Fique bem informado – 18 mai

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MAIO, 2020

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Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

As previsões para o PIB do Brasil em 2020 se deterioraram entre 30/04 e 08/05: de -4,11% para -5,12%. Caso o número se confirme, será a recessão mais dura já registrada desde 1901 pelo IBGE, excedendo os -4,35% notados em 1990: época marcada pela hiperinflação e pelo confisco de poupança no Plano Collor. Preocupa, da mesma forma, o fato de que, mesmo com o aprofundamento do tamanho da crise no presente ano, o valor antevisto para 2021 ficou intacto. Portanto, a crença de que a trajetória da recuperação seja lenta e gradual torna-se cada vez mais consolidada.

Cremos que os resultados do Índice do Banco Central (IBC) – termômetro da atividade econômica – em março foram cruciais para esse movimento. Ante fevereiro, após ajuste sazonal, o tombo foi de -5,9%: recorde histórico, superando, inclusive, o verificado na greve dos caminhoneiros de maio de 2018 (-3,9%). Por conseguinte, a série atingiu seu pior nível desde dezembro de 2009.

Como consequência desse cenário, houve novo recuo para o IPCA em 2020 (de +1,76% para +1,59%) e 2021 (+3,30% para +3,25%), diante da fraqueza da demanda. A diferença entre o INPC e o IPCA, em favor do primeiro, diz respeito ao comportamento dos preços de “Alimentos e Bebidas”, em razão de que os itens desse grupamento têm peso mais significativo na cesta de consumo dos agentes menos abonados.

O consenso de mercado também passou a apostar em cortes de juros ainda mais intensos até o encerramento de 2020. O estímulo deverá vir de uma só vez, já na próxima reunião do COPOM, em junho, de tal sorte que a Taxa SELIC ceda de 3,00% ao ano para 2,25% ao ano. Esse patamar deve se estender até, pelo menos, meados de 2021.

Apontamentos sobre a conjuntura:

A agência de risco internacional Moody’s manteve o rating soberano do Brasil – classificação concedida à capacidade do governo em honrar suas obrigações financeiras –. Além disso, a perspectiva para o futuro continuou estável. Entre os vetores positivos estão: (a) o declínio da Taxa SELIC, que barateia o serviço da dívida; (b) melhora da efetividade das políticas econômicas, em função das reformas aprovadas ao longo dos últimos anos; (c) pequena exposição à dívida em moeda estrangeira, bem como o colchão promovido pelas reservas internacionais. Por outro lado, os efeitos da pandemia, que provocou expansão substancial dos gastos e encolhimento das receitas com arrecadação de impostos, deve elevar consistentemente o endividamento. O aumento da probabilidade de atraso da implementação da agenda de competitividade é motivo de atenção. Ademais, os analistas ponderam a necessidade de dar andamento ao ajuste fiscal a partir de 2021.

O Índice de Confiança Empresarial, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sofreu uma acomodação na divulgação preliminar de maio, com alta de +7,7 pontos sobre abril, puxado, principalmente, pelo componente das expectativas para os próximos meses (+9,8 pontos). Todavia, o sentimento conserva-se em terreno bastante pessimista, sinalizando para a manutenção dos desafios no curto prazo.

Por sua vez, os pedidos de Seguro-Desemprego subiram +22% em abril no Brasil, em comparação com igual período de 2019, enquanto o Rio Grande do Sul teve um desempenho pior do que a média nacional nesse ínterim (+39,5%). Logo, essas evidências mostram forte impacto do panorama atual sobre o mercado de trabalho.

 

Análise da emissão de Notas Fiscais Eletrônicas do RS e das vendas do comércio varejista

Introdução e considerações metodológicas:

Os dados referentes à emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe’s) podem ser usados para diversos fins, como o monitoramento do nível de atividade: se a quantidade de bens e serviços cresce, a tendência é de que os valores das NFe’s também aumentem, e vice-versa. O comportamento dessa variável, portanto, acompanha os ciclos econômicos. Todas as variações dizem respeito às cifras de 2020 em relação à média diária equivalente de 2019. Ademais, optou-se pelo deflacionamento através do IPCA, de modo a retirar o efeito da inflação,

Avaliação:

Os últimos dias foram marcados por uma “despiora”, ou seja, o valor médio das NFe’s permaneceu no terreno negativo. Porém, o ritmo das quedas tem sido menor, especialmente nas três semanas mais recentes. Cremos que o afrouxamento das restrições aos negócios em vários locais nesse ínterim contribuiu para esse fenômeno. Já entre 16 de março e 08 de maio, as perdas acumuladas somam -16%, conforme o gráfico abaixo. Em termos monetários, esse encolhimento representa uma movimentação R$ 330 milhões inferior à verificada na mesma base de 2019.

