A série de entrevistas “O varejo pelas mulheres” se encerra com participação da gestora de RH da CDL POA, Elisa Pesa

A série de entrevistas “O varejo pelas mulheres” se encerra com participação da gestora de RH da CDL POA, Elisa Pesa

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MARÇO, 2021

Notícias

Em comemoração ao mês da mulher, a CDL POA disponibilizou em suas plataformas digitais uma série de entrevistas intitulada “O varejo pelas mulheres”, com o propósito de valorizar a força do empreendedorismo e da liderança feminina nas diversas áreas que permeiam o varejo. Para isso, mulheres com destaque em suas carreiras profissionais e negócios foram convidadas a participar do projeto disponibilizado no site da Entidade durante o mês de março.

Para o último episódio desta série, a CDL POA convidou sua gestora de Recursos Humanos e Capacitação para o Varejo, Elisa Pesa, graduada em Psicologia, especialista em Gestão Estratégica, com certificação em Coaching – ICI, Integrated Coaching Institute – e capacitação em Gerenciamento de Projeto – PMTech.

Confira esta entrevista exclusiva:

  1. Como você vê a presença feminina no mercado de trabalho, em especial, em posições de gestão?

As mulheres estão cada vez assumindo mais destaque no mercado de trabalho. Não é mais um tabu, mas não quer dizer que não há desafios.  O Fórum Econômico Mundial concluiu que a igualdade de gênero no trabalho se dará só daqui a 257 anos. Apesar desse horizonte longo e até mesmo desmotivador, as mulheres já tiveram conquistas e superações importantes, não só no mercado de trabalho, mas também na política e na área social.

As mulheres passaram a participar mais do mercado de trabalho nas últimas décadas, inclusive se tornando mantenedoras de muitas famílias. De qualquer forma, é notável que a equidade nas posições ocupadas pelas mulheres ainda precisa evoluir de forma significativa, e não me refiro tão somente a questão salarial. Mulheres em posições de Gestão ainda não são uma realidade em todas as organizações. Vemos mulheres liderando grandes marcas e isso dá esperança para além de ser um exemplo a ser seguido. Porém, em algumas indústrias mais tradicionais, historicamente masculinas, temos um caminho importante a trilhar. No varejo, por exemplo, vemos muitas mulheres atuando tanto na linha de frente como no backoffice, mas poucas em cargos de Direção e CEO.

O fato é que não há mais como negar a complementariedade das mulheres nas organizações. Eu, particularmente, tenho muito orgulho em fazer parte de uma organização onde mais de 60% dos colaboradores são mulheres. E nos cargos de gestão também somos 60%!

  1. Quando você decidiu que queria seguir a carreira em que está hoje?

No meu primeiro estágio formal. Percebi que eu tinha voz e fazia diferença na vida das pessoas. Naquela época, em um cenário mais restrito, senti que poderia ajudar a transformar a vida das pessoas e, consequentemente, da organização. “Pessoas felizes geram mais resultado”. Uma frase antiga e uma verdade muito atual! A cada ação, a cada reação, a cada entrega, aumentava meu desejo de fazer mais. Eu ainda sinto esse desejo e posso dizer que me sinto muito realizada profissionalmente!

  1. Quais barreiras você sente que encontrou pelo caminho?

Barreiras são muito relativas e temporais. Aquilo que um dia foi barreira, hoje vejo como motor que serviu de impulsão! No meu caso uma “barreira” significativa não foi o Ser Mulher, mas sim o Ser Jovem. Meu desejo de fazer versus minha inexperiência. Precisei achar espaço para me fazer escutar! Foi duro, pois comecei jovem em uma indústria muito formal. Recordo que perdi minha primeira promoção para um cargo de liderança, para o qual eu tinha todas as competências exigidas e desejadas, pois não me encaixava no “perfil”. Quando questionei o motivo, soube que era porque eu era muito “guria”. Eu estava pronta para a função e não foi me dado a oportunidade por um preconceito. Fiquei muito frustrada, mas resolvi transformar aquela energia negativa em algo positivo e segui em frente, busquei me reinventar, me posicionar de forma diferente.  Anos depois, a pessoa que me negou a promoção, me pediu desculpas e disse que tinha orgulho da minha trajetória.

  1. Quais são as suas maiores motivações?

Seria clichê dizer que minha maior motivação é minha filha? (risos). Outro dia ela disse que quer ser igual a mim quando crescer. No primeiro momento fiquei feliz (qualquer mãe ficaria!), mas depois percebi que não tenho esse objetivo. Quero, sim, que ela tenha as mesmas oportunidades que eu tive para escolher o caminho que deseja e que se desafie toda vez que sentir que pode fazer mais. Me motiva construir este mundo onde ela possa fazer isso, onde ela tenha possibilidade de ser o que quiser, inclusive uma “eterna guria” e que possa crescer sem se deparar com tantos preconceitos. E que, quem sabe, assim como eu, se encante em fazer a diferença na vida das pessoas.

  1. Quais são as suas metas ainda a serem alcançadas?

O mundo está muito intenso para fazermos um planejamento de longo prazo. Nada é, tudo está sendo. Precisamos estar atentos e abertos para mudar o trajeto. Sempre tive desejo de unir minha formação em Psicologia com a experiência e, quem sabe, atuar como mentora em grandes organizações.  Além disso, tenho me encantado com todas as transformações que a inovação e a cultura digital estão trazendo para as nossas vidas e para as organizações. Acredito que tenho muito a aprender nesse novo contexto.

  1. O que você acredita que a trouxe até aqui – neste seu momento profissional?

Minha curiosidade e minha vontade de fazer.  Nunca aceitei executar somente um papel e sempre busquei compreender o todo. Em alguns casos, o meu interesse por outros assuntos e áreas não foi bem aceito. Mas, em virtude da função que exerço e do meu perfil, estou sempre aberta para aprender e contribuir com o negócio.

  1. Que dicas você daria para as mulheres que desejam assumir cargos de liderança?

A mulher possui um olhar diferente, complementar ao do homem. Assuma essa diferença como uma força e não uma fraqueza. Não desista! Obstáculos existem e sempre vão existir. Seja curiosa, sensível e destemida. Espere que lhe digam “PARE”! É sempre melhor ouvir PARE do que ANDE.

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Confira a série completa:

 

 

Data

30 março 2021

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