Nota Econômica: COPOM reduz a Taxa SELIC em 0,5 ponto percentual - CDL POA

Nota Econômica: COPOM reduz a Taxa SELIC em 0,5 ponto percentual

Observação: relatório escrito antes da decisão.

Análise dos vetores que afetam o IPCA:

Nível de atividade: evidências acusaram perda adicional de dinamismo em agosto no Brasil, com o recuo de -0,77% do Índice do Banco Central contra julho após o ajuste sazonal – resultado bem abaixo do consenso entre os especialistas (-0,3%). Por sua vez, termômetros relativos ao emprego em setembro, como a criação líquida de vagas formais (+212 mil) e a taxa de desocupação (declínio de 7,8% para 7,7% em setembro), continuaram demonstrando força.

Fiscal: além da quarta retração consecutiva em termos reais da arrecadação do governo federal em setembro no comparativo com igual período de 2022, tivemos a manifestação do Presidente Lula que colocou em xeque a busca pelo equilíbrio entre receitas e despesas no conceito primário em 2024, de acordo com o estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. Muito embora a mudança nas regras de tributação dos fundos exclusivos e offshore esteja avançando no Congresso, o tamanho do impacto (R$ 18 bilhões) constitui apenas uma fração do esforço necessário para o atingimento do objetivo (de R$ 150 bilhões, conforme nossa estimativa).

Panorama global: os rendimentos dos títulos da dívida americana mantiveram sua escalada desde a última reunião do COPOM, realizada há 40 dias, saindo da faixa 4,4% para 4,8% ao ano. Três razões colaboram para o movimento: (1) a perspectiva de que os juros sigam elevados por mais tempo do que o esperado anteriormente, fruto do mercado de trabalho aquecido e da resiliência do PIB; (2) dos desafios fiscais; (3) acirramento das disputas geopolíticas, incluindo a guerra entre Israel e Hamas e a consequente pressão sobre o barril de petróleo: +4,6% para o tipo Brent desde o ataque terrorista de 07 de outubro.

Taxa de câmbio: a cotação subiu de aproximadamente R$ 4,90 para cerca de R$ 5,00, influenciada pela alta das treasuries nos Estados Unidos, que incentivam a atração de capitais vindos de outros países.

Inflação: IPCA de setembro e a prévia (IPCA-15) de outubro apresentaram leituras positivas, sobretudo nos recortes tipicamente menos voláteis, como os serviços subjacentes (setor terciário sem passagens aéreas, hotéis e tarifas de internet) e os núcleos (exclusão de alimentos e energia). No entanto, as expectativas dos agentes consultados pelo Banco Central (Relatório FOCUS) para o indicador cheio em 2024 e 2025 (3,9% e 3,5%, respectivamente) ainda superam a meta de 3,0%.

Avaliação: cremos que a conjuntura atual não altera o plano de voo traçado pelo COPOM desde agosto. Portanto, aguardamos o corte da Taxa SELIC em 0,5 ponto percentual (de 12,75% ao ano para 12,25% ao ano). No curto prazo, acreditamos que o Comitê não acelerará o ritmo de queda nos próximos encontros, principalmente em função da deterioração do quadro externo e das incertezas com as contas públicas nacionais. Também não diminuirá o passo, em virtude do comportamento benigno recente do IPCA e da tendência de desempenho tímido da produção.

Todavia, vemos com maior probabilidade a Taxa SELIC se estabilizando em torno de 10% ao ano no encerramento de 2024 (e não 9,25% ao ano segundo a mediana do Relatório FOCUS), enquanto os fatores internacionais e domésticos responsáveis por gerar prêmios pelo risco aos investidores não forem encaminhados.

 

Data

01 novembro 2023

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