Bancos são considerados parte da solução para retomada da economia provocada pela Covid-19


Bancos são considerados parte da solução para retomada da economia provocada pela Covid-19

08


MAIO, 2020

Notícias

De todas as crises enfrentas nos últimos anos, esta é a primeira em que o mercado financeiro não é o foco do problema. Foi uma das conclusões dos participantes do webinar realizado pela Anlab, em parceria com a CDL POA, nesta quinta-feira (7). Participaram da Live Carlos Foz, do And Bank; Rogério Monori, do Banco BV; e Harold Stumpf, do Banco Topázio. Para eles, a crise ainda não chegou a afetar a solidez dos bancos, que se consideram essenciais para a retomada, por meio do apoio aos clientes e investimentos em negócios reais. Aos bancos, a crise já deu muitas lições, uma delas é a consolidação do fato de que a nova economia irá consumir serviços financeiros de forma diferente e digital. Outra constatação é a disruptura do processo rígido de funcionamento, por exemplo, colocar toda a tesouraria das instituições em home office, talvez isto nunca teria sido possível não fosse a necessidade imposta pela crise.

O webinar foi mediado pelo privet banker Luiz Bins, que pediu para que cada participante falasse um pouco sobre as suas instituições e de que maneira eles têm enfrentado a pandemia. Conheça aqui o disseram os convidados:

 

Rogério MonoriBanco BV

O BV é o quinto maior banco privado do Brasil, com um patrimônio de R$ 10 bilhões. Trabalha com financiamento de veículos, atacado, segmento de empresas ‘large’, ‘corporate’ e ‘fintechs’. É também líder em distribuição de dívidas de mercados capitais e o quarto maior gestor de fundos imobiliários. Como Privet Banking, possui oito filiais no Brasil.

Ainda sem impacto profundo, o gestor afirma que o aumento da inadimplência deve vir em decorrência da crise. Para ele, a quarentena foi pessoalmente tocante, pois estava no banco há apenas sete dias. Foi um desafio colocar sete mil pessoas para trabalhar em home office. A prática do trabalho remoto já havia sido estruturada no banco, e o BV já possui uma estrutura muito leve, sem agência, além de um índice de eficiência muito bom em relação aos que possuem agências. Com a inovação e a tecnologia em sua estratégia, a migração foi facilitada. Na primeira semana, o tesoureiro relutou, mas o principal era o cuidado com a saúde dos funcionários. Certamente um movimento desses não teria sido realizado em outros tempos e funcionou surpreendentemente bem. Para auxiliar no combate à pandemia, o BV realizou uma doação de R$ 30 milhões para combate à Covid-19 e para ações sociais. Além disso, disponibilizou-se mais R$ 10 milhões em uma campanha em que, a cada real doado, o banco doava outro. E, ainda, foi criada uma linha de crédito a preço de custo para fornecedores de aparelhos hospitalares.

Monore ressalta que a situação de distanciamento social, com equipes em home office, funciona, mas apenas temporariamente, não sendo sustentável em longo prazo. Negócio com pessoas depende de interação pessoal. É fácil manter as relações que existem, mas fica difícil fazer novos relacionamentos. Não é razoável continuar em home office no futuro.

O banco tem apoiado seus clientes que estão precisando e isto tem atrasado o plano de crescimento. A rolagem de dívidas com empresas que estão com a operação parada têm acontecido. Em geral, nesta crise, muito diferente das demais, os bancos são parte da solução. Apoiar os clientes e estender as linhas existentes faz parte para manter a roda da economia girando. O agronegócio, por exemplo, tem se mostrado bastante resiliente. E outros setores estão paralisados. Haverá problemas mais adiante, se a crise se prolongar. O BV tem conseguido manter o ritmo de crescimento da sua carteira de crédito.

 

Harold StumpfBanco Topázio

O Banco Topázio é o braço financeiro do grupo Correa da Silva, há 40 anos no Brasil. Atua com crédito para o setor varejista e como desenvolvedor em plataforma ‘hub fintech’, ‘Light banking’ e câmbio. O banco tem atuado na prestação de serviço para uma realidade mais digital. A pandemia chegou muito rápida, nunca havia sido testado um home office tão amplo, como foi realizado em menos de uma semana por toda a equipe. A situação toda assustou, dado que praticamente todo o comércio fechou. Os clientes estão fechados ou operando menos do que o normal. É como uma gincana, todos os dias existe um replanejamento para as próximas. Houve repactuação dos créditos com o varejo, canal direto com os clientes e área comercial em permanente contato em um trabalho conjunto. O banco também está prestando um auxílio educacional. Sobre a retomada, deve acontecer paulatinamente, hoje o Topázio já está com 20% das pessoas de volta ao escritório.

