As Micro e Pequenas Empresas (MPE’s) têm papel essencial por manter os recursos financeiros girando na economia e as pequenas empresas são as maiores empregadoras no país. Segundo dados divulgados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) do Distrito Federal, de cada dez trabalhadores brasileiros, seis estão nos pequenos negócios formais e informais.
Conforme o autor Moacir Dresch é fato, que todo ano, milhares de micro e pequenas empresas fecham suas portas, apesar da melhora nos últimos anos nos índices de sobrevivência. Pesquisa do SEBRAE-SP informa que, antes de completar cinco anos, a metade das MPE’s encerra suas atividades. E que os principais fatores são as questões políticas, pessoais e financeiras.
Com a crescente busca de novas práticas para incrementar as vendas no comércio e com o aumento da competitividade, o crédito é utilizado como facilitador da venda, possibilitando que o consumidor atenda suas necessidades e, como está inserido no contexto da intermediação financeira, fica sendo parte relevante na geração de receita. Crédito, de acordo com outro autor, Wolgang Kurt Schrickel “é todo ato de vontade ou disposição de alguém de destacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente, depois de decorrido o tempo estipulado”.
Com a necessidade de conhecer o cliente na hora da concessão, as empresas buscam maneiras para controlar o risco de crédito com a finalidade de reduzir as perdas com a inadimplência. Para tentar obter este controle, as empresas devem ter uma Política de Crédito, cujo objetivo principal é acabar com a informalidade e a subjetividade no processo de concessão de crédito.
A Política de Crédito define as diretrizes, os critérios e os procedimentos a serem usados para concessão ou não de crédito aos clientes. É através de uma política bem estruturada, que a empresa irá atender as necessidades dos clientes e também amenizar os riscos envolvidos nestas operações. Ela deve ser prática e viável, dentro do modelo funcional adaptado à realidade da empresa e ao público que ela deseja oferecer o crédito.
A análise de crédito no comércio varejista surge da necessidade das empresas efetuarem vendas a prazo para fomentar os negócios e com isso suprir a falta de capital de giro para saldar suas operações diárias.
Esta atividade de venda a prazo é exercida através dos tempos e tem como objetivo, criar condições e facilidades para que o cliente possa adaptar o valor da parcela dentro do seu orçamento familiar.
O crédito possibilita a continuidade dos negócios para os empresários e tende a melhorar seus resultados e auxiliar na manutenção dos empregos no comércio, abrangendo a sociedade como um todo e desenvolvendo o município.
Existem alternativas mais elaboradas de análise de crédito, como os cartões de crédito e financeiras que já possuem todo um procedimento para minimizar riscos e perdas, mas com alto custo envolvido. Para fazer análise de crédito nas vendas a prazo e aprovar esta operação de maneira rápida, o varejista nem sempre se cerca de cuidados, porque uma venda financiada em várias parcelas envolve riscos que devem ser contemplados para que se tenha uma concessão de crédito mais assertiva.
Com a globalização e o crescimento significativo da inadimplência no mercado mundial, as empresas passam a se preocupar com a avaliação e controle dos riscos do mercado em geral e, assim, a análise de crédito passou a ser uma das ferramentas indispensáveis para que as Micro e Pequenas Empresas possam controlar e reduzir os riscos atribuídos nestas operações.
Giovana Pires Machado
* Gerente de Contas de Crédito da CDL Porto Alegre