Resultado de novembro é a segunda queda consecutiva do último trimestre. Com o desempenho lento do restante do ano o Varejo Ampliado deve encerrar o ano com crescimento menor que 2013
De acordo com o IBGE, o Varejo Ampliado gaúcho apresentou queda real novamente em novembro. Para o Varejo Ampliado estimou-se faturamento próximo a R$ 10,8 bilhões na região. Já no Varejo Restrito os valores seriam próximos a R$ 9 bilhões.
Para o Varejo Ampliado os dados apontam as seguintes variações (já descontada a inflação):
- contra novembro/13: queda de 2%;
- acumulada em 2014: desaceleração de +1% para +0,8%;
- acumulada em 12 meses: desaceleração de +2,4% para +1,4%.
(var. % real – mês s/ mês ano anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA
No Varejo Restrito, que exclui Veículos e Material de Construção, as variações foram:
- contra novembro/13: aumento de 0,9%;
- contra outubro/14: aumento 1,54% (descontados os efeitos sazonais);
- acumulada em 2014: desaceleração de +3% para +2,8%;
- acumulada em 12 meses: desaceleração de +3,4% para +3%.
O Varejo Ampliado no Brasil teve desempenho pior que o gaúcho, com queda de 2,7% frente à novembro/13, mas aumento de 1,17% frente à outubro/14 (sem efeitos sazonais). No acumulado, o Varejo Ampliado brasileiro reduziu seu ritmo de crescimento de -0,5% para -1,2% nos últimos 12 meses.
Por fim, para o Varejo Restrito no Brasil, os resultados mensais foram +1% (contra novembro/13) e +0,94% (contra outubro/14). O acumulado em 12 meses reduziu seu ritmo novamente: de +3,1% para +2,6%.
Considerações da Assessoria Econômica
O ano de 2014 foi marcado por um desempenho errático no Varejo, em termos mensais, após crescer em bases fortes ininterruptamente em termos anuais desde 2010.
O bimestre setembro-outubro é um exemplo desse movimento de 2014. Em outubro houve queda frente a 2013 (-2% no Ampliado), devolvendo o crescimento ocorrido em setembro frente a mesma base (+1,6% no Ampliado). Esse resultado é característico de um segmento que encontra dificuldades para manter sua trajetória de crescimento do passado recente.(em var. % real)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
Conforme afirmamos em nossas últimas notas, a moderação no consumo das famílias é resultado da deterioração da economia brasileira e gaúcha como um todo. Em cenário com inflação elevada, taxas de juros altas, baixa confiança do consumidor e mercado de trabalho em processo de desaceleração, é improvável que o consumidor encontre espaço em seu orçamento para aumentar seu consumo no mesmo ritmo dos anos anteriores.
A baixa capacidade de expansão da economia brasileira é resultado da redução do volume de investimentos nos últimos anos. Os últimos dados mostram que a conta de Investimentos representou 17,85% do PIB do 3º trimestre de 2014, sendo que há quatro anos a taxa 22,25%.
Desta forma, os últimos resultados de conjuntura econômica indicam que a desaceleração do Varejo – já verificada desde fins de 2013 – se acelerou no segundo semestre de 2014. Portanto, acreditamos ser prudente não descartar a possibilidade que o desempenho do Varejo Restrito (pela medição do IBGE) encerre 2014 entre os nossos cenários base (+3,92%) e pessimista (+1,95%) projetados no início de 2014 – já descontados os efeitos da inflação.