Percentual de Inadimplentes desacelera: 9,1% - CDL POA

Percentual de Inadimplentes desacelera: 9,1%

Redução no percentual de pessoas que se tornaram inadimplentes após 3 meses foi influenciado por campanhas pontuais em Porto Alegre. Mas após ajustes, indicador apresentaria aumento em relação a junho de 2013.

Para melhorar a leitura do indicador, a partir de maio/14 os dados serão tratados como sendo do final do mês anterior à divulgação, e não como do primeiro dia do mês em que eram divulgados.

Assim, o indicador divulgado em maio passado (e à época considerado como sendo de maio/2014) será considerado como sendo de abril/2014. O indicador que está sendo divulgado agora, em julho, se refere portanto aos registros ocorridos em junho/2014, e será considerado como sendo de junho/2014.

Os resultados seguem rigorosamente os mesmos, tratando-se apenas de uma nova forma de considerar o mês e competência: ao invés do primeiro dia do mês corrente, considera-se como sendo do último dia do mês anterior.

O Índice de Inadimplentes fechou junho de 2014 em queda, bastante influenciado por campanhas sazonais de algumas redes varejistas em Porto Alegre. O índice, que verifica o percentual de pessoas que se tornaram inadimplentes após 3 meses, aponta no Rio Grande do Sul:

  • queda de 1,46 ponto percentual (p.p.), na comparação com junho/13 (9,05% contra 10,51% no ano anterior);
  • queda de 0,2 p.p. na média-móvel 12 meses na comparação com maio/14 (10,7% contra 10,9%), que atenua efeitos sazonais;
  • queda de 2,5 p.p. na comparação do índice cheio com relação a maio/14: 9,1% contra 11,5%.

Na segmentação por regiões houve comportamento diferente entre Interior e Porto Alegre, porém com magnitudes diferentes:

  • Porto Alegre: queda de 6,1 p.p. contra junho/13, e queda de 1 p.p. frente a maio/14 na média-móvel 12 meses;

1 Ver Nota Explicativa, acima.

O indicador de junho/2014 apontou que 9,1% das pessoas que foram consultadas três meses antes no SCPC no Rio Grande do Sul, e que não estavam inadimplentes, foram incluídas no banco de dados com ao menos um registro em seu nome ao longo de junho/2014.

A variação do índice na comparação com junho/13 foi de -1,46 ponto percentual, ou seja, caiu de 10,51% para 9,05%.

(% de pessoas consultadas que ficaram inadimplentes após 3 meses)

Fonte: SCPC; NI/CDLPOA.

(em pontos percentuais)

Fonte: SCPC; NI/CDLPOA.

Já na segmentação por atividade econômica, os estabelecimentos com menor percentual de inadimplentes no início de abril foram Farmácias (5,2%) e Serviços Sociais, Fundações e Associações (5,4%) e Construção Civil (5,6%).

Considerações da Assessoria Econômica

O percentual de pessoas que se tornaram inadimplentes caiu fortemente em junho, quando consideramos o índice cheio. Esse comportamento pode ser creditado a algumas campanhas pontuais de consultas e registros de clientes nas bases de dados de algumas redes varejistas em Porto Alegre.

Ao fazermos alguns ajustes, atenuando os efeitos dessas campanhas sobre o indicador, verifica-se que o percentual de pessoas que se tornaram inadimplentes em junho/14, em Porto Alegre, foi próximo ao ocorrido em junho/13. A variação de -6,1 p.p. se reduz a -0,6 p.p. ou -1,1 p.p., a depender da medida de ajuste que se considere.

No Interior, entretanto, o resultado foi em linha com o que tem ocorrido para a média do indicador nos últimos meses: crescimento em relação ao mesmo período de 2013 (+1,1, p.p.), e em comparação aos primeiros meses de 2014 (+0,1 p.p.).(% de pessoas consultadas que ficaram inadimplentes após 3 meses)

Fonte: SCPC; NI/CDLPOA. 

Ao contrário do mês anterior, e influenciada pelo volume de consultas em Porto Alegre, a média-móvel em 12 meses recuou 1,5 ponto percentual. Entretanto, realizando os mesmos ajustes para Porto Alegre verifica-se que o percentual para o RS subiria entre 0,8 p.p. e 1 p.p., no índice cheio.

Entre os fundamentos que afetaram a inadimplência, conforme nossas últimas notas, estão:

  • efeitos defasados do aumento da Taxa de Juros (SELIC) (atualmente em 11% a.a.), aumento nos empréstimos destinados à renegociação de dívidas e inflação ainda alta;
  • renda e crédito para consumo em crescimento moderado fazem com que aumentos não ocorram de forma mais acelerada.

O aumento nos empréstimos para renegociação mantém o alerta para os próximos meses: essa modalidade de crédito cresceu 12% no acumulado do ano até maio, acima da inflação, contra 8,3% no mesmo período do ano passado.

Lembramos que o movimento de aumento nos registros de inadimplência não foi acompanhado pela inadimplência em valores, medida pelo Banco Central. Tal comportamento reflete as melhores condições de crédito dentro do Sistema Financeiro, com melhor seleção dos consumidores. Com risco menor, os consumidores atrasam parcelas com valores baixos, em comparação ao total de crédito emprestado mensalmente.

Assim, mantemos o cenário de viés de alta moderada para a inadimplência. A alta está relacionada a magnitude do aumento da taxa de juros e os efeitos da inflação sobre as famílias. Quanto mais forte forem, mais provável será o seu crescimento.(% de pessoas consultadas que ficaram inadimplentes após 3 meses)

Fonte: SCPC; NI/CDLPOA.

(% de pessoas consultadas que ficaram inadimplentes após 3 meses)

Fonte: SCPC; NI/CDLPOA. 

*Tamanho de amostra insuficiente para inferência sobre esse grupo, pelo baixo número de consultas

(% de pessoas consultadas que ficaram inadimplentes após 3 meses)

Fonte: SCPC; NI/CDLPOA.

Notas Metodológicas

O Índice de Inadimplentes CDL Porto Alegre mede o percentual de pessoas que se tornaram inadimplentes após 3 meses, dado que foram consultadas (em determinado local, ou por loja de um segmento específico) há 3 meses e não apresentavam nenhum registro no SCPC naquele momento.

Desta forma, por exemplo, dados referentes a maio, consideram as consultas sem registros realizadas em fevereiro. Os dados não consideram qual a forma de pagamento desejada pelo cliente na hora de sua realização.

A classificação de uma pessoa em Porto Alegre ou Interior ocorre pelo local onde ela foi consultada há 3 meses. Assim, se uma pessoa foi consultada no Interior e na Capital ela contará para cada uma dessas estatísticas. Isso ocorre pois supomos que cada consulta é uma operação diferente e, portanto, essa pessoa deve contar nas operações de ambas localidades. Assim, quanto mais uma pessoa for consultada mais isso influenciará a probabilidade de se tornar inadimplente.

O mesmo ocorre para a classificação entre segmentos. Uma pessoa consultada, por exemplo, por uma Financeira e por uma Loja de Departamentos contará para cada um desses segmentos. Entretanto, para o total de Porto Alegre, essa mesma pessoa deverá contar apenas uma vez.

No caso de faixas etárias, a contagem de uma mesma pessoa em mais de uma faixa só ocorrerá quando, no intervalo de 3 meses desde a consulta observada, essa pessoa completou seu aniversário.

Data

16 julho 2014

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