O poder de compra da população gaúcha como proporção da cesta básica continua aquém dos níveis registrados antes da eclosão da COVID-19. Levantamento da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre, com base em dados do DIEESE, Assembleia Legislativa do RS e IBGE/PNAD, mostra que, independentemente da métrica utilizada (Piso Regional ou rendimento médio derivado do trabalho), a capacidade aquisitiva dos moradores do Rio Grande do Sul em termos de cestas básicas é menor do que no período pré-pandemia, antes de 2020.
Em junho de 2025, o Piso Regional do RS (faixa 1) possibilitou a compra de 2,15 cestas básicas, abaixo da média de 2,47 cestas verificada entre 2010 e 2019. “Os números ajudam a explicar a sensação de insatisfação com o grau de consumo das famílias, em um contexto marcado pelo aquecimento do emprego, com taxas de desocupação nas mínimas históricas”, avalia o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank.
O mesmo comportamento é observado com base nos rendimentos médios derivados do trabalho:
Rio Grande do Sul: 4,58 cestas básicas no segundo trimestre de 2025, ante a média de 5,34 no período 2012–2019.
Porto Alegre: 6,75 cestas conforme o dado mais recente, contra 8,48 no pré-pandemia.
Contexto da inflação de alimentos
O encarecimento dos alimentos é determinante neste cenário. No acumulado dos últimos 12 meses até julho de 2025, o grupo “Alimentos e Bebidas” do IPCA variou +7,44% no Brasil, acima da inflação geral (+5,23%) e superando as demais categorias investigadas pelo IBGE. Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RM de POA), a variação foi de +5,80%, também superior ao índice cheio da região (+4,90%). Todavia, considerando o acumulado desde fevereiro de 2020 em nível local, o IPCA cheio subiu 34,3%, enquanto a “Alimentação no Domicílio” disparou 52,0%.
“A pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia provocaram choques expressivos nos preços das commodities. Além disso, o Rio Grande do Sul sofreu diversas estiagens ao longo dos últimos anos, o que agravou a perda do poder de compra das famílias”, explica Frank.
Perspectivas
As projeções do Relatório FOCUS do Banco Central indicam que a inflação de alimentos no domicílio seguirá acima da média geral. Para os próximos anos, a expectativa é de melhora gradual no poder aquisitivo, apoiada no aquecimento do mercado de trabalho. “Embora se espere uma recuperação até 2026, a tendência é de que o poder de compra continue abaixo do nível observado antes da pandemia.”, completa o economista.