As perspectivas do Banco Mundial para a economia

O Banco Mundial divulgou a atualização do panorama aguardado para o futuro pelo seu grupo de especialistas. Nesse sentido, as novas previsões de algumas das principais variáveis constituem um importante balizador para a elaboração de cenários.

Conforme os números recentes, a atividade global desacelerará de +5,5% em 2021 para +4,1% em 2022. Entre os motivos que embasam o prognóstico estão: (1) surtos de COVID-19, responsáveis pelo recuo das horas trabalhadas; (2) abrandamento dos programas de estímulo oriundos dos governos; (3) persistência dos gargalos de oferta.

O documento igualmente chama a atenção para a heterogeneidade da retomada. Por um lado, a produção e os investimentos nas nações avançadas devem retornar à tendência de crescimento simulada sem a pandemia. Por outro, a situação dos emergentes é mais complicada, dadas as limitações ao uso das políticas monetária e fiscal. No primeiro caso, o comportamento da inflação impede que os juros caiam. No segundo, diversos países incorreram em fortes aumentos do endividamento para lidar com os impactos do distanciamento social e da crise sanitária.

Os riscos capazes de frustrar as projeções são: (1) elevação das contaminações pelo coronavírus a ponto de suscitar restrições ao funcionamento dos negócios; (2) continuidade da disrupção das cadeias de insumos e suprimentos; (3) choques negativos nos mercados financeiros não antecipados pelos agentes.

Já o incremento esperado para o PIB do Brasil em 2022 diminuiu de +2,5% – estimativa construída em outubro de 2021 – para +1,4%. De acordo com o relatório, os vetores de baixa citados são:

→ Deterioração da confiança;
→ Perda do poder de compra da moeda;
→ Expectativa de arrefecimento da demanda externa da China;
→ Queda da cotação do minério de ferro;
→ Inexistência de margem de manobra para reduzir o custo do crédito e / ou criar gastos sem comprometer a busca pelo equilíbrio das contas públicas.

Entendemos que o quadro traçado ajuda a elucidar os desafios a serem enfrentados não só em 2022, como também nos próximos anos. A única forma de alterar a dinâmica descrita é a adoção de reformas estruturais que atuem para favorecer a geração de renda.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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Data

13 janeiro 2022

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