Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira
Projeções para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)
Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório Focus (21/08/2026). *Mediana. Elaboração: AE/CDL POA.
No cenário internacional, Donald Trump, líder do Executivo dos Estados Unidos, descartou estender a trégua de 60 dias nos ataques no Oriente Médio. Consequentemente, a cotação do petróleo do tipo Brent voltou a superar os US$ 90 por barril. É bem verdade que o presidente do Irã manifestou-se pelo fim do embate enquanto o país estiver em posição de força, segundo sua avaliação. No entanto, a fala não conteve o ceticismo dos mercados, uma vez que o mandatário não exerce influência relevante dentro do regime.
Outro destaque envolveu o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos acerca da ampliação do limite de recompra de títulos públicos de longo prazo. A partir de 9 de setembro, o valor permitido por operação subirá de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, com o intuito de fornecer liquidez às negociações. Cabe ressaltar que os rendimentos dos papéis americanos e os de nações desenvolvidas, como Reino Unido, Japão, França e Alemanha, têm alcançado recordes não vistos há vários anos. O fenômeno diz respeito: (1) à deterioração fiscal, de modo que a arrecadação de impostos não é suficiente para fazer frente aos gastos; e (2) ao contexto geopolítico complexo, decorrente do encarecimento dos custos energéticos e da ameaça à oferta de alimentos em razão do conflito entre Rússia e Ucrânia.
Ademais, foram divulgados diversos indicadores da China referentes a julho de 2026. Todos vieram inferiores ao consenso entre os prognósticos dos analistas, incluindo o volume de bens do parque fabril, as vendas do varejo e os investimentos em ativos fixos. As evidências mais recentes também corroboram o enfraquecimento do ramo imobiliário. Nesse sentido, o vice-ministro das Finanças afirmou que adotará medidas para incentivar o consumo interno, além de defender o aprofundamento da coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A declaração aumenta a expectativa quanto à adoção de novos estímulos que assegurem o cumprimento da meta de crescimento do PIB no ano, entre +4,5% e 5,0%.
Já no Brasil, a agenda de dados concentrou-se no Índice do Banco Central (IBC) de junho de 2026 – termômetro do nível de atividade composto por diferentes levantamentos setoriais. Houve queda de 0,6% em comparação com maio, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou um pouco abaixo da mediana entre as previsões obtida pelo Broadcast+ (-0,5%). A retração foi motivada pelas categorias mais sensíveis aos ciclos econômicos – indústria e serviços –, ao passo que a agropecuária evitou um recuo ainda maior. No segundo trimestre de 2026, em relação ao primeiro, a expansão totalizou apenas 0,2%, o que representa uma desaceleração significativa ante a leitura anterior (+1,2%). Considerando o Monitor do PIB, calculado pela FGV, o incremento atingiu 0,3%. Acreditamos que as estatísticas contribuíram para a revisão do PIB estimado para o ano de 2026, de +1,98% para +1,95%.