Crédito ao consumidor cresceu 6,2% em março

Crédito Livre às pessoas físicas desacelerou em março, descontadoas as modalidades de Veículos e renegociação.

Os dados do Banco Central mostram que o volume de crédito manteve-se em expansão em março, porém em velocidade menor. O saldo de total de empréstimos no país atingiu R$ 2,76 trilhões, sendo R$ 305 bilhões em novos empréstimos.

Considerando apenas os novos empréstimos às Pessoas Físicas:

  • no Crédito Livre, aumento nominal de  13,2%, e real de 6,6%, em relação a março/13;
  • excluindo empréstimos para Veículos, Renegociação de Dívidas e Cartão de Crédito Rotativo do Crédito Livre, o aumento nominal foi 12,7%, e real 6,2%, em relação a março/13;
  • crédito para Renegociação e Cartão de Crédito Rotativo cresceu 20,4% nominal e 13,5% real, na mesma comparação, conjuntamente;
  • crédito para Aqusição de Bens, ligado a financeiras, apresentou queda nominal 10,6%, e queda real de 15,8%.

(var. % nominal do mês contra mesmo mês no ano anterior)

Fontes: Banco Central do Brasil  Elaboração: NI/CDL Porto Alegre

Em termos de percentual dos valores emprestados em atraso (inadimplência), os dados do Banco Central apontam:

  • 6,5% para o Crédito Livre às Pessoas Físicas, queda de 1,1 ponto percentual em relação à março/13;
  • 8,4% para empréstimos em Aquisição de Bens, vinculado a financeiras – queda de 1,3 p.p. na mesma comparação;
  • 1,8% para o Crédito Imobiliário (queda de 0,4 p.p.);
  • 5% para Aquisição de Veículos (redução de 1,3 p.p.).

Para o Rio Grande do Sul os dados são de fevereiro, e mostram um saldo de empréstimos em R$ 97,6 bilhões (+18,2% nominal e +12,6% real em relação a janeiro/13).

Considerações da Assessoria Econômica

Os resultados de março mantiveram o cenário positivo em termos de empréstimos ao consumidor, mesmo em um ambiente com aumento da Taxa SELIC pelo Banco Central.

Na margem, a comparação com o mesmo período de 2013 apontou crescimento real de 6,2% – descontados veículos e renegociações (empréstimos ou cartão de crédito rotativo). Como resultado, no acumulado em 12 meses esses novos empréstimos ao consumidor cresceram 9,5% em termos reais, contra 9,2% no mês passado.

Novamente como destaque negativo foi o aumento nos empréstimos para renegociação de dívidas (via Cartão de Crédito Rotativo ou não). Na margem, o crescimento real foi de 13,5%, acelerando para 7,4% no acumulado em 12 meses. Esse é

um resultado esperado, em função dos efeitos defasados do aumento da taxa de juros pelo Banco Central.

O cenário positivo de crescimento de empréstimos ao consumidor mesmo com crescimento de crédito para renegociação pode estar ligado à melhora na qualidade das carteirasefetuada pelo sistema financeiro após a queda forçada das taxas de juros em 2011.

Naquele momento as instituições financeiras optaram por reduzir os juros para clientes com melhor histórico de pagamento, o que permitiu uma expansão do crédito mais prolongada e de melhor qualidade.

Além disso, o mercado de trabalho estimulado pela menor oferta de trabalho mantéve os salários em crescimento, o que contribui para aumentos reais de renda das famílias – e impede uma escalada da inadimplência.

Por fim, para 2014 mantemos nossa projeção de crescimento real dos novos empréstimos  ao consumidor (Crédito Livre) em 5,78%.

Data

05 maio 2014

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