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Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Previsões para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)
Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório FOCUS (24/11/2023) *Mediana. | Elaboração: AE/CDL POA.

PIB: apesar da agenda reduzida de indicadores, o prognóstico envolvendo o crescimento em 2023 registrou a segunda retração consecutiva semanal (de +2,85% para +2,84%). O recuo foi puxado pelo desempenho do terceiro trimestre contra igual período de 2022 (de +2,03% para +2,01%). Cabe ressaltar que as questões climáticas adversas, com excesso de chuvas no Sul e elevadas temperaturas em outras regiões, podem gerar surpresas negativas adicionais. Além disso, as consequências do fenômeno El Niño sobre a dinâmica da safra de grãos aguardada para o ano que vem ainda são incertas. Hoje, de acordo com a CONAB, a produtividade do ciclo 2023/2024 cairá -1,9% no confronto com o anterior.

IPCA: o cômputo para a inflação oficial em 2023 diminuiu de +4,55% para +4,53% devido, em parte, ao comportamento dos administrados, ou seja, os preços estabelecidos pelo governo ou cuja lógica de reajuste segue contratos (de +9,18% para +9,16%). Esse recorte apresenta como grande destaque os combustíveis. Entre as hipóteses explicativas está o espaço existente para quedas no curto prazo pela Petrobras, uma vez que, conforme a ABICOM, o valor da gasolina no mercado doméstico tem superado a paridade internacional recentemente (+3% na última sexta-feira). Já para o diesel foi constatada equivalência.

Fiscal: a nova estimativa para o déficit primário da União em 2023 proveniente dos ministérios da Fazenda e do Planejamento piorou sensivelmente em comparação com setembro. Agora, o rombo das contas públicas no presente ano saiu de R$ 141,4 bilhões para R$ 177,4 bilhões no conceito “acima da linha”, ao passo que pela metodologia “abaixo da linha”, utilizada pelo BC, totaliza – R$ 203,4 bilhões. A deterioração dos números decorre de dupla combinação de fatores: houve frustração no tocante à arrecadação de impostos enquanto os gastos subiram, fruto de compensações para estados e municípios aprovadas pelo Congresso e do aumento do mínimo da Saúde.

Também se encontra em análise proposta de emenda que limita o tamanho do contingenciamento – retardamento ou inexecução de dispêndios programados na Lei Orçamentária –, mesmo que isso inviabilize o atingimento do objetivo estipulado em 2024. O cenário naturalmente dificulta o cumprimento da meta de equilibrar receitas e despesas (excluindo o pagamento de juros da dívida). Ademais, repercute sobre a condução da política monetária, impedindo que o COPOM aprofunde o processo de corte da Taxa SELIC no futuro.

Avaliação do Índice do Banco Central (IBC) de setembro de 2023

Definição: o IBC fornece um termômetro do nível de atividade através da combinação de estatísticas setoriais.

Informações para o Brasil:

→ Set-23 / Ago-23: -0,06%, depois do ajuste sazonal;

• Número veio abaixo do consenso entre os especialistas sondados pela Reuters (+0,10%);

→ 3ºT23 / 2ºT23: -0,64%;

• Por sua vez, o Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acusou estabilidade;

• Acreditamos que o dado oficial do IBGE deve mostrar variação intermediária entre os dois levantamentos, ou seja, entre -0,2% e -0,3%;

• Entendemos que o recuo pode ser explicado: (1) pelo fim do choque positivo em segmentos não cíclicos (agropecuária e indústria extrativa) ao longo do primeiro semestre; (2) pelas instabilidades climáticas no Sul (enchentes) e no Norte (seca); (3) pela absorção do impacto da potencialização das transferências sociais via Bolsa Família; (4) pelos juros ainda elevados; e (5) pelo cenário externo complexo;

E o Rio Grande do Sul?

→ Set-23 / Ago-23: -1,18%;

• O parque fabril (-5,4%), as vendas do varejo ampliado (-4,6%) e as demais categorias do ramo terciário (-1,9%) apresentaram quedas;

• Cabe lembrar que os indicadores foram afetados pelas chuvas em quantidades bem acima da média em importantes polos, como o Vale do Taquari e a Região Metropolitana de Porto Alegre;

→ 3ºT23 / 2ºT23: -6,2%.

• É o pior resultado entre todos os estados e regiões investigadas;

→ Acumulado do ano: +4,71%;

• Mesmo com os problemas decorrentes da estiagem sobre a safra de grãos de verão 22/23, a expectativa é de que a produtividade (razão entre a colheita e a área plantada) seja maior do que a observada em relação a anterior em +6,2%, de acordo com a estimativa da CONAB de outubro. No entanto, caso se confirme, a defasagem para o ciclo 2020/2021 alcançará 30,4%;

Índice do Banco Central (IBC)
(Var. % em relação ao período anterior)
Fonte: Banco Central. *Com ajuste sazonal. | Elaboração: AE/CDL POA.

Efeito carregamento e perspectivas:

Se o IBC permanecer estacionado entre outubro e dezembro, o Brasil registrará avanço de +2,64% em 2023. Não esperamos que o quarto trimestre traga uma retomada consistente, até porque a confiança dos empresários, segundo a FGV, caiu 3,3 pontos em outubro no confronto com setembro, enquanto o sentimento dos consumidores diminuiu 0,4 ponto.

 

Data

27 novembro 2023

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