Resultado do ano ficou dentro da margem de tolerância para a meta de 4,5%. Entretanto, esse é o 5º ano consecutivo em que a velocidade de aumento dos preços fica acima da meta.
O índice oficial de inflação do Brasil, IPCA, cresceu 0,78% em dezembro frente ao mês anterior. Com um resultado menor em 0,14 ponto percentual (p.p.) que igual mês do ano anterior (+0,92%), o acumulado em 12 meses fechou em 6,41% – 0,50 p.p. acima de 2013.
O resultado foi acima expectativas do mercado, que apontavam para uma variação de +0,76. Em Porto Alegre a variação foi acima da média nacional: +0,8% no mês, mas com acumulado em 12 meses encerrando em 6,78%.(var. % sobre mês anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % sobre mês anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA
Dentre os grupos de maior aumento encontramos:
- Brasil: Transportes (+1,38%); Alimentos e bebidas (+1,08%) e Vestuário (+0,85%);
- Porto Alegre: Habitação (+2,19%), Vestuário (+0,93%) e Transportes (+0,85%);
Por fim, entre os de menor aumento estão:
- Brasil: Artigos de residência (0%); Comunicação (0%), Educação (0,07%);
- Porto Alegre: Educação (-0,13%); Comunicação (+0,05%), Artigos de residência (+0,27%).
Considerações da Assessoria Econômica
O desempenho do índice de preços em dezembro, com um acumulado encerrando 2014 em 6,41%, confirmou o cenário que se desenhou ao longo do ano.
Mesmo com o arrefecimento da atividade econômica, a velocidade de aumento nos preços ao consumidor ficou acima da meta de 4,5% pelo 5º ano consecutivo. O último resultado próximo à meta ocorreu em 2009, com variação de 4,3%.(em var %)
Fontes: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
O resultado reflete a combinação de dois fatores:
- atividade econômica mais fraca observada no PIB dos últimos trimestres contribuiu para um aumento menor que dezembro de 2013 (+0,78% contra +0,92%);
- a pressão dos reajustes de preços controlados artificialmente pelo governo, contudo, manteve o índice ainda elevado.
Em Porto Alegre, os destaques foram exatamente a recomposição dos preços artificialmente controlados pelo governo: +7,28% nas tarifas de energia elétrica, e +1,37% na gasolina.
O desempenho da inflação em 2014, conforme extensamente relatado em nossas Notas Econômicas, refletiu a baixa capacidade de expansão da economia brasileira, conjugada com as pressões excedentes na demanda provocadas pelo governo.
Em 2015 nossas perspectivas são que o aumento de preços ao consumidor deve manter-se muito próximo ao limite superior de tolerância da meta, em 6,5% – não sendo possível descartar, inclusive, que tal aumento supere esse limite.
A atividade econômica mais fraca contribui para reduzir a pressão nos preços quando há baixa maturação de investimentos passados. Contudo, a recomposição dos preços artificialmente controlados pelo governo deve continuar ao longo de 2015 – conforme as sinalizações do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Nesse cenário é improvável que a Petrobrás repasse a queda no preço internacional do petróleo aos preços internos, em função das dificuldades financeiras que enfrenta pelos esquemas de corrupção identificados dentro da estatal pela Polícia Federal.
Ademais, a prolongação da estiagem na região Sudeste dificulda a geração de energia hidroelétrica – a maior fonte energética no Brasil. Logo, com a necessidade de manter as usinas termoelétricas em funcionamento na rede – mais caras e poluentes – é provável maiores aumentos nas tarifas energéticas.
Por fim, para janeiro/2015 e fevereiro/2015, o mercado espera variação dos preços em 1,2% e 1,01%.