Inflação ultrapassa limite de tolerância da meta - CDL POA

Inflação ultrapassa limite de tolerância da meta

Apesar do recuo em relação a maio, resultado de junho foi suficiente para elevar os aumentos nos preços acumulados em 12 meses para 6,52%.

Os preços medidos pelo índice oficial de inflação do Brasil, IPCA, cresceram 0,40% em junho, na comparação com maio. Com o resultado, no acumulado em 12 meses a inflação subiu de 6,37% para 6,52%.

O resultado foi abaixo das expectativas do mercado, que apontavam variação de 0,43% para junho.

Em Porto Alegre a variação foi bastante abaixo da média nacional: 0,29% no mês, com acumulado em 12 meses acelerando para 7,2%.

Dentre os grupos de maior aumentoencontramos:

Brasil: Despesas Pessoais (+1,57%), Saúde e cuidados pessoais (+0,60%), e Habitação (+0,55%);

Porto Alegre: Despesas Pessoais (+2,06%), Vestuário (+1,28%), e Habitação (+0,63%).

Por fim, entre os de menor aumentoestão:

Brasil: Alimentação e bebidas (-0,11%), Comunicação (-0,02%), Educação (+0,02%);

Porto Alegre: Alimentação e bebidas (-0,45%), Transportes (-0,32%), e Educação (+-0,26%).(em var. %)

Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil.  Elaboração: NI/CDL POA.

(em pontos percentuais)

Fonte: IBGE.  Elaboração: NI/CDL POA

Considerações da Assessoria Econômica

A inflação desacelerou novamente em junho, contribuindo para um segundo trimestre mais ameno, após um início de ano de forte aceleração – quando comparado com o mesmo período de 2013.

Entretanto, essa desaceleração é apenas sazonal: ela não foi suficiente para impedir que o acumulado em 12 meses ultrapassasse a tolerância superior de 6,5% (está hoje em 6,52%), para uma já distante meta de 4,5%.

Na comparação com a série histórica, foi o maior aumento em maio desde 2008, quando o índice subiu 0,74%.(em var. %)

Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil; IBGE.  Elaboração: NI/CDL POA.

Os comportamentos de destaque no mês foram:

  • aceleração de tarifas ligadas aos Serviços de Turismo, em função da Copa do Mundo (+10,8% em Hotéis e +9,33% em Passagens Aéreas);
  • aceleração dos custos de habitação e saúde: Alguéis Residenciais (+3,4%) e Planos de Saúde (+2,33%) apenas em relação à maio.

Por fim, nossa análise aponta que;

  • apesar dos efeitos da taxa de juros sobre a inflação serem defasados, o núcleo da inflação não dá sinais de esfriamento, o que mantém o alerta sobre os preços para 2014;
  • esse comportamento é causado pela expansão dos gastos públicos, o que deverá se manter em função do calendário eleitoral;
  • o gráfico abaixo mostra a redução no Superávit Primário – um indicador similar a um “Resultado Operacional do Governo” -, e a conseqüente aceleração no Núcleo da Inflação;
  • não só isso, já é possível verificar os efeitos sobre os preços controlados de energia elétrica e transportes que foram represados no ano passado;
  • no horizonte, devem ocorrer também efeitos similares provocados pelas tarifas de combustíveis.

A projeção do mercado para o acumulado ao final de 2014 já se elevou consideravelmente desde o início do ano, e hoje está em 6,51% – acima do limite de tolerância sobre a meta de 4,5%. Para julho e agosto o mercado espera variação dos preços em 0,25% e 0,29%.(em R$ bilhões constantes e var. % – acumulados em 12 meses)

Fontes: Banco Central do Brasil; STN; IBGE.  Elaboração: NI/CDL POA.

Núcleo de médias aparadas suavizadas.

Data

08 julho 2014

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