Indicador de Atividade Econômica do Banco Central para o Estado confirma o retorno do ritmo de crescimento da economia gaúcha para sua média dos últimos dez anos.
Conforme os dados divulgados pelo Banco Central, o Indicador de Atividade Econômica do Rio Grande do Sul (IBCR-RS) – aproximação para o PIB da região – caiu 0,04% no em maio, na série livre de efeitos sazonais. Os dados mostram ainda:
- crescimento de 0,06% na comparação com maio/2013;
- crescimento de 1,89% no acumulado em 12 meses;
- queda de 0,79% no acumulado de janeiro-maio/2014.
Considerando os resultados desagregados para os principais setores, as pesquisas por atividade apontaram:
- queda real de 7,8% na produção física Indústria de Transformação, na comparação com maio/13;
- crescimento nominal de 3,1% nos Serviços (exceto Comércio, Financeiros e Públicos), também sobre maio/13; contudo, considerando a inflação do período pelo IPCA (8,7%), estima-se uma queda real próxima a 5%;
(em var. %)
Fonte: Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL POA.
(em var. % acumulada em 12 meses)
Fonte: Banco Central do Brasil; IBGE. Varejo (IBGE) refere-se ao Varejo Restrito.
Elaboração: NI/CDL POA
- para o Varejo Restrito, conforme a Nota Econômica nº 77 (16/07/2014), houve crescimento real de 5,7% sobre maio/13, com o acumulado em 12 meses fechando em 4,2%.
- considerando a previsão de colheita para a Agropecuária, espera-se crescimento na produção de grãos e cereais em 1,56% para a Safra de 2014.
Por fim, o IBC-BR, indicador de atividade para a economia brasileira, também apresentou queda em maio: -0,17% contra maio/13, e -0,18% contra abril/14, na série livre de efeitos sazonais. No acumulado em 12 meses, o indicador desacelerou para 1,93% – abaixo do resultado de 2,2% em abril.
Considerações da Assessoria Econômica
Apesar do resultado positivo no 1º trimestre, o crescimento da atividade econômica no Rio Grande do Sul apresentou desempenho negativo no bimestre abril-maio.
Ao contrário do 1º trimestre, a comparação com igual período do ano passado agora não é superestimada pois a contabilização da Safra Agrícola ocorre a partir de abril. Logo, o crescimento da Agropecuária em 2014 agora ocorre sobre uma base forte – já que o desempenho de 2013 não sofreu com a estiagem, como ocorreu em 2012.
Logo, o acumulado em 12 meses do indicador para o Rio Grande do Sul mostra um retorno do crescimento do estado a um desempenho medíocre, próximo àquele que marcou seus últimos 10 anos. Entre 2004 e 2013 o PIB gaúcho cresceu a uma média de 3,1% ao ano, em termos reais. Hoje, o acumulado em 12 meses para o indicador de atividade encontra-se perto de 1,9%.
A opção por expansão de gastos públicos pelo governo, com aumento nas despesas pessoal e custeio não direcionadas a aumento de produtividade no setor público não gerou mais crescimento econômico. Observando o PIB, na média anual o crescimento entre 2011-2013 não foi capaz de superar a média anual do governo anterior: 3,3% contra 3,9%.
A grande preocupação para o crescimento da economia gaúcha reside em dois fatores: produtividade e baixa taxa de investimento.
O primeiro ponto é um problema comum à economia brasileira, derivado basicamente da dificuldade em modernização pelas restrições à importação de equipamentos mais modernos, bem como pela baixa qualificação da mão-de-obra.
O segundo gargalo é mais drástico no Rio Grande do Sul pela deterioração acelerada das Finanças Públicas do estado, cuja projeção de déficit para esse ano é de quase R$ 3 bilhões (cerca de 7,4% da receita administrada pelo estado). Desta forma, os investimentos em infraestrutura acabam penalizados.(em var. % sobre ano anterior)
Fonte: FEE. Elaboração: NI/CDL POA.
OBS: Médias geométricas.
Nesse cenário, mantemos nossa projeção de crescimento de 2,14% para o PIB do Rio Grande do Sul em 2014. Conforme nossas últimas notas, o desempenho da Agropecuária deve seguir normalizando-se ao longo ano, já que os dados confirmam nossa expectativa de que 2014 será um ano de retorno à média.