Capital humano em xeque: a crise silenciosa - CDL POA

Capital humano em xeque: a crise silenciosa

A OCDE divulgou recentemente os resultados do Pisa de 2025. Trata-se de um exame aplicado a estudantes de 15 anos para medir o nível educacional a cada triênio desde 2000. A avaliação traz diferentes implicações tanto para o mundo quanto, particularmente, para o Brasil.

A média dos 23 países que participam da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – seleto grupo de ricos – chama a atenção. No período pré-pandemia (2018), as notas permaneceram relativamente estáveis, oscilando em torno de valores muito próximos. No entanto, os números de 2025 consolidaram a tendência de queda.

Nota média dos integrantes da OCDE no Pisa
(Em pontos)

Fonte: OCDE / Pisa. Elaboração: AE/CDL POA

É possível elencar certas hipóteses explicativas do fenômeno. Em primeiro lugar, as restrições à circulação de pessoas motivadas pela Covid-19 acarretaram o fechamento temporário das escolas. Nesse sentido, a ausência de estímulos adequados em etapas específicas do processo de aprendizagem provavelmente pesou, deixando lacunas que podem se estender pelo resto da vida dos adolescentes.

Outro aspecto importante diz respeito às distrações provocadas pela exposição a celulares e equipamentos digitais. O uso massivo prejudica a capacidade de concentração. Além disso, embora a Inteligência Artificial contribua para a automatização de rotinas, a ferramenta, quando mal utilizada, afeta as sinapses que decorrem do esforço cognitivo e, consequentemente, sedimentam o conhecimento.

Cabe ressaltar igualmente os obstáculos relacionados à preparação e à retenção de professores em todo o planeta. Os currículos escolares em diversos casos também se encontram defasados, ou seja, não acompanharam as transformações ocorridas ao longo dos últimos anos.

No que se refere ao Brasil, o desempenho continuou pífio. Seguimos ocupando posições extremamente preocupantes em leitura (52ª), ciência (67ª) e matemática (71ª) entre 91 nações. É difícil, portanto, imaginar um crescimento sustentado da produção, enquanto parte relevante das oportunidades de emprego consistir em vagas de baixa qualidade. O rendimento insuficiente em exatas merece destaque, uma vez que precisamos de mão de obra especializada (engenheiros, matemáticos, estatísticos, por exemplo) para aproveitarmos os ganhos proporcionados pela revolução tecnológica em curso.

Os dados reforçam a necessidade urgente de mudança de rota, sobretudo no Brasil. Nosso problema não está no tamanho da despesa como proporção do PIB, mas na priorização do ensino básico. De acordo com o vencedor do Prêmio Nobel de Economia, James Heckman, o retorno sobre o investimento em educação é maior nos estágios iniciais do desenvolvimento humano. Ademais, análises de custos e benefícios que ampliem metodologias e fórmulas já bem-sucedidas, como as adotadas no Ceará, são alguns dos caminhos.

 

Data

23 setembro 2026

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