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Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Projeções para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)
Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório FOCUS (19/04/2024) *Mediana. | Elaboração: AE/CDL POA.

No que se refere ao panorama internacional, diversas autoridades do Federal Reserve (Banco Central dos EUA) afirmaram que os juros americanos podem se manter elevados por mais tempo do que o imaginado, pois as estatísticas de inflação em 2024 não aumentaram a confiança necessária em torno da convergência para o alvo de 2,0%. Ainda no front externo, o conflito no Oriente Médio contribui para pressionar o barril de petróleo