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O alerta vindo de fora

O noticiário especializado tem destacado um ponto de atenção sobre o futuro da economia global. Recentemente, os rendimentos dos títulos da dívida de diversos países desenvolvidos vêm atingindo patamares inéditos em muitos anos. Como resultado, o chamado custo de oportunidade aumenta, refletindo o incremento do prêmio exigido para assumir riscos nos emergentes, como o Brasil.

Em primeiro lugar, o retorno dos papéis de 30 anos dos Estados Unidos ultrapassou 5,30% ao ano, ou seja, recorde desde 2007, antes da crise financeira internacional. O fenômeno não é isolado: no Japão, a remuneração com vencimento de 10 anos bateu na máxima em três décadas, enquanto nas nações europeias, como Alemanha, França e Reino Unido, os valores são os maiores em pelo menos 15 anos.

É importante ressaltar algumas das hipóteses capazes de explicar a dinâmica. O aspecto primordial envolve os desafios relacionados ao equilíbrio das contas governamentais, de modo que a arrecadação não é suficiente para fazer frente às despesas. Nos EUA, a perspectiva é de déficit de cerca de 6% do PIB em 2026, conforme o CBO, crescendo até 6,7% do PIB em 2036. Cabe lembrar que o programa de expansão fiscal proposto por Donald Trump e aprovado pelo Congresso no ano passado deve elevar o endividamento em US$ 3,3 trilhões durante 10 anos. Pacotes também são realidade no Japão, a partir de aditivos orçamentários divulgados em maio, bem como na Alemanha, com o fundo de 500 bilhões de euros destinado à infraestrutura e à defesa.

Ademais, as incertezas geopolíticas provavelmente colaboram para a piora do quadro. Entre os exemplos está a falta de clareza a respeito de um acordo de paz duradouro entre EUA e Irã, responsável pela majoração da cotação do barril de petróleo, com o tipo Brent alcançando US$ 90. Além disso, o conflito entre Rússia e Ucrânia gera preocupações com a disponibilidade de alimentos e, consequentemente, com seus preços.

O Tesouro americano decidiu na última quarta-feira (19) ampliar a recompra dos títulos de longo prazo, dobrando, para até US$ 4 bilhões, o limite permitido por operação. Após o anúncio, a reação inicial foi positiva, mas as taxas voltaram a subir. O intervencionismo para dar liquidez às negociações não tende a alterar estruturalmente o movimento sem o respaldo de cortes efetivos de gastos.

E como o cenário afeta o Brasil? Juros mais elevados nos principais mercados, mantidas todas as demais variáveis constantes, impactam os fluxos de capitais. Quanto mais alto o retorno oferecido, maior o incentivo para que os recursos sejam direcionados aos investimentos maduros. A eventual saída de divisas deteriora a taxa de câmbio, cuja depreciação contribui para fomentar a inflação via encarecimento dos importados e restrição da concorrência com os similares domésticos.

Logo, a manifestação do Banco Central na ata da reunião do Copom de agosto, apresentada no término do sétimo parágrafo, é apropriada: “… o debate reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”. A atuação da política monetária fica prejudicada na medida em que estímulos à demanda agregada dificultam a convergência do IPCA para a meta de 3,0%.

Data

24 agosto 2026

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