O Indicador de Inadimplência da CDL Porto Alegre, calculado a partir da base Equifax | Boa Vista, mostra que a quantidade de gaúchos adultos com dívidas em atraso permaneceu elevada no encerramento de 2025, apesar de um leve respiro. Em dezembro, 35,84% dos adultos no Rio Grande do Sul apresentavam restrição ao crédito, enquanto em Porto Alegre o índice alcançou 36,47%. Na prática, isso significa 3,074 milhões de consumidores negativados no Estado e 392.058 na Capital, conforme estimativas próprias baseadas no Censo 2022. Trata-se da primeira queda desde junho de 2025 e apenas a segunda desde junho de 2024 no RS, de modo que os números seguem bastante próximos dos recordes observados nos meses anteriores. No RS, a redução foi de 0,12 ponto percentual frente a novembro; na Capital, de 0,25 ponto.
“O alívio é apenas pontual e, conforme os vetores presentes no cenário econômico, a perspectiva é de que não tenhamos a consolidação de uma tendência de baixa no curto prazo”, afirma o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank. Segundo ele, uma das hipóteses explicativas do movimento de queda envolve o pagamento do 13º salário. “A pesquisa de Natal da CDL POA mostrou que quase 10% dos beneficiários declararam usar o 13º para regularizar pendências financeiras”, complementa Frank.
De uma maneira geral, o quadro continua adverso para as famílias. A inflação anual segue acima da meta, e o comprometimento da renda com o serviço da dívida renovou as máximas no País, alcançando 29,43% em outubro de 2025. A taxa básica de juros, por sua vez, permanece elevada. “O início do ciclo de cortes na Taxa SELIC pode ser deslocado para março, diante da resiliência do mercado de trabalho e da cautela adotada nas comunicações do COPOM”, observa Frank.
O economista também destaca outros fatores que pressionam os orçamentos domésticos, como a expansão vertiginosa do “Crédito do Trabalhador” – modalidade de consignado na iniciativa privada – e o aumento dos gastos destinados às plataformas de apostas esportivas. “A facilidade de acesso aos empréstimos e a falta de planejamento na contratação dos recursos, aliada ao desvio de renda para as bets, acaba piorando o risco de crédito”, analisa.
Empresas seguem em deterioração
No segmento empreendedor, o panorama difere: a inadimplência das pessoas jurídicas renovou máximas históricas em dezembro. O percentual de CNPJs com restrições alcançou 17,22% no Rio Grande do Sul e 18,03% em Porto Alegre, marcando a sexta alta mensal consecutiva.
A queda na atividade econômica local após as sucessivas estiagens desde 2020 e os impactos prolongados das enchentes de 2024 seguem afetando o caixa das empresas. Estimativas a partir do Mapa das Empresas indicam 275,5 mil CNPJs negativados no RS e 46,7 mil em Porto Alegre.
Sobre o indicador
O Indicador de Inadimplência da CDL POA é elaborado pelo Núcleo Econômico da Entidade com o objetivo de medir mensalmente a inadimplência dos consumidores e das empresas do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre, utilizando a maior base de dados restritivos do Estado, fornecida pela Equifax | Boa Vista. O levantamento de pessoas físicas teve início em fevereiro de 2022 e avalia a proporção de adultos com restrição em crédito, cheque ou protesto. Para pessoas jurídicas, considera-se a parcela de empresas com restrição em crédito, cheque, protesto ou ação judicial.