Banco Central eleva a SELIC em ritmo menor, 0,25 p.p., e ciclo de aumentos pode ter chegado ao fim.
Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu de forma unânime aumentar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, elevando a SELIC para 10,75% a.a.
Esse é o oitavo aumento consecutivoda taxa de juros, que já subiu 3,5 p.p. desde o final de abril.
Em um curto comunicado oficial, o Banco Central não fez comentários adicionais acerca do aumento. A ata da reunião, a ser liberada na próxima semana, pode dar mais indicações se o atual ciclo de aumentos encerrou-se com esta decisão
O aumento ocorreu em linha com as expectativas, tanto no mercado como um todo quanto das instituições que mais acertam suas previsões.
A próxima decisão sobre a taxa de juros ocorrerá em 2 de abril.
Fonte: FOCUS/Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
(SELIC em % a.a., IPCA em var. % acumulada em 12 meses)
Fonte: FOCUS/Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
Considerações da Assessoria Econômica
Conforme o gráfico acima, a inflação fechou 2013 em 5,91% e recuou para 5,59% em janeiro. O resultado do índice de preços no primeiro mês do ano foi bastante aquém do esperado pelo mercado (0,55% contra 0,72%). Entretanto, o IPCA-15, que mede os preços com uma quinzena de antecedência, registrou um aumento em linha com fevereiro/13 (0,70% contra 0,68% ano passado).
A desaceleração da inflação em janeiro é um acontecimento esperado, já que o 1º semestre do ano em geral apresenta inflação mais baixa. Entretanto, o fato da queda ser acentuada não parece ser uma tendência, e sim apenas um acontecimento temporário.
Conforme nossas notas têm destacado, o grande problema está na expansão continuada dos gastos públicos para incentivar a demanda, ao invés de aplicar tais recursos em investimentos que permitiriam a ampliação da capacidade produtiva. Desde jul/2011 o superávit primário é constantemente menor, mesmo com as alterações contábeis do Governo para atingir a meta estipulada.
Nossa avaliação é que a SELIC deve ficar próxima a 11% ao longo de 2014.
Conforme alertamos na última nota sobre Taxa de Juros, a pressão sobre o Banco Central em função do calendário eleitoraldeve fazer com que os próximos aumentos ocorram apenas após as eleições.
Nesse sentido, nossa análise aponta que:
- o ciclo de aumentos deve ser interrompido agora, contanto que a inflação não registre aumentos expressivos em fevereiro e março;
- a SELIC deve permanecer relativamente estável ao longo da maior parte do ano, o que representa um incentivo ao consumo no curto prazo e, portanto, não deve atrapalhar o Varejo ao longo de 2014;
- esse cenário só se modificará se os efeitos do câmbio forem mais fortes que os ocorridos até o momento, o que obrigaria o Banco Central a retomar o aumento de juros mais cedo;
por fim, como o comportamento dos gastos públicos não é sustentável no longo prazo será necessário um ajuste nas contas do governo, penalizando o crescimento futuro, que provavelmente será adiado para 2015 em função do calendário eleitoral.