O COPOM optou por manter a taxa Selic em 14,25% novamente, como esperado pelo mercado. Fatores políticas podem ter influenciado novamente a decisão do comitê, o que prejudicaria a credibilidade da instituição.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) decidiu novamente manter a taxa de juros SELIC em 14,25% a.a, por seis votos a favor e dois votos pela elevação da taxa para 14,75%. Em comunicado oficial, o COPOM declarou que a decisão foi tomada “avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando as incertezas domésticas e, principalmente, externas”. A avaliação da Assessoria Econômica é que o COPOM optou por manter a decisão de reuniões anteriores e, assim como na última decisão, fatores políticos foram levados em conta na hora da decisão. A próxima decisão sobre a taxa de juros ocorrerá em 27 de abril de 2016.
(em % a.a.)
Fontes: FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(SELIC em % a.a., IPCA em var. % acumulada em 12 meses)
Fontes: IBGE; FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
Novamente o Copom optou por manter a taxa básica de juros (a Selic) em 14,25%, novamente sem unanimidade. A falta de consenso poderia indicar que há pressão dentro do Copom para que a meta da taxa Selic seja elevada. Contudo, o Copom não deve alterar a taxa Selic nas próximas reuniões, já que há interesses políticos contrários à elevação da taxa. Da última reunião do Copom até essa, houve aumento da expectativa do IPCA para o final de 2016, deixando-a mais de um ponto percentual acima do teto da meta. Embora a taxa de juros seja o principal instrumento de política monetária, não há sinalização nenhuma do Copom para aumento da taxa em resposta à deterioração das expectativas de inflação. Ainda que seja necessária uma melhora da situação fiscal do governo para que a expectativa de inflação volte para dentro da meta, uma política monetária mais forte nesse momento teria dado sinais de preocupação do Copom em perseguir a meta de inflação.
(em var. %)
Fontes: FOCUS/Banco Central do Brasil; IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
Segundo o relatório Focus (26/02/2016), o mercado espera que 2016 termine o ano com inflação de 7,57%, bem acima do teto da meta de 6,5%. A previsão de inflação alta para esse ano vinha pressionando a alta da taxa de juros nas últimas reuniões, mas o Copom optou por não alterar a taxa. As sinalizações dadas na reunião anterior deixam transparecer que decisões políticas podem afetar as decisões de política monetária, o que, por sua vez, prejudica a credibilidade da instituição. E, sem credibilidade, a política monetária não atinge seus objetivos de controle inflacionário.