Apesar do crescimento em relação a maio do ano passado, o Varejo gaúcho manteve-se estável na comparação com abril, atingindo faturamento próximo a R$ 7,1 bilhões no estado.
Os dados divulgados pelo IBGE apontam:
- + 4,9% no volume de vendas, em relação a maio/2012,;
- -0,1%, relativa estabilidade com em relação a abril/2013,
- em 2013 acumula crescimento de 3,82% em relação a 2012;
- em 12 meses crescimento acumulado de 6,31%.
Para o Varejo Ampliado, que inclui Veículos e Material de Construção, o desempenho foi menor, com crescimento de 3,63% em relação a maio/2012.
Por fim, o Varejo restrito no Brasil teve desempenho similar ao gaúcho, com crescimento de 4,48% em relação a maio/12, totalizando aproximadamente R$ 52 bilhões em receita nominal.(em var. % real mês sobre igual mês ano anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real sobre igual período ano anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA
Considerações da Assessoria Econômica
Apesar da relativa estabilidade na comparação com o mês passado, os dados mostram que maio teve desempenho melhor que em 2012.
O bom desempenho do Varejo gaúcho até esse momento está ligado mais a variáveis que são mais afetadas por questões nacionais que regionais:
- estabilidade do emprego: mercado de trabalho aquecido, especialmente nos Serviços;
- disponibilidade de crédito a pessoa física: ainda que em expansão moderada;
- e um fator local relevante: o melhor desempenho agrícola do estado.
Entretanto, houve mudança no comportamento de outros fatores:
- queda nas expectativas dos consumidores;
- capacidade de endividamento das famílias limitada pelo grande volume de empréstimos já realizado;
- estímulos a tomada de financiamentos imobiliários, o que pode adiar consumo de outros bens;
- aumento da taxa de juros;
- inflação acima de 6,5%, o que retira poder de compra das famílias.
Sendo assim, conforme a Nota Econômica nº 15 (15/05/2013) salientamos que é esperada uma moderação da taxa de crescimento do Varejo durante os próximos meses, com posterior aceleração no fim do ano.
Isso se verifica na desaceleração do ritmo de crescimento, conforme o gráfico abaixo.
Ou seja, o Varejo está em expansão, porém em ritmo mais moderado que no mesmo período de 2011 e 2012.
Por fim, é necessário dar especial atenção à inflação e ao câmbio mais elevado, pois:
- bens que podem ser importados tornam-se mais caros;
- as pessoas podem optar por reduzir o consumo de serviços, dando prioridade a bens de primeira necessidade, de forma gradual;
- caso a inflação se mantenha elevada por muito tempo isso pode afetar o desempenho do setor de Serviços e, com isso, desaquecer o mercado de trabalho, gerando impacto sobre renda e expectativas.
Notas sobre a pesquisa do IBGE
Lembramos que em função da mudança na metodologia na pesquisa as comparações entre 2012 e anos anteriores poderiam estar superestimadas, o que não deve ocorrer para as comparações com esse ano. Como exemplo, citamos o setor de Comércio de alimentos, bebidas e fumo, que incluem Hipermercados e supermercados. Conforme o IBGE esse segmento cresceu 14% em volume de vendas apenas no estado, em 2012. Entretanto, comparando com dados da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), o crescimento das vendas em 2012 foi de 6,6% – um desempenho bastante inferior ao divulgado pelo IBGE.
Ainda conforme o IBGE, o Volume de Vendas é o faturamento real, ou seja, já descontado os efeitos da inflação. A Receita Nominal mede o faturamento nominal, sem descontar os efeitos da inflação. A pesquisa do IBGE verifica apenas empresas cujas lojas tenham, no mínimo, 20 funcionários. Ainda que a empresa como um todo possua mais de 20 funcionários, uma loja só fará parte da pesquisa se tiver tal número de empregados naquela unidade.(em var. %acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.