Fevereiro mais longo fez Varejo crescer 0,34%

Segundo bom resultado do ano – descontados os efeitos sazonais – foi influenciado pelo Carnaval tardio, e fez o segmento gaúcho acelerar para 4,6% no acumulado.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, o Varejo Restrito no RS cresceu 0,34% em fevereiro contra janeiro, já descontados os efeitos sazonais. O faturamento de fevereiro foi aproximadamente R$ 7,6 bilhões.

Os dados apontam, já descontada a inflação:

  • aumento de 0,34% em relação a janeiro/2014, já descontados os efeitos sazonais;
  • aumento de 8,7% com relação a fevereiro/2013;
  • crescimento acumulado nos últimos 12 meses em 4,6%;
  • no Varejo Ampliado, que inclui Veículos e Material de Construção, o crescimento foi de 15,3% em relação a fevereiro/2013;
  • entre os segmentos com melhor desempenho na comparação com fevereiro/13 estão Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (18,1%), Combustíveis e Lubrificantes (17,4%), Móveis e Eletrodomésticos (12,7%).

(var. % – mês s/ mês ano anterior)

Fonte: IBGE. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

(em var. %)

Fonte: IBGE. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

Por fim, o Varejo Restrito no Brasil teve desempenho abaixo do gaúcho, com aumento de 0,17% frente à janeiro/14, e 8,5% frente à fevereiro/13. No acumulado, o Varejo Restrito brasileiro acelerou para 5%.

Considerações da Assessoria Econômica

Os dados mostraram um resultado de crescimento positivo na margem, com expansão de 0,34% em fevereiro, frente a janeiro. Considerando o resultado de 1,73% em janeiro, a média do 1º bimestre foi de +1% de crescimento ao mês. A título de comparação, no ano de 2013 a expansão média do Varejo Restrito foi de 0,59% ao mês.

É importante destacar, contudo, que o resultado do mês foi bastante influenciado por um fator que não estava presente em 2013: o número maior de dias em fevereiro – em função do Carnaval tardio. A greve dos ônibus em Porto Alegre, que era um risco para o desempenho do mês, aparentemente foi compensada pelo efeito calendário – o que garantiu um fevereiro melhor. Com esses resultados o desempenho acumulado em 12 meses acelerou e atingiu 4,6% de crescimento real.

Além dos fatores já amplamente citados em nossas notas anteriores que contribuíram para esse resultado positivo (como o crescimento da renda ligada ao mercado de trabalho) há o resultado do crédito (novos empréstimos) em fevereiro e no 1º bimestre, que acelerou 13,1% e 8,9%, respectivamente, já descontada a inflação.

Os primeiros resultados de 2014 apontam um cenário melhor para o Varejo gaúcho que aquele finalizado em 2013, quando o setor cresceu 3,85%.

Entretanto, os efeitos do primeiro bimestre, provocados pela antecipação das liquidações em janeiro e o efeito calendário em fevereiro devem se dissipar nos 

próximos meses. O resultado de março, por exemplo, será impactado pelo o menor número de dias úteis em relação a 2013.

Assim, o cenário deve apresentar um retorno da tendência de moderação do Varejo, basicamente em função dos fatores que continuam presentes na economia e limitam o crescimento do consumo das famílias:

  • os efeitos defasados que ainda restam do aumento nas taxas de juros devem ocorrer de forma integral até o fim de 2014;
  • a aceleração da inflação para nível próximo a 6,5%, e com risco de ultrapassar o limite superior da banda;
  • restrição na oferta de trabalhadores manterá a taxa de desemprego pressionada;
  • mas o limite da capacidade das empresas em absorver o crescimento dos salários descolado da produtividade deve impedir aceleração mais forte da renda.

Desta forma, mantemos nossa projeção de crescimento real de 3,92% para o faturamento do Varejo restrito gaúcho em 2014.

Data

16 abril 2014

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