Resultado do primeiro mês foi o maior desde 2003 para o mesmo mês. Forte elevação foi influenciada pela recomposição dos preços artificialmente controlados pelo governo no passado recente.
O índice oficial de inflação do Brasil, IPCA, cresceu 1,24% em janeiro frente ao mês anterior. Com um resultado maior em 0,46 ponto percentual (p.p.) que igual mês do ano anterior (+0,78%), o acumulado em 12 meses inicia o ano em 7,14%
O resultado foi acima expectativas do mercado, que apontavam para uma variação de +1,2%. Em Porto Alegre a variação foi abaixo da média nacional: +1,19% no mês, mas com acumulado em 12 meses elevando-se para 7,48%(var. % sobre mês anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % sobre mês anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA
Dentre os grupos de maior aumento encontramos:
- Brasil: Habitação (+2,42%); Transportes (+1,83%) e Despesas Pessoais (+1,68%);
- Porto Alegre: Habitação (+3,01%), Despesas Pessoais (+1,8%) e Alimentos e bebidas (+1,79%);
Por fim, entre os de menor aumento estão:
- Brasil: Vestuário (-0,69%); Artigos de residência (-0,28%), Comunicação (0,15%);
- Porto Alegre: Artigos de residência (-0,2%); Comunicação (-0,06%), Transportes (0,04%).
Considerações da Assessoria Econômica
O desempenho do índice de preços em janeiro segue acelerado, com um acumulado novamente voltando a ultrapassar a margem de tolerância de 6,5%, para uma meta de 4,5%.
Mesmo com o arrefecimento da atividade econômica, a velocidade de aumento nos preços ao consumidor segue acima da meta de 4,5% pelo 5º ano consecutivo. O último resultado próximo à meta ocorreu em 2009, com variação de 4,3%.(em var %)
Fontes: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
O resultado reflete basicamente a combinação de dois fatores: a pressão dos reajustes de preços controlados artificialmente pelo governo, contudo, manteve o índice ainda elevado.
No Brasil, as tarifas de energia elétrica apresentaram elevação de +8,27% (contribuindo com 0,24% para o índice), enquanto as tarifas de ônibus subiram +8,02% (contribuindo com 0,19% para o índice). Em Porto Alegre o aumento na tarifa da energia foi de +11,66% (0,34%) e
O desempenho da inflação em 2015 segue como reflexo da baixa capacidade de expansão da economia brasileira, conjugada com as pressões excedentes na demanda provocadas pelo governo.
Em 2015 nossas perspectivas são que o aumento de preços ao consumidor deve manter-se muito próximo ao limite superior de tolerância da meta, em 6,5% – não sendo possível descartar, inclusive, que tal aumento supere esse limite.
A atividade econômica mais fraca contribui para reduzir a pressão nos preços quando há baixa maturação de investimentos passados. Contudo, a recomposição dos preços artificialmente controlados pelo governo deve continuar ao longo de 2015 – conforme as sinalizações do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Nesse cenário é improvável que a Petrobrás repasse a queda no preço internacional do petróleo aos preços internos, em função das dificuldades financeiras que enfrenta pelos esquemas de corrupção identificados dentro da estatal pela Polícia Federal.
Ademais, a prolongação da estiagem na região Sudeste dificulda a geração de energia hidroelétrica – a maior fonte energética no Brasil. Logo, com a necessidade de manter as usinas termoelétricas em funcionamento na rede – mais caras e poluentes – é provável maiores aumentos nas tarifas energéticas.
Por fim, para fevereiro/2015 e março/2015, o mercado espera variação dos preços em 1,01% e 0,59%.