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Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Projeções para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)

Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório FOCUS (07/08/2026). *Mediana. Elaboração: AE/CDL POA.

No panorama internacional, o destaque consistiu nos levantamentos referentes ao mercado de trabalho dos Estados Unidos. Houve surpresas negativas tanto no Relatório JOLTS de junho (métrica da demanda por mão de obra) quanto no Relatório ADP, relativo ao desempenho do setor privado formal em julho. No entanto, os resultados do payroll – principal termômetro – sobressaíram-se.

O saldo entre admitidos e desligados com carteira assinada em julho exibiu fechamento de 23 mil vagas, ante uma expectativa de criação de +80 mil. Além disso, as revisões de maio e junho subtraíram outros 103 mil postos. Consequentemente, a média nos últimos 12 meses registrou apenas +34 mil. Conforme a abertura por categorias, a administração pública exerceu impacto expressivo (-53 mil), especialmente na esfera municipal. Todavia, a iniciativa privada também demonstrou fraqueza, concentrada fundamentalmente no varejo e nas atividades financeiras. Ademais, a variação anual dos salários moveu-se de +3,4% para +3,2%, atingindo o menor patamar desde maio de 2021 (+2,3%). É bem verdade que a taxa de desocupação caiu de 4,2% para 4,1%, mas a queda decorreu integralmente da saída de pessoas da força de trabalho. De maneira geral, os dados têm potencial de atrair a atenção por parte dos dirigentes do Fed (Banco Central dos EUA), cujo foco desde o início do conflito no Oriente Médio era a inflação.

Aqui no Brasil, o Copom reduziu a Taxa Selic pela quarta oportunidade consecutiva (de 14,25% para 14,00% ao ano). Do ponto de vista da conjuntura nacional, o Comitê reconheceu a moderação do crescimento, embora o ritmo ainda seja resiliente e com assimetrias entre setores, enquanto o emprego segue aquecido. O texto do comunicado aborda a melhora recente do IPCA, porém o índice cheio e os recortes subjacentes – os núcleos, mais sensíveis aos ciclos da produção – continuam acima do limite superior do Regime de Metas (4,5%).

Após os ruídos gerados na decisão anterior, o colegiado priorizou clareza. Em primeiro lugar, o Comitê não apresentou múltiplas simulações para os preços. Nesse sentido, considerando o primeiro trimestre de 2028 – dentro do chamado horizonte relevante, ou seja, 18 meses à frente – a previsão alcançou 3,2%, sem mudanças em comparação ao Relatório de Política Monetária (RPM) de junho e em linha as estimativas dos analistas. Outra questão problemática abrangia o balanço de riscos do IPCA, pois mesmo com quatro vetores altistas e três de baixa, a percepção em junho era de que os pesos se equivaliam. Agora, ao preservar a quantidade e a descrição dos componentes, a interpretação é de viés ascendente. Assim, a probabilidade de uma aceleração do indicador supera a de desaceleração.

No tocante ao futuro, o Comitê deixou em aberto a possibilidade de dar andamento ao ciclo de flexibilização, cortando novamente os juros básicos para 13,75% ao ano em setembro. Outro cenário bastante razoável contempla a interrupção temporária do movimento, com o intuito de incorporar novas informações e gerar uma postura de neutralidade no período eleitoral, retomando a diminuição do balizador do custo do crédito somente depois do término do pleito, em novembro.

Por fim, o IBGE revelou que o volume de bens da indústria em junho recuou 1,8% contra maio, na série com ajuste sazonal. Logo, o número frustrou o consenso entre os especialistas sondados pelo Broadcast+ (-0,6%). O aspecto qualitativo mostrou-se igualmente desfavorável, em virtude da disseminação das retrações entre diferentes nichos. Em suma, as estatísticas reforçam o quadro de perda de tração da atividade econômica.

A reunião do COPOM de agosto de 2026

Introdução:

O COPOM optou por reduzir a Taxa SELIC em 0,25 ponto percentual (de 14,25% para 14,00% ao ano) pela 4ª oportunidade consecutiva em agosto de 2026, em linha com o esperado pelos investidores.

Quais os destaques?

1) No que se refere ao panorama internacional, dois aspectos trazem cautela para os países emergentes. Em primeiro lugar, as indefinições da guerra no Oriente Médio. Cabe lembrar que o embate tem sido fundamental para explicar as oscilações da cotação do barril de petróleo e, consequentemente, a dinâmica dos preços na esfera global. Além disso, a incerteza do ponto de vista da trajetória futura dos juros nas nações desenvolvidas é expressiva: em caso de incremento, mantidas todas as demais variáveis constantes, perdemos atratividade em termos relativos. Por conseguinte, é necessário ajustar o prêmio, aumentando a remuneração dos papéis e do custo do crédito para evitar a geração de desequilíbrios.

 2) O texto focou na moderação do nível de atividade do Brasil, em substituição à menção acerca do ganho de tração do PIB do 1ºT/26 no encontro de junho. Ainda assim, a avaliação é de resiliência, a despeito do desempenho heterogêneo entre os setores. Por sua vez, o emprego segue aquecido. Contudo, a citação anterior a respeito da pressão no mercado de trabalho no quinto parágrafo foi excluída. No que tange à inflação, houve o reconhecimento de que tanto o índice cheio quanto os recortes subjacentes – obtidos por meio da retirada de itens tipicamente voláteis e, portanto, mais correlacionados aos movimentos da produção – exibiram melhora. Porém, ambos permanecem acima do limite máximo do Regime de Metas de 4,5%.

3) Após os ruídos no comunicado passado, o Comitê decidiu não discutir os resultados de múltiplas simulações nas projeções de preços. Nesse sentido, considerando o primeiro trimestre de 2028 – dentro do chamado horizonte relevante, ou seja, 18 meses à frente – o número previsto alcançou 3,2%, sem mudanças em comparação ao Relatório de Política Monetária (RPM) de junho.

4) Outra questão problemática abrangia o balanço de riscos do IPCA, pois mesmo com quatro vetores altistas e três de baixa, a percepção em junho era de que os pesos se igualavam. Agora, ao preservar a quantidade e a descrição dos componentes, a interpretação é de viés ascendente. Assim, a probabilidade de uma aceleração do indicador supera a de desaceleração.

Quais são as perspectivas?

O COPOM não forneceu sinais claros no tocante aos seus próximos passos. Por um lado, não fechou as portas para um corte adicional de 0,25 ponto percentual da Taxa SELIC na reunião de setembro. Em contrapartida, expôs um novo qualificador sobre a conjuntura, ao apontar os “riscos elevados em torno do cenário base”.

É importante notar que em vários momentos que antecederam as corridas eleitorais (2006, 2010, 2014 e 2018, essencialmente), o Banco Central se posicionou de maneira neutra, com o intuito de impedir que a política monetária exercesse influência no pleito. Em 2022, graças ao desarranjo entre oferta e demanda provocado pela pandemia e pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, a “regra” não se confirmou. Logo, existe um precedente envolvendo a adoção de uma postura conservadora no curto prazo.

Todavia, é razoável também imaginar que a queda que encerra o ciclo na nossa visão (taxa terminal de 13,75% ao ano) já ocorra em setembro, sobretudo se a rodada de dados corroborar a calibragem, incluindo leituras benignas do IPCA corrente, a interrupção do processo de deterioração das expectativas do IPCA para 2027 e 2028 e a continuidade da suavização do crescimento econômico.

Data

11 agosto 2026

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