
Crédito: Gilberto Simon
Sob risco. Com a explosão da criminalidade, funcionários de lojas entraram para as estatísticas como alguns dos principais alvos da bandidagem: quase metade já foi assaltada.
Até dez anos atrás, a loja de ferragens de Tiago Jacobus na rua Voluntários da Pátria nunca havia sofrido sequer uma tentativa de roubo. Mas o tempo passou e, nos últimos três anos, ocorreram três arrombamentos, dois deles em fevereiro passado. Casos como este estão mapeados em pesquisa que a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) sobre os efeitos da insegurança no comércio no primeiro trimestre deste ano. Jacobus teve um prejuízo de R$ 10 mil somente com os dois ataques mais recentes. Antes do Liquida Porto Alegre, ele havia comprado equipamentos novos para investir na tradicional promoção anual. O material foi levado pelos ladrões. Depois do assalto, tomou a decisão de reforçar as portas de metal e melhorar o sistema eletrônico de segurança. O atual alarme é acionado antes mesmo de as grades serem tocadas. Mas nem isso é garantia de que o patrimônio ficará seguro.
“Eles sabem que tem câmera e vão em frente. O alarme dispara e eles continuam. Não tem jeito. Estamos à mercê de qualquer forma”, desabafou. A pesquisa foi feita com 86 estabelecimentos de Porto Alegre, a maioria deles (87,2%), lojas de rua. Já o segmento que mais participou do questionário, respondido de forma on-line ao longo de uma semana, foi o de vestuário (39,5%). Os custos com a insegurança têm aumentado não somente por causa dos bens furtados ou roubados, mas também porque os lojistas precisam repetidamente investir em sistemas de segurança.
Jacobus ressaltou que a região onde fica sua loja tem outros estabelecimentos que também já foram alvo de assaltantes. Legislação no alvo A pesquisa nasceu porque a CDL passou a ser mais constantemente acionada pelos filiados sobre questões de segurança. Ao constatar que os relatos sobre assaltos estavam fora do normal, a entidade realizou o estudo. “A pesquisa confirma essa tendência de aumento da insegurança, especialmente no centro da cidade”, disse o presidente da CDL, Alcides Debus. A CDL tem conversado com a Brigada Militar sobre o assunto, mas a situação da corporação é difícil, com efetivo reduzido somado à penúria financeira do Estado.
O foco, então, tem sido os legisladores. A entidade tem buscado o apoio de deputados estaduais para a ampliação dos poderes das guardas municipais. Quanto a sugestões para os comerciantes, Debus admite que é preciso ter cuidado. A contratação de seguranças, por exemplo, é uma alternativa, porém, mortes recentes em confrontos com bandidos mostraram que nem essa opção é solução.
Fonte: Metro.