Inflação de maio mais alta que em 2013 - CDL POA

Inflação de maio mais alta que em 2013

Apesar do recuo em relação a abril, aumento dos preços de maio foi de 0,46% – acima da variação de 0,37% no mesmo período de 2013.

Os preços medidos pelo índice oficial de inflação do Brasil, IPCA, cresceram 0,46% em maio, na comparação com abril. Com o resultado, no acumulado em 12 meses a inflação subiu de 6,28% para 6,37%.

O resultado foi em linha com as expectativas do mercado, que apontavam variação de 0,45% em maio.

Em Porto Alegre a variação foi bastante acima à média nacional: 0,75% no mês, com acumulado em 12 meses acelerando para 7,1%.

Dentre os grupos de maior aumento encontramos:

Brasil: Artigos de residência (+1,03%), Saúde e cuidados especiais (+0,98%), e Vestuário (+0,84%);

Porto Alegre: Habitação (+1,65%), Vestuário (+1,28%), e Artigos de residência (+0,92%).

Já entre os de menor aumento estão:

Brasil: Transportes (-0,45%), Comunicação (+0,11%), Educação (+0,13%);

Porto Alegre: Educação (+0.04%), Comunicação (+0,1%), e Despesas Pessoais (+0,27%);

(em var. %)

Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

(var. % acumulada em 12 meses)

Fonte: IBGE.  Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

Considerações da Assessoria Econômica

A inflação desacelerou em maio novamente, após um primeiro trimestre de aceleração bem forte – especialmente quando comparado com o mesmo período de 2013. Chama atenção, entretanto, a magnitude dos aumentos já no início do ano: 0,69% em fevereiro, 0,92% em março, 0,67% em abril, e agora 0,46% em maio.

Na comparação com a série histórica, foi o maior aumento em maio desde 2011, quando o índice subiu 0,47%.(em var. %)

Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil; IBGE. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

Os comportamentos de destaque no mês foram:

  • aceleração de tarifas de energia elétrica em algumas capitais, entre elas Porto Alegre (+13,24% contra +9,77% na média do Brasil),
  • aceleração de refeições fora do domicílio, refletindo as restrições de produção nos Serviços pelo gargalo no mercado de trabalho;
  • aceleração dos custos de habitação, tanto alguéis residenciais como empregados domésticos – este último reflexo da regulamentação aprovada em 2013, o que implicou em aumento de custo para as famílias.

Por fim, nossa análise aponta que;

  • apesar dos efeitos da taxa de juros sobre a inflação serem defasados, o núcleo da inflação não dá sinais de esfriamento, o que mantém o alerta sobre os preços para 2014;
  • esse comportamento é causado pela ininterrupta expansão dos gastos públicos, o que continuará a ocorrer em função do calendário eleitoral;
  • o gráfico abaixo mostra a redução no Superávit Primário – um indicador similar a um “Resultado Operacional do Governo” -, e a conseqüente aceleração no Núcleo da Inflação;
  • não só isso, já é possível sentir os efeitos sobre os preços controlados de energia elétrica que foram represados no ano passado;
  • no horizonte, devem ocorrer também efeitos similares devido às tarifas de transportes públicos e combustíveis;

A projeção do mercado para o acumulado ao final de 2014 já se elevou consideravelmente desde o início do ano, e hoje está em 6,50% – o limite da margem de tolerância sobre a meta de 4,5%. Para junho e julho o mercado espera variação dos preços em 0,34% e 0,29%. Entretanto, por compreender o período de realização da Copa do Mundo, essas podem ser consideradas projeções otimistas.(em R$ bilhões constantes e var. % – acumulados em 12 meses)

Fonte: Banco Central do Brasil; STN; IBGE. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.

Data

09 junho 2014

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