CDL POA estreia “O varejo pelas mulheres”, uma série de entrevistas com profissionais de destaque no setor, com a participação de Nilva Bellenzier

​CDL Porto Alegre estreia “O varejo pelas mulheres”, uma série de entrevistas com profissionais de destaque no setor, com a participação de Nilva Bellenzier

17

MARÇO, 2021

Notícias

Em comemoração ao mês da mulher, a CDL POA lança em suas plataformas digitais a ação “O varejo pelas mulheres”, com o propósito de valorizar a força do empreendedorismo e da liderança feminina nas diversas áreas que permeiam o varejo. Para isso, mulheres com destaque em suas carreiras profissionais e negócios foram convidadas a participar de uma série de entrevistas disponibilizadas no site da Entidade durante o mês de março.

Para o lançamento desta iniciativa, a CDL POA conta com a participação de sua Primeira Vice-Presidente, Nilva Bellenzier, que atua como Diretora e Sócia Fundadora da Bellenzier Pneus.

Confira esta entrevista exclusiva:

  1. Como você vê a presença feminina no varejo?

Vejo, hoje, a presença feminina no varejo muito presente. Dentro do empreendedorismo, percebemos que a atuação feminina está mais presente no varejo, justamente porque as mulheres carregam algumas características inatas de relacionamento interpessoal e negociação que auxiliam para a atuação comercial. A mulher tem vontade de se relacionar com o público, tem a ambição de sempre ascender profissionalmente e conquistar clientes. Então, temos a presença marcante de empresárias e empreendedoras neste segmento e, principalmente, em áreas de atendimento. A força feminina, cada vez mais, se consolida no varejo.

  1. Quando você decidiu que queria seguir a carreira em que está hoje?

Decidi ser empresária porque precisei optar por isso. Eu era professora e adorava o que fazia, trabalhava com muito afinco, mas tinha necessidades. Tive uma filha com deficiência, que depois veio a falecer com 15 anos. Então, eu precisava de mais trabalho e uma remuneração mais consistente. Assim, resolvi empreender. Com meu irmão mais novo como sócio e um empurrãozinho do nosso pai, iniciamos um negócio. Eu vendi minha casa para ter um capital inicial, fui morar de aluguel, e abri uma loja bem pequenininha multimarca, onde eu e meu irmão fazíamos tudo, inclusive, atendíamos no balcão. A escolha por ser empresária partiu de uma necessidade, eu não havia sonhado com isso. Acredito que na vida tudo é assim, quando a gente faz com determinação e porque precisa, as coisas acontecem. A gente não precisa fazer só o que gosta, mas precisa essencialmente gostar do que faz. E foi assim comigo a vida toda. Eu gosto do meu trabalho, adoro empreender, lidar com pessoas, funcionários, clientes. Me sinto realizada!

  1. Quais barreiras você sente que encontrou pelo caminho?

Barreiras? Encontrei muitas! Mas todas eu acreditava que poderia transpor. Uma coisa que eu trago comigo sempre é que há momentos muito tristes e outros muitos felizes, e precisamos ter a firme convicção de que tudo passa. O que isso quer dizer? Se estamos com um problema, podemos ter a certeza de que irá passar. Se estamos muito alegres, conquistamos coisas, estamos eufóricos, não podemos nos acomodar porque isso também irá passar. O segredo é lutar sempre! Então, isso é uma filosofia de vida: sempre buscar enxergar na frente. Vivi situações de dificuldade financeira bem difíceis no início da minha trajetória empreendedora porque não tinha capital de giro. Lembro que, às vezes, para pagar um boleto, eu chegava a fazer oito cheques de R$ 99,00 (valor máximo para compensação em até 48 horas, na época) porque no outro dia teria cheques de clientes que entrariam na conta da empresa. Então, são formas que encontramos para driblar a adversidade. E muitas outras vieram, mas sempre agimos com muita austeridade.

  1. Quais são as suas maiores motivações?

Para mim, a motivação se modifica constantemente. Quando comecei, meu maior estímulo era poder oferecer um melhor tratamento para minha filha. Hoje, o que me motiva mais é manter os empregos que geramos na empresa, é a manutenção da empregabilidade e o sustento das famílias, para que nossos funcionários tenham uma vida digna, sonhos e conquistas pessoais também. Além disso, manter uma reputação ilibada, no sentido de ter sempre produtos de alta qualidade, um serviço confiável e oferecer segurança aos clientes. Hoje, é este conjunto que alimenta minha satisfação.

  1. Quais são as suas metas ainda a serem alcançadas?

Continuar crescendo! Quero sentir que meus filhos estejam encaminhados para dar continuidade à empresa, que eles sejam pessoas de garra e dedicação, e que também tenham sua independência. Quero continuar construindo uma empresa sólida, abrindo novas filiais, mantendo uma equipe coesa e um time de pessoas felizes em trabalhar conosco.

  1. O que você acredita que a trouxe até aqui – neste seu momento profissional?

São diversos os fatores que me fizeram chegar onde estou e que são responsáveis por trazer nossa empresa até este momento presente. Estão como principais, a austeridade e o planejamento. Também, temos como regra norteadora nunca gastar além do que se tem e sempre reinvestir no próprio negócio. Estes são aspectos que nos deram liquidez e sanidade financeira. Além disso, nos guiamos por princípios morais e éticos, como valorizar as pessoas, ser honesto e cuidar bem dos que estão ao nosso redor.

  1. Que dicas você daria para as mulheres que desejam ser empreendedoras?

Minha mensagem é: se você quer empreender, primeiro tenha um planejamento consistente. Veja o que você deseja fazer, disponibilize um capital e planeje passo a passo desta trajetória. Tenha sempre em mente que é preciso cuidar do negócio. Muitas pessoas querem empreender, mas não entendem a dedicação necessária para isso, não vão na empresa. Ser empresário não é um status. É preciso viver o dia a dia da empresa, estar presente. O ditado já diz que é o olho do dono que engorda o boi, e essa é a premissa mais certa. Eu, por exemplo, quando estou em uma loja, sempre busco me conectar com as demais filiais, expandir minha presença física. Ligo para os gerentes, fico por dentro dos processos, olho os números do dia anterior, comento com eles o que foi realizado em vendas para sentirem que estou presente na operação e que estou atenta ao que os funcionários estão fazendo. Nós apontamos erros e elogiamos os acertos, estimulando uma conduta assertiva e perseverante, para sempre melhorarem sua performance. Isso é ser uma empreendedora.

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Confira a série completa:

 

Data

17 março 2021

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