Fique bem informado – 25 mai

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MAIO, 2020

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Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

As previsões para o PIB do Brasil em 2020 caíram ao longo dos últimos sete dias: de -5,12% para -5,89%. Trata-se da décima quinta semana consecutiva de revisão para baixo nos números. Por sua vez, a variação esperada para 2021 registrou aumento (de +3,20% para +3,50%), fruto da base de comparação cada vez mais deprimida. Contudo, o mercado acredita que o processo de retomada tende a acontecer de forma lenta. Essa percepção pode ser comprovada através das estatísticas disponibilizadas na tabela a seguir, que mostra, para diferentes períodos, o acumulado do crescimento entre 2020 e 2021. Esse fenômeno é corroborado por gestores de risco internacionais sondados pelo FMI: dois terços dos 347 apontam a extensa retração da economia mundial como a principal preocupação nos próximos 18 meses.

Os participantes do Relatório FOCUS também corrigiram os valores aguardados para o IPCA de 2020 (de +1,59% para +1,57%) e 2021 (de +3,20% para +3,14%). Esse recuo está em linha com a deterioração da demanda, que enfraquece a pressão sobre o nível geral de preços. Quanto à Taxa SELIC, o consenso acusa patamares ainda menores até o fim de 2021 (de 3,50% ao ano para 3,29% ao ano). Entendemos que essa é uma resposta natural da política monetária, em função das perspectivas de recuperação letárgica da atividade.

Já a taxa de câmbio foi reajustada para cima até o encerramento do presente ano (de R$ 5,28 para R$ 5,40), enquanto o déficit primário antevisto nas contas públicas saiu de -7,80% para -8,00% do PIB. Nesse caso, cremos que a nova estimativa oficial do custo com o coronavoucher pode ter ajudado a majorar o rombo.

A FGV divulgou sua expectativa para o PIB, assim como a abertura pelas óticas da oferta e da demanda. No que se refere à primeira, a agropecuária atuará para evitar uma recessão mais profunda (+2,3%), ao passo que a indústria arcará com os maiores prejuízos (-8,2%). Além dos problemas oriundos da falta de competitividade do segmento secundário, o comércio internacional de bens e serviços sofreu forte impacto com a pandemia, de modo que a disputa global por mercados será acirrada. Os serviços retrocederão -4,3%.

No que diz respeito à procura, vemos que as perdas do consumo das famílias (-8,0%) e da formação bruta de capital fixo (-15,7%) serão parcialmente compensadas pelas despesas em alta do governo (+3,0%). Por fim, o setor externo contribuirá positivamente, uma vez que a diminuição das exportações (-2,3%) será bem menos intensa do que as importações (-17,8%). Logo, o PIB deverá contrair -5,4%.

A possibilidade de adoção de um lockdown em São Paulo é fonte de atenção entre economistas, pois o seu peso para a dinâmica da atividade brasileira tem relevância.

 

Confiança melhora em maio, mas ainda inspira preocupação

As variáveis que procuram monitorar a percepção de diferentes agentes sobre os rumos da economia são importantes ferramentas para a análise da conjuntura e para a construção de cenários. Quanto mais desfavoráveis os indicadores, menor tende a ser a força do nível de atividade, e vice-versa.

A sondagem prévia de maio, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ocorreu entre 01 e 13 de maio, com 2.528 firmas e 1.300 cidadãos de todo o território nacional. Os resultados evidenciam que o Índice de Confiança Empresarial (ICE), composto pelos dados de quatro grandes setores (indústria, serviços, comércio e construção civil), e o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) devolveram apenas uma parte do tombo histórico de abril. Consequentemente, ambas as leituras acusam patamares baixos para os padrões da série.

No primeiro caso, o incremento foi de 7,7 pontos (de 55,8 para 63,5). Já o segundo cresceu 6,5 pontos (de 58,2 para 64,7). Vale lembrar que “100” representa a neutralidade: valores menores em comparação à referência, por exemplo, denotam maior pessimismo.

As estatísticas de cada ramo apresentam dois subcomponentes: situação atual e expectativas. No que tange aos empresários, a avaliação a respeito do primeiro ficou praticamente estável (de 61,5 para 61,6 pontos), enquanto o segundo puxou o agregado para cima: de 51,5 pontos para 61,3 pontos. Por sua vez, o vetor do momento presente foi o destaque para os consumidores (de 58,2 pontos para 64,7 pontos), ao passo que a visão para os próximos meses subiu na margem, de 65,6 pontos para 66,5.

Comentários: a prévia da confiança de maio mostra o tamanho do desafio imposto à economia brasileira. Acreditamos que o aumento da compreensão e do acesso propriamente dito ao conjunto de medidas disponibilizado pelo governo federal para amenizar os efeitos da pandemia possa ter ajudado nessa “despiora”. Por outro lado, a ascensão da contaminação e letalidade do novo coronavírus ao longo do período investigado no território nacional atuou, provavelmente, para evitar um avanço mais significativo. De qualquer forma, entendemos que os números são condizentes com a recessão colossal projetada para 2020, que deve ser a mais intensa desde 1901, conforme o IBGE.

 

Índice de atividade econômica do Banco Central de mar/20

Definição: o Índice do Banco Central (IBC), de periodicidade mensal, é formado por indicadores de curto prazo dos três grandes ramos – agropecuária, indústria e serviços –, além de variáveis específicas sobre o emprego, construção civil, entre outras. Trata-se de uma aproximação (proxy) do PIB, ou seja, é um termômetro da atividade econômica.

Análise: a tabela abaixo sintetiza os números do IBC de março. O terceiro mês de 2020 ficou marcado pelo começo das medidas de distanciamento social para conter a disseminação do novo coronavírus, de modo que diversas empresas interromperam, parcial ou totalmente, seus negócios. Consequentemente, teve início o processo de queda significativa da demanda, bem como o crescimento do pessimismo.

Tanto em comparação com fevereiro (-7,3%), na série com ajuste sazonal, quanto frente a igual período de 2019 (-6,4%), o Rio Grande do Sul registrou o pior desempenho entre todos os estados e regiões investigadas.

O que esperar para o futuro? A reabertura gradual das firmas no Brasil e no Rio Grande do Sul, deflagrada com mais força em maio, é uma sinalização de que o fundo do poço da crise tenha sido em abril. Todavia, a diminuição da renda das famílias, a deterioração considerável da confiança, o vetor do crédito estrangulado e as incertezas sobre a pandemia constituem elementos negativos do atual cenário, que, somados ao aumento do endividamento público e privado, impedirão que a recuperação ganhe mais vigor.

Outra questão fundamental diz respeito à evolução dos casos e da letalidade da COVID-19, uma vez que essas curvas servirão de justificativa a governadores e prefeitos para avançar ou retroceder na retirada das quarentenas.

 

Data

25 maio 2020

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