Banco Central optou por não elevar a SELIC novamente e parece ter encerrado o ciclo de aperto após nove elevações consecutivas.
Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central informou que decidiu de forma unânime não aumentar a taxa de juros, mantendo a SELIC para 11% a.a.
Essa decisão for tomada após nove aumentos consecutivo da taxa de juros, que subiu 3,75 p.p. desde o final de abril do ano passado.
Em uma curta nota, o Banco Central informou que avaliou “a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação” e, com isso, “decidiu, por unanimidade, neste momento” pela elevação.
A estabilidade ocorreu em linha com as expectativas, tanto no mercado como um todo quanto das instituições que mais acertam suas previsões.
A próxima decisão sobre a taxa de juros ocorrerá em 16 de julho.
Fonte: FOCUS/Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
(SELIC em % a.a., IPCA em var. % acumulada em 12 meses)
Fonte: FOCUS/Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
Considerações da Assessoria Econômica
Conforme o gráfico acima, a inflação fechou 2013 em 5,91%, mas voltou a acelerar em abril para 6,28%.
Se em janeiro desse ano o índice de inflação veio bastante abaixo de 2013 (0,55% contra 0,86%), nos três meses seguintes o indicador voltou a acelerar e crescer acima do que ocorreu no mesmo período em 2013.
Conforme alertamos na última nota sobre Taxa de Juros, “a pressão sobre o Banco Central em função do calendário eleitoral pode fazer com que eventuais aumentos mais fortes ocorram apenas após as eleições.”
Não só isso, o comunicado emitido pelo Banco Central à época deixou clara a intenção da instituição de encerrar o ciclo, o que ocorreria de acordo com os indicadores econômicos a serem divulgados.
Assim, com o resultado da inflação de abril mais baixo que março e fevereiro (0,67% contra 0,92% e 0,69%), mesmo que acima de 2013, o Banco Central optou então pela manutenção dos juros.
De acordo com nossas últimas notas, a aceleração inflacionária continua pela expansão continuada dos gastos públicos, o que acaba por incentivar a demanda por bens e serviços em excesso na economia. Desde jul/2011 o superávit primário é constantemente menor, mesmo com as alterações contábeis do Governo para atingir a meta estipulada (gráfico abaixo, à direita).(em % ao ano)
Fonte: Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.
(em R$ bilhões constantes – para dez/13, pelo IPCA – , e var. %, respectivamente)
Fontes: STN; IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.
Como consequência, o cenário de taxa de juros próxima a 11% ao longo da maior parte de 2014 mantém-se como o mais provável.
É importante destacar que esse cenário mantém o risco para a inflação elevada em função dos impactos de eventuais reajustes de energia, combustíveis e tarifas de transporte público – que não foram reajustados no ano passado.
Apesar dos aumentos na taxa de juros, o controle artificial de preços tentado pelo governo e a idéia de que seria possível reduzir os juros apenas pela vontade do Banco Central não produziram nem um nem outro. A inflação deve seguir pressionada em 2014, e mais uma vez acima de 4,5% – a meta do Banco Central. Além disso, pela primeira vez desde a adoção do Sistema de Meta de Inflação, a taxa de juros deve terminar maior do que no início de um governo (gráfico acima).
Para que a taxa básica de juros brasileira se aproxime das taxas internacionais é necessário alterar os fundamentos econômicos que fazem com que seja mais elevada: expansão acelerada de gastos públicos em custeio da máquina pública, e baixa de produtividade dos fatores (capital e trabalho).