Crise e perspectiva de reação lenta aumentam cortes no RS


Crise e perspectiva de reação lenta aumentam cortes no RS

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JUNHO, 2020

Notícias

 

Apesar de MP que reduz jornada e salário, empresas demitem para aliviar caixa, e pedidos de seguro-desemprego crescem 55,1%.

 

A pandemia de coronavírus atinge em cheio o mercado de trabalho. Reflexo da crise, o número de pedidos de seguro-desemprego no Rio Grande do Sul disparou 55,1% na soma de abril e maio, em relação a igual intervalo do ano passado. Com o salto, as solicitações chegaram a 119,8 mil nos dois últimos meses, apontam dados do Ministério da Economia.

O benefício pode ser acessado por trabalhadores com carteira assinada que foram demitidos sem justa causa. Segundo analistas, a disparada dos requerimentos é sintoma de que empresas enxergam restrições de mercado por longo período. Sem perspectiva de retomada rápida dos negócios, resolvem cortar postos de trabalho formal para aliviar o caixa. Na tentativa de evitar demissões em massa, o governo federal editou, em abril, a medida provisória (MP) 936. O texto permite a empresários reduzir jornada e salários por até três meses ou suspender contratos por, no máximo, 60 dias.

– Os números do seguro-desemprego mostram o impacto da recessão. O estrago teria sido ainda maior se o governo não adotasse ações como a MP. Isso gera efeitos positivos, mas também há limitações. Não dá para mudar todo o jogo na crise. Agora, se esse conjunto de medidas viesse antes, mais para o início da pandemia, talvez tivesse poupado mais empregos – observa o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank.

No Estado, 456,7 mil trabalhadores tiveram a jornada reduzida ou o contrato suspenso até 26 de maio. Em ambos os casos, o governo federal é responsável pelo pagamento de parte dos salários. Como contrapartida, as empresas precisam garantir a estabilidade de funcionários por até três meses depois da redução de jornada ou por até 60 dias após a suspensão de contratos.

– Empresários tentam não demitir, mas é inevitável em uma crise como esta. A autorização para corte de jornada ou suspensão de contrato salvou empregos. É difícil precisar quantos – afirma o economista Guilherme Stein, professor da Unisinos.

Os 119,8 mil pedidos de seguro-desemprego em abril e maio representam o maior número para o período desde o início da série histórica, com dados a partir de 2011. O grupo de pessoas que buscaram o benefício no Estado equivale à população de um munícipio do porte de Bento Gonçalves (120,4 mil habitantes), na Serra.

Abril e maio foram os dois primeiros meses completos desde a chegada do coronavírus ao Rio Grande do Sul. Por ora, apenas os dados do seguro conseguem sinalizar o prejuízo causado pela covid-19, nesse período, no mercado de trabalho.

As informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), outro levantamento do Ministério da Economia, só vão até abril. Já a pesquisa mais recente sobre desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reúne informações estaduais até março.

Segmentos

Em abril e maio, trabalhadores do setor de serviços responderam por 33,5% das solicitações de seguro-desemprego no Estado. Com maior peso na economia, a atividade foi responsável por quase 40,2 mil pedidos, alta de 56% em relação a 2019. Na indústria, o percentual de crescimento chama ainda mais atenção. Nos dois últimos meses, o número de solicitações por profissionais demitidos das fábricas quase dobrou. Foram 36,3 mil requerimentos, avanço de 89,6% frente a 2019. A atividade industrial respondeu por 30,3% de todos os pedidos.

Além da queda na demanda interna, o setor sofre no cenário internacional. Em maio, as exportações das fábricas desabaram 26,7% frente ao mesmo mês de 2019 – para US$ 775,7 milhões. É o pior resultado em 15 anos, conforme a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).

– A indústria está entre os setores em que é mais difícil adotar o sistema de home office – frisa Stein.

 

O auxílio desemprego

O que é?

O seguro-desemprego é um benefício temporário para trabalhador com carteira demitido sem justa causa. Inclui categorias como empregadas domésticas e pescadores. É preciso cumprir alguns requisitos, como tempo de trabalho.

Quando pedir?

Podem ser feito entre sete e 120 dias após a data de demissão.

Qual é o valor?

