Inadimplência volta a crescer entre consumidores e empresas no RS em fevereiro de 2026 - CDL POA

Inadimplência volta a crescer entre consumidores e empresas no RS em fevereiro de 2026

O Indicador de Inadimplência da CDL Porto Alegre registrou novo avanço entre as pessoas físicas em fevereiro de 2026, levando novamente as séries a máximas históricas tanto no Rio Grande do Sul quanto em Porto Alegre. Entre as pessoas jurídicas (PJ), o Estado voltou a registrar alta e renovou o recorde da série, enquanto a Capital apresentou novo recuo, ainda que permaneça em patamar elevado.

No caso das pessoas físicas, 36,55% dos adultos gaúchos estavam com restrição em crédito, cheque ou protesto em fevereiro. Em Porto Alegre, o índice foi ainda maior, atingindo 37,30%. Na comparação com janeiro, houve alta de 0,47 ponto percentual no RS e de 0,21 ponto na Capital, renovando os recordes históricos das duas séries.

Em termos absolutos, conforme estimativas próprias da Assessoria Econômica da CDL POA fundamentadas no Censo 2022 do IBGE, são atualmente 3,093 milhões de CPFs negativados no RS e 398.703 em Porto Alegre, considerando a base da Equifax | Boa Vista.

Já entre as pessoas jurídicas, o indicador do RS subiu pela oitava vez consecutiva, passando de 17,41% para 17,43% (+0,02 ponto percentual), estabelecendo nova máxima histórica. Em Porto Alegre, houve recuo de 0,20 ponto percentual, de 17,85% para 17,64%, afastando-se do pico de 18,03% registrado em dezembro de 2025, mas ainda em nível elevado. As estimativas indicam 279.700 CNPJs negativados no RS e 45.950 na Capital.

Segundo o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, o cenário macroeconômico segue desafiador e contribui para a deterioração dos indicadores: “Um dos aspectos mais preocupantes do momento é a coexistência de inadimplência recorde com desemprego em níveis historicamente baixos. Mesmo com o mercado de trabalho aquecido, os juros elevados seguem pressionando o orçamento das famílias e o fluxo de caixa das empresas, limitando a capacidade de ajuste financeiro”, afirma.

De acordo com a análise da Assessoria Econômica, ainda que haja expectativa de início do ciclo de queda da Taxa Selic ao longo de 2026, os efeitos positivos sobre o crédito e sobre a inadimplência tendem a ocorrer com defasagem. Estimativas indicam que uma redução nos juros pode levar cerca de quatro meses para se refletir nas taxas de empréstimo e até de nove a 12 meses para impactar de forma mais clara os indicadores de inadimplência.

Entre os fatores que podem evitar deterioração ainda maior, a Assessoria Econômica aponta dois vetores principais: as novas regras do Imposto de Renda Pessoa Física, que ampliam a faixa de isenção e reduzem a carga tributária para parte dos contribuintes, e a continuidade do aquecimento do mercado de trabalho, que tende a sustentar a renda das famílias.

Empresas acima da média nacional

No caso das empresas, o economista ressalta que o ambiente também segue complexo: “O Rio Grande do Sul apresenta atualmente a maior taxa de inadimplência empresarial entre os estados brasileiros e bem acima da média nacional (17,43% contra 12,26% de média nacional). Mesmo com algum alívio recente no custo de insumos, refletido na deflação do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo, calculado pela FGV), setores intensivos em mão de obra continuam enfrentando pressão de custos com trabalho, em um contexto de mercado de trabalho aquecido”, destaca.

Frank também observa que fatores estruturais ajudam a explicar o comportamento dos indicadores no Estado. “Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul apresentou crescimento econômico inferior ao do País, além de desafios estruturais como desequilíbrios fiscais, demografia desfavorável, eventos climáticos extremos e gargalos logísticos. Esses elementos acabam ampliando a sensibilidade da economia local a períodos de juros elevados”, acrescenta.

Sobre o indicador

O Indicador de Inadimplência da CDL POA é elaborado pelo Núcleo Econômico da Entidade com o objetivo de medir mensalmente a inadimplência dos consumidores e das empresas do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre, utilizando a maior base de dados restritivos do Estado, fornecida pela Equifax | Boa Vista. O levantamento de pessoas físicas teve início em fevereiro de 2022 e avalia a proporção de adultos com restrição em crédito, cheque ou protesto. Para pessoas jurídicas, considera-se a parcela de empresas com restrição em crédito, cheque, protesto ou ação judicial.

Data

16 março 2026

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