A proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 traz um debate importante e necessário. Melhorar a qualidade de vida do trabalhador é um objetivo legítimo. Todos ganham quando há mais equilíbrio, bem-estar e produtividade. E o caminho para isso exige responsabilidade.
O Brasil vive um momento econômico delicado. Empresas e trabalhadores enfrentam os efeitos de crises recentes, com margens apertadas, crédito caro e consumo pressionado. Mudanças profundas, feitas sem planejamento e sem medidas compensatórias, podem gerar o efeito oposto ao desejado.
Sem transição adequada, o risco é claro: menos empregos, mais custos e preços mais altos. O cenário atual não pode ser ignorado, com juros em torno de 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos; 29,2% da renda das famílias comprometida com dívidas; 36,5% de inadimplência entre pessoas físicas; 5,6 mil empresas em recuperação judicial, um recorde histórico.
Os números mostram uma realidade que exige cautela. Setores como comércio, alimentação e hotelaria, que funcionam todos os dias e dependem de escalas flexíveis, estão entre os mais impactados. Hoje, esses segmentos representam 3,4% do PIB, reúnem 1,5 milhão de negócios e geram 5 milhões de empregos diretos, sustentando cerca de 7 milhões de famílias no Brasil.
Alterações sem equilíbrio podem desencadear um efeito em cadeia, ocasionando redução de empregos, fechamento de empresas, aumento de preços e queda no poder de compra. Estudo da CDL POA indica que, no Rio Grande do Sul, o impacto pode chegar a uma retração de até 4,2% do PIB, cerca de R$ 30 bilhões. Menor arrecadação significa menos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Além disso, há pressão adicional sobre os orçamentos públicos, que podem ter que absorver novos custos para manter serviços essenciais. Tudo isso em um momento em que o Estado ainda se reconstrói. Este manifesto não é contra o avanço nas relações de trabalho. É contra decisões sem equilíbrio.
Defendemos que qualquer mudança venha acompanhada de diálogo real, base técnica ampla, tempo de adaptação e medidas de compensação. Porque desenvolver não é escolher entre trabalhador e empresa, é garantir que ambos avancem juntos.
Mais empregos. Mais renda. Mais equilíbrio!
Entidades signatárias:
Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA)
Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (SINDHA)
Sindicato dos Hotéis de Porto Alegre (SHPOA)
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – RS (Abrasel RS)
Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA)
Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas POA)