No terceiro trimestre de 2014, o PIB brasileiro encolheu 0,25% com relação ao mesmo período do ano anterior, acumulando crescimento de apenas 0,14% em 2014.O PIB brasileiro terminou o ano de 2014 com variação positiva, mas próxima de zero. Os dados do PIB para o quarto trimestre de 2014 são os seguintes:
- frente a igual trimestre de 2013: -0,25%;
- frente ao 3º trimestre: +0,33%, com ajustes sazonais;
- no ano de 2014: desacelerou de +2,74% para +0,14%.
Pelo lado da Despesa, o estímulo mais negativo foi das Exportações, que recuaram 10,70% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Nessa mesma base de comparação, o único componente a crescer foi o consumo, que variou em 1,27%.
Pelo lado da produção, o maior estímulo positivo no PIB veio da Indústria Extrativa, que cresceu 9,74%, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Na indústria, as maiores quedas foram em Energia e Saneamento (-5,88%) e na Indústria de Transformação (-5,37%). Já nos Serviços, O Comércio recuou 2,87% enquanto Imobiliários cresceu 2,97%.
(em var. %)
Fontes: Contas Nacionais/IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % sobre mesmo trimestre do ano anterior)
Fontes: Contas Nacionais/IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
O resultado do PIB mostrou que a economia brasileira pode estar no início de um período de recessão. No acumulado em 2014, houve crescimento (+0,14%). Mas, na comparação do quarto trimestre de 2014 com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 0,25%. Em 2013, a taxa de crescimento do PIB brasileiro foi de 2,74%. Isto é, houve queda de 2,6 pontos percentuais de um ano para o outro.
Com isso, o primeiro mandato da presidente Dilma fechou com média de 2,13% de crescimento, abaixo da média do primeiro mandato do seu antecessor, que foi de 3,49%. O primeiro trimestre de 2014 foi o único trimestre do ano passado a apresentar crescimento com relação ao mesmo período do ano anterior (+2,71%), sendo que os três últimos trimestres tiveram taxa de -1,20%, -0,56% e -0,25%, compondo o período com o pior desempenho do PIB brasileiro dentro do governo da presidente Dilma.
O Banco Central do Brasil (BCB) calcula e divulga o Índice de Atividade Econômica do Brasil (IBC-Br), que serve como uma proxy mensal para o PIB. Isto é, o IBC-Br é uma variável com comportamento muito parecido com o PIB, com a diferença de que ele é divulgado com periodicidade mensal, enquanto o PIB é divulgado apenas trimestralmente.
Esse índice começou a apontar recessão da economia brasileira (em variação do acumulado em 12 meses), desde novembro de 2014 até o último dado divulgado (janeiro/15). Caso a evolução do PIB fosse exatamente igual à do IBC-Br, o Brasil já teria entrado em uma recessão. Embora a variação do índice não seja igual, o PIB pode seguir uma tendência parecida.
O último relatório Focus (20/03/2015), divulgado pelo BCB, aponta que o mercado espera que a variação do PIB fique em -0,83% em 2015 e 1,20% em 2016. Isso significa que os agentes do mercado têm a expectativa de recessão para esse ano, mas com recuperação da economia no ano que vem. Ainda assim, a previsão para o crescimento da economia em 2016, há um mês atrás, era de 1,50%, o que mostra que o mercado vem refazendo suas expectativas com relação à economia brasileira.