Se o banco não tivesse entrado no digital e ficado apenas no crédito, dentro de estrutura de cartões, estaria em uma situação muito mais delicada. O banco fez uma opção em 2017 em investir maciçamente em uma plataforma digital. Já havia a crença de que a nova economia iria consumir serviços financeiros de uma forma diferente. O Banco Topázio oferece sua estrutura de banco para segmento que não são financeiros, montando junto produtos customizados para cada parceiro e indústria, como, por exemplo, o Mercado Pago, que é uma instituição financeira se ser um banco.

Também faz a emissão da dívida para ele. Também atua em carteiras digitais, com a carteira do Carrefour, que roda dentro do Topázio. Durante a pandemia, os projetos digitais continuam na mesma toada. O mundo vai sair diferente disso, a questão do digital deve se intensificar. Horizonte de 10 anos será em cinco. Empresas que não forem para o digital não irão mais existir. E este e o objetivo do Instituto Caldeira, inserir empresas que não são do digital no mundo tecnológico. É uma das grandes saídas para economia do RS. É neste contexto que o grupo Topázio se insere, com DNA de tecnologia, de quem faz isso há mais de 30 anos.

 

Carlos FozAnd Bank

O And Bank é um banco europeu, com 90 anos de história, que atua como uma boutique, focado em cuidar dos recursos e das pessoas. Com 24 bilhões de euros em ativos, está presente em 12 países e o Brasil é um destino definitivo. Como trabalham com preservação de capital, já passaram por muitas crises.

A crise provocada pelo coronavírus se apresenta como um desafio importante a ser enfrentado. Carlos Foz conta que já contou 16 crises desde que entrou para o mercado financeiro, em 1994. Apesar de gerarem muitas angústias e sofrimentos, as crises ensinam muito e deixam um legado. Todos os empresários sairão melhores. E esta está sendo disruptiva, transformadora, com impactos profundos. O banco encontra-se em home office, se não fosse a crise não teria acontecido. Em menos de uma semana, foi possível encaminhar toda a equipe. Foi inesperado a tesouraria funcionar em home, não se imaginaria antes. Sem a tecnologia, teria sido impossível, e os impactos, devastadores. O dia a dia continua o mesmo. O foco do banco foi cuidar das pessoas, esta semana foi realizado teste para Covid-19 em 100% dos funcionários e seus familiares, pois é o que o mundo tem ensinado. Os que tiverem anticorpos voltam com mais calma, os testes ajudarão na retomada. Como não se sabia como transferir todo o banco para home office, também não se sabe como voltar. Em perspectivas de negócios, os objetivos da instituição não mudaram, que é de um crescimento de 40%. Certamente, a crise oferece uma ajuda para a instituição ser melhor.

Globalmente, o And Bank atua em um setor mais resiliente, que é a gestão de patrimônio. Existe a queda de patrimônio, mas de forma geral vem reagindo bem. A repercussão nos países é muito parecida. No Brasil, existe a queda de juros, pois se vivia em um patamar não muito real. O investidor se acostumou a investir em juros. Empresários são heróis no Brasil, quando poderiam estar investindo em banco e ficarem na praia. A realidade chegou agora, juros baixos são uma realidade global. Como vamos remunerar nosso capital? Esse mundo mudou, o investidor tem mudado, está ousando um pouco mais, na economia real, não só em bolsa. Crédito não é fácil, é binário. Requer uma diligência importante. As pessoas físicas estão bastante atuantes em ativos de risco. Na crise, os investidores, em vez de colocar em renda fixa, colocar o dinheiro em oportunidades. É uma mudança importante do investidor. Há um processo de educação com o investidor, um pouco mais disposto a correr risco e se posicionar pelo desenvolvimento da economia.

 

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.

 

Data

08 maio 2020

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