Os dilemas enfrentados pela China

Ao longo do ano passado, o governo do país asiático aumentou seu grau de controle ao instaurar ações regulatórias amplas voltadas às empresas. Analistas entendem que as resoluções visam reduzir as desigualdades sociais e a força política dos bilionários. Seguem abaixo alguns exemplos praticados em 2021.

→ Ramo imobiliário: criação de limites prudenciais para conter a alavancagem do setor, na esteira das dificuldades da incorporadora Evergrande;
→ Educação: proibição de aulas com fins lucrativos das escolas particulares em disciplinas básicas. A meta (questionável) subjacente é a de diminuir o custo de vida das famílias, estimulando o incremento da natalidade. Também foram estabelecidas restrições ao capital estrangeiro através de fusões e aquisições.
→ Tecnologia: correção de mecanismos que favorecem a formação de grandes conglomerados, incluindo a segurança dos dados dos usuários.

Naturalmente, o conjunto de deliberações freou a retomada da renda e do emprego. Durante a realização de uma importante conferência organizada pelo Partido Comunista, o termo “estabilidade econômica” foi citado diversas vezes. Julgamos que a ideia por trás dessa diretriz é contrabalançar, ao menos em parte, os efeitos contracionistas do arcabouço supracitado.

Nesse sentido, o Banco do Povo (autoridade monetária) optou por impulsionar a produção recentemente, mediante: (1) corte na taxa de juros após 20 meses de manutenção; (2) queda dos chamados “depósitos compulsórios” – recursos que as instituições financeiras são obrigadas a conservar junto ao BC. As medidas objetivam baratear o crédito e elevar a quantidade de operações de empréstimos, respectivamente.

Acreditamos que o excesso de intervencionismo só aprofundará os problemas da China, especialmente no médio e longo prazos. Portanto, é fundamental acelerar a mudança do modelo de crescimento calcado em investimentos / indústria / comércio exterior para consumo doméstico / serviços, permitindo que a iniciativa privada exerça papel mais relevante nas tomadas de decisão.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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Data

10 janeiro 2022

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