Entre as aberturas por ramos, o varejo continuou aquém do atacado e da indústria nessa janela mais longa. Contudo, o período entre 02 e 08 de maio registrou a diminuição menos intensa do comércio desde o início da aplicação das quarentenas (-5%). Entendemos que o represamento da demanda é uma das prováveis causas. No entanto, a Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre têm dúvidas sobre a sustentabilidade dessa tendência, uma vez que os principais vetores pertinentes à dinâmica das vendas estão se degradando, incluindo a renda das famílias, a confiança e o crédito.

No tocante aos rendimentos, há indícios de deterioração do mercado de trabalho, com a elevação das demissões. Além disso, o sentimento dos consumidores para com a situação atual e as expectativas para o futuro piorou significativamente, atingindo os patamares mais baixos da história. Por fim, os bancos estão mais seletivos no processo de concessão de empréstimos por conta do aumento da probabilidade de inadimplemento (risco de crédito).

A decomposição por Corede, divisão regional criada pelo governo estadual, mostra que a Região das Hortênsias, bastante dependente da cadeia conexa ao turismo, sofreu o maior choque contracionista. Em seguida veio o “Metropolitano Delta do Jacuí”, que abarca Porto Alegre, e o Vale do Rio dos Sinos. Uma possível explicação passa pela adoção de regras mais duras em ambas, bem como pelo fato de que a vigência dos decretos é mais extensa em comparação com outras localidades.

Arrecadação de ICMS:

Da mesma forma, o montante de impostos também guarda ligação direta (positiva) com a atividade econômica. No que tange ao ICMS por Grupos Especializados Setoriais (GES) – recorte subsetorial utilizado pela Receita –, nota-se que os segmentos mais essenciais para a sobrevivência / conforto humano foram justamente os que exibiram maior resiliência em abril, como o agronegócio (+27,7%), produtos médicos e cosméticos (+25,6%), supermercados (-1,3%), comunicações (-6,0%) e combustíveis e lubrificantes (-7,4%). Os maiores tombos, por sua vez, estão atrelados aos artigos duráveis, para os quais existe a possibilidade de postergação de gasto nessa recessão: calçados e vestuário (-61,5%), eletrônicos e artefatos domésticos (-35,8%), metalmecânico (-34,4%), móveis e materiais de construção (-28,3%) e veículos (-22,6%), por exemplo.

VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA DO RIO GRANDE DO SUL EM MARÇO

Em março, o volume de vendas do comércio varejista no conceito restrito do Rio Grande do Sul caiu -5,1% sobre fevereiro, na série com ajuste sazonal. As estatísticas são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE.

Todavia, quando consideramos a definição mais ampla, a retração foi de -18,9%. Consequentemente, o giro financeiro no terceiro mês de 2020 regrediu para níveis análogos a julho de 2010. Ante igual período do ano passado, o faturamento real (corrigido pela inflação) decresceu -13,6%. Ressalta-se que, a partir da segunda quinzena, o fluxo de pessoas desabou, fruto das resoluções que determinaram o fechamento de boa parcela dos estabelecimentos para barrar a disseminação do novo coronavírus.

Os grandes destaques negativos foram “tecidos, vestuário e calçados” (-52,9%), “veículos, motocicletas, partes e peças” (-37,6%) e “materiais de construção” (-19,7%), com recuos bem superiores à média nacional. Diante desses resultados, o varejo ampliado gaúcho teve o terceiro pior desempenho entre os estados do Brasil, sendo superado apenas por Rondônia (-19,6%) e Sergipe (-18,0%).

As categorias com bens mais inelásticos, cuja procura é menos sensível às mudanças nos preços por conta da difícil substituição, avançaram, seguindo a mesma lógica das Notas Fiscais Eletrônicas: “hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo” (+9,9%) e “farmacêuticos,  médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos” (+2,8%).

 

Data

18 maio 2020

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