O Varejo Ampliado gaúcho apresentou queda de 11,2% na comparação de abril de 2015 com o mesmo mês do ano anterior. Nessa comparação, a queda do Varejo Restrito foi menor (-2,9%), já que os setores de veículos, partes e autopeças e e materiais de construção apresentaram variação, na mesma base de comparação, de -28,2% e -3,1%, respectivamente.
De acordo com o IBGE, o Varejo Ampliado e o Varejo Restrito apresentaram queda real novamente em abril, no Brasil e no RS. Os dados para março de 2015 estão a seguir. Para o Varejo Ampliado gaúcho em abril, os dados apontam as seguintes variações (já descontada a inflação):
- contra abril/14: queda de 11,2%;
- acumulada em 2015: queda de 8,90%;
- acumulada em 12 meses: queda de 4,3%.
No Varejo Restrito gaúcho, que exclui Veículos e Material de Construção, as variações foram:
- contra março/14: queda de 2,9%;
- contra fevereiro/15: aumento de 0,98% (descontados os efeitos sazonais);
- acumulada em 2015: queda de 3,4%;
- acumulada em 12 meses: aumento de 0,1%.
O Varejo Ampliado no Brasil teve desempenho negativo novamente, com queda de 8,5% frente à abril/14 e queda de 0,29% frente à março/15 (sem efeitos sazonais). No acumulado em 12 meses, o Varejo Ampliado brasileiro apresentou queda de 4,1% em abril.
Por fim, para o Varejo Restrito no Brasil, os resultados mensais foram -3,5% (contra abril/14) e -0,44% (contra março/15, com ajuste sazonal). No acumulado em 12 meses, o Varejo Restrito no Brasil cresceu 0,2% em abril.
(var. % real – mês s/ mês ano anterior)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real acumulada em 12 meses)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
A queda na venda de veículos mostra-se bem aparente na PMC referente a abril de 2015, já que é observada a variação de volume de vendas de -28,2% no RS (e -19,5% no Brasil) na comparação de abril com o mesmo mês do ano passado. Esse mesmo indicador apontava, em março, queda de 5,8% no RS (e -3,7% no Brasil). No acumulado em 2015, a queda nesse setor é de -20,5%, o que evidencia a crise de vendas nesse setor.
O primeiro trimestre de 2015 marca o início de uma recessão na economia brasileira, confirmada pela queda real no PIB no acumulado em 4 trimestres. Na comparação de trimestre sobre o mesmo trimestre do ano anteior, o índice brasileiro já apresentava queda desde o segundo trimestre de 2014, embora fosse observado crescimento no acumulado. O fenômeno da recessão não é um fator isolado na economia brasileira, já que, além de queda no consumo, observamos um cenário de inflação e taxa de juros elevadas e uma diminuição da confiança dos consumidores e empresários na economia e em suas próprias empresas.
Os dados observados no setor de veículos apresentam uma realidade preocupante, já que a queda é muito acentuada e o estoque dos varejistas desse setor está em um nível elevado. Caso a situação se agrave, há o risco de demissão dos funcionários desse setor (e de outros em situação semelhante), o que gera impactos negativos no consumo, o que retroalimenta a recessão econômica. Felizmente, o mercado entende que há espaço para o retorno do crescimento econômico já no próximo ano, já que as perspectivas atuais de mercado apontam para a inflação dentro da meta e crescimento do PIB brasileiro em 2016.
(em var. % real)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.