Resultado ficou novamente acima do esperado pelo mercado, com o pior março desde 2003 – e pode antecipar novo aumento na Taxa de Juros pelo Banco Central.
Os preços medidos pelo índice oficial de inflação do Brasil, IPCA, cresceram 0,92% em março, na comparação com fevereiro. Com o resultado, no acumulado em 12 meses a inflação subiu de 5,68% para 6,15%.
O resultado foi acima das expectativas do mercado, que apontavam variação de 0,84% para o mês passado.
Em Porto Alegre a variação foi bastante próxima à média nacional: 0,93% no mês, com acumulado em 12 meses acelerando para 6,03%.
Dentre os grupos de maior aumentoencontramos:
Brasil: Alimentação e bebidas (+1,92%), Transportes (+1,38%), e Despesas Pessoais (+0,79%);
Porto Alegre: Alimentação e bebidas (+3,24%), Artigos de residência (+0,62%), e Saúde e cuidados pessoais (+0,56%).
Já entre os de menor aumento estão:
Brasil: Comunicação (-1,26%), Vestuário (+0,31%), Artigos de residência (+0,33%);
Porto Alegre: Comunicação (-2,11%), Habitação (-0,07%), Vestuário (-0,04%);(em var. %)
Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL POA.
(em var. %)
Fonte: IBGE. Elaboração: NI/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
A inflação voltou a acelerar em março, após o período de desaceleração sazonal que tradicionalmente ocorre no 2º semestre de cada ano. Chama atenção, entretanto, a magnitude dos aumentos já no início do ano: 0,69% em fevereiro e 0,92% em março.
Na comparação com a série histórica, foi o maior aumento em março desde 2003, quando o índice subiu 1,23%.(em var. %)
Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL POA.
Os comportamentos de destaque no mês foram:
- aceleração em preços de alimentos, refletindo os efeitos negativos da estiagem na região de São Paulo, afetando principalmente itens como tomate e batata-inglesa.
- aumento nos preços de passagens aéreas, em função de um Carnaval mais tardio e um efeito estatístico pela queda acentuada ocorrida em fevereiro (mais de 20%).
- Por fim, nossa análise aponta que;
- apesar dos efeitos da taxa de juros sobre a inflação serem defasados, o núcleo da inflação não dá sinais de arrefecimento, o que mantém o alerta sobre os preços para 2014;
- esse comportamento é causado pela ininterrupta expansão dos gastos públicos, o que continuará a ocorrer em função do calendário eleitoral;
- o gráfico abaixo mostra a redução no Superávit Primário – um indicador similar a um “Resultado Operacional do Governo” -, e a conseqüente aceleração no Núcleo da Inflação;
- não só isso, há também os efeitos sobre os preços controlados de transportes públicos e energia elétrica que foram represados no ano passado e, portanto, podem ajudar a pressionar ainda mais a inflação este ano;
- quanto aos preços de energia elétrica, o recente empréstimo anunciado ao órgão responsável pela administração da distribuição energética é mais uma tentativa de manter os preços baixos;
- entretanto, isso se reverterá em uma ampliação de gastos com amortizações e encargos dessa dívida, o que significa ainda maior expansão fiscal e pressão sobre a inflação a partir de 2015.
Com isso, a projeção do mercado para o acumulado ao final de 2014 já se elevou consideravelmente, estando hoje em 6,5% – o limite da margem de tolerância sobre a meta de 4,5%. Para abril e maio o mercado espera variação dos preços em 0,61% e 0,45%, respectivamente.
(em R$ bilhões constantes e var. % – acumulados em 12 meses)
Fonte: Relatório FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL POA.