito para renegociação de dívidas.

Além do cenário no mercado de trabalho, contribuiu para a diferença no desempenho do Brasil com o Rio Grande do Sul os resultados para a confiança dos consumidores. Esta última cresceu em janeiro em Porto Alegre, ao contrário da queda para a média brasileira (gráfico abaixo).

Um ponto importante a destacar é que o aumento do piso regional não gerará aumento de consumo sustentável no futuro já que não foi concedido com base em aumentos de produtividade. Desta forma, ele se tornará um custo ainda maior para as empresas, que precisarão abrir mão de alguns funcionários no longo prazo.

Os primeiros resultados de 2014 apontam um cenário melhor para o Varejo gaúcho que aquele finalizado em 2013. Entretanto, é provável que o cenário de janeiro seja passageiro, já que em fevereiro deveremos verificar efeitos negativos em função da greve do transporte público em Porto Alegre, bem como uma nova queda na confiança do consumidor (ver gráfico aabaixo).(var. % – mês s/ mês ano anterior)

Fontes: Fecomércio-RS; CNC.   Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

Assim, o cenário macroeconômico não se modificou sensivelmente, o que significa que fatores como aumento nas taxas de juros, inflação próxima a 6% e volume de contratações estável (ao invés do crescimento nos últimos anos) continuarão sendo limitadores ao crescimento mais forte do consumo das famílias.

Desta forma, mantemos nossa projeção de crescimento real de 3,92% para o faturamento do Varejo restrito gaúcho em 2014.

Data

17 março 2014

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