Em 2020, varia de R$ 1.045 (salário mínimo) a R$ 1.813,03. O número de parcelas vai de três a cinco. Depende de quanto tempo o ex-funcionário trabalhou antes do desligamento e de quantas vezes o auxílio já foi solicitado.

Como pedir?

Presencialmente ou pela internet.

Presencialmente

Nas superintendências regionais do trabalho e emprego (SRTEs) e em 125 agências FGTAS/Sine no Estado, que abrem de segunda a sexta-feira.

O atendimento presencial nas agências FGTAS/Sine chegou a ser suspenso entre 23 de março e 10 de maio, em razão das medidas de isolamento social. O serviço foi retomado em seguida.

Na Capital, é oferecido em agências FGTAS/Sine no Centro (Rua José Montaury, 31) e na Zona Norte (Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 2.132).

Antes de ir a uma unidade de seu município, pode entrar em contato, por telefone ou e-mail, para tirar dúvidas. Existe a possibilidade de agendar o atendimento.

É necessária a apresentação de documentos de identificação, como carteira de trabalho, termo de rescisão do contrato e comprovante de FGTS (extrato ou saque).

Pela internet

Pode realizar o encaminhamento do benefício por meio do aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

Com acesso à conta, é preciso ir em “Solicitar Seguro-Desemprego” e informar o número do requerimento que está no comunicado de dispensa.

Em seguida, basta confirmar a solicitação e obter um comprovante ao final do processo.

O pedido também pode ser feito no site do governo federal (www.gov.br).

Se a solicitação online for concedida automaticamente, o trabalhador receberá a informação de que a emissão das parcelas ocorrerá em 30 dias a partir da data de liberação. Caso haja problema no encaminhamento online, a recomendação é para que o interessado entre em contato pelo telefone 158.

 

Em busca de recolocação no mercado

Gabriel Santos, 24 anos, conheceu o desemprego com a chegada do coronavírus ao Rio Grande do Sul. Formado em Relações Públicas, o morador de Porto Alegre trabalhava na área de pós-venda de uma agência de intercâmbio. Como o setor que opera viagens para o Exterior foi um dos mais impactados pela pandemia, Gabriel não ficou imune à turbulência.

Durante a crise, teve férias antecipadas, mas em maio recebeu o aviso de demissão. Agora, quer aperfeiçoar o currículo enquanto procura vagas de emprego:

– Quero fazer alguns cursos nos próximos meses. Busco por empresas com uma cultura legal. Se possível, gostaria de seguir no atendimento a clientes, mas a área de atuação não é a prioridade.

A exemplo de Gabriel, a estudante de Administração de Empresas Alana Silva Kliar, 26 anos, também perdeu o trabalho em razão da crise. Moradora da Capital, a jovem era auxiliar administrativa do setor de cafeterias dentro de um complexo hospitalar.

Demitida em maio, já está em busca de nova oportunidade. A preferência é por seguir na área administrativa, mas Alana não descarta mudanças. Por enquanto, além da faculdade, planeja fazer cursos online para incrementar o currículo.

– Fui desligada com um grupo de colegas. Era responsável pelas contas do setor – diz. – Agora, estou procurando novo emprego. Gostaria de seguir na área administrativa – complementa.

Analistas mencionam que, além da queda no faturamento, as incertezas relacionadas ao desempenho da economia nos próximos meses também podem forçar demissões. Por ora, não há clareza sobre o comportamento da pandemia até o final do ano, nem sobre os impactos no dia a dia dos negócios.

No Rio Grande do Sul, o governo lançou plano de reabertura gradual da economia, mas o recente aumento nos casos de contaminação voltou a preocupar.

– Quando um trabalhador entra em uma empresa, passa por processo de qualificação. Ao longo do tempo, a tendência é de que aumente a produtividade. Assim, é natural que o empresário espere ao máximo antes de demitir, mas a recessão é muito forte – afirma o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank.

Somente em maio, o Estado contabilizou 66,8 mil solicitações de seguro-desemprego. O número é o maior para um mês desde o início da série histórica do Ministério da Economia, com dados a partir de 2011. Os recordes anteriores haviam sido registrados em abril deste ano (53 mil), já sob efeito da covid-19, e em julho de 2014 (51,4 mil), quando o Brasil começava a mergulhar em recessão.

 

Fonte: Jornal Zero Hora – Edição Impressa em 15 de junho de 2020 / Site GaúchaZH

 

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.

 

Data

16 junho 2020

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