A perspectiva é de que o PIB mundial atinja +3,1% em 2026 (+0,1 ponto percentual ante a edição de julho) e passe para +3,4% em 2027 (sem alteração). Ambos os valores são inferiores aos registrados em 2025 (+3,5%) e à média pré-pandemia entre 2000 e 2019 (+3,7% ao ano). A aceleração está calcada em determinadas premissas, como (1) a flexibilização das restrições à circulação no Estreito de Ormuz a partir de março de 2027 até sua reabertura plena em outubro de 2027; (2) a manutenção das tarifas comerciais nos patamares atuais; e (3) a moderação no ritmo de expansão da Inteligência Artificial (IA), e não uma parada abrupta. O possível prolongamento do conflito no Oriente Médio e as dúvidas a respeito da viabilidade do ciclo de IA são razões plausíveis pelas quais os riscos adversos predominam.
Do ponto de vista da desagregação dos dados, o total geral esconde importantes diferenças. A expectativa para os Estados Unidos é de avanço de +2,3% em 2026 e 2027, pois seu perfil produtivo limita as consequências diretas da guerra. Somado aos investimentos em tecnologia, o pacote fiscal aprovado em 2025 deve continuar a estimular o nível de atividade. Por fim, a resiliência do mercado de trabalho e o efeito riqueza da apreciação das ações, sobretudo das big techs, trazem benefícios ao consumo.
Na Zona do Euro, a estimativa para o PIB é de +1,1% em 2026 e +1,2% em 2027. Os números são estruturalmente menores como reflexo, em parte, do envelhecimento da população. Vale dizer que o bloco é importador líquido de energia, o que o torna mais suscetível ao choque geopolítico. Ademais, a confiança das famílias encontra-se fraca. Os juros reais (descontados pela inflação) tendem a subir nos próximos meses, na esteira do prognóstico de que a variação dos preços só retornará à meta de 2,0% em meados de 2028, encarecendo empréstimos e financiamentos.
Já a China manterá o desaquecimento gradual: de +5,0% em 2025 para +4,5% em 2026 e +4,0% em 2027. A demanda privada permanece bastante debilitada, com destaque para o setor imobiliário. Contudo, o principal vetor de incremento do PIB é a indústria de ponta, voltada tanto para a exportação quanto para o fomento da procura doméstica.
As projeções para o PIB brasileiro moveram-se de 2,4% para 2,2% em 2026, e de 2,2% para 1,9% em 2027. Trata-se da maior revisão para baixo entre as grandes economias para 2027. A permanência da taxa Selic elevada por longo período, as incertezas internacionais e a diminuição do impacto positivo que a política fiscal gera sobre o Produto são algumas das causas do arrefecimento. De todo modo, seguiremos perdendo espaço para o conjunto das demais nações.
Em suma, a retomada global é desafiadora. No caso do Brasil, o ambiente externo é pouco favorável, marcado pelo aumento de juros nos países desenvolvidos. Logo, sem alívio vindo de fora, a eventual queda sustentável do custo do crédito depende de compromisso efetivo com a melhora da trajetória da dívida pública.