Taxa de Juros novamente mantida em 11% ao ano - CDL POA

Taxa de Juros novamente mantida em 11% ao ano

Banco Central optou por não elevar a SELIC mais uma vez, e deve manter esse comportamento até o fim das eleições gerais.

Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central informou que decidiu de forma unânime não aumentar a taxa de juros, mantendo a SELIC para 11% a.a.

Essa decisão foi tomada após nove aumentos consecutivos da taxa de juros, que subiu 3,75 p.p. desde o final de abril do ano passado. Essa é, também, a segunda reunião desde abril em que o comitê optou por não elevar Taxa SELIC.

Em nota igual a da reunião passada, o Banco Central  informou que avaliou “a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação” e, com isso, “decidiu, por unanimidade, neste momento” pela elevação.

A estabilidade ocorreu em linha com as expectativas, tanto no mercado como um todo quanto das instituições que mais acertam suas previsões.

A próxima decisão sobre a taxa de juros ocorrerá em 3 de setembro.

Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil.
Elaboração: NI/CDL POA.

(SELIC em % a.a., IPCA em var. % acumulada em 12 meses)

Fonte: IBGE; FOCUS/Banco Central do Brasil.  Elaboração: NI/CDL POA

Considerações da Assessoria Econômica

A inflação fechou 2013 em 5,91%, mas voltou a acelerar no primeiro semestre, encerrando junho em 6,52% – acima da tolerância superior da meta, conforme gráfico acima.

Conforme alertamos na última nota sobre Taxa de Juros, a pressão sobre o Banco Central em função do calendário eleitoral pode fazer com que eventuais aumentos mais fortes ocorram apenas após as eleições.”

Não só isso, o comunicado emitido pelo Banco Central à época deixou clara a intenção da instituição de encerrar o ciclo, o que ocorreria de acordo com os indicadores econômicos a serem divulgados.

Assim, com o resultado da inflação de abril mais baixo que março e fevereiro (0,67% contra 0,92% e 0,69%), mesmo que acima de 2013, o Banco Central optou então pela manutenção dos juros.

Entretanto, de acordo com nossas últimas notas, a aceleração inflacionária continua pela expansão continuada dos gastos públicos, o que acaba por incentivar a demanda por bens e serviços em excesso na economia. Desde jul/2011 o superávit primário é constantemente menor, mesmo com as alterações contábeis do Governo para atingir a meta estipulada (gráfico abaixo, à direita).(em % ao ano)

Fonte: Banco Central do Brasil.  Elaboração: NI/CDL POA

(em R$ bilhões constantes (para dez/13, pelo IPCA), e var. %, respectivamente)

Fonte: STN; IBGE; Banco Central do Brasil.  Elaboração: NI/CDL POA

Como consequência, o cenário de taxa de juros próxima a 11% ao longo da maior parte de 2014 mantém-se como o mais provável.

É importante destacar que esse cenário mantém o risco para a inflação elevada em função dos impactos dos reajustes de energia, combustíveis e tarifas de transporte público – que não foram reajustados no ano passado.

Apesar dos aumentos na taxa de juros, o controle artificial de preços tentado pelo governo e a idéia de que seria possível reduzir os juros apenas pela vontade do Banco Central não produziram nem aceleração de crescimento, nem desaceleração da inflação. Os últimos indicadores de atividade econômica apontam para um cenário negativo no segundo trimestre (respectivamente, em abril e maio, a atividade econômica variou 0,05% e -0,18% sobre o mês anterior).

A inflação deve seguir pressionada em 2014, e mais uma vez acima de 4,5% – a meta do Banco Central. Além disso, pela primeira vez desde a adoção do Sistema de Meta de Inflação, a taxa de juros deve chegar ao final uma administração mais alta que no início do governo (gráfico acima).

Para que a taxa básica de juros brasileira se aproxime das taxas internacionais é necessário alterar os fundamentos econômicos que fazem com que seja mais elevada: expansão acelerada de gastos públicos em custeio da máquina pública, baixa de produtividade dos fatores (capital e trabalho) e redução do custo tributário para exercer uma atividade econômica – seja como funcionário ou como empreendedor.

Data

18 julho 2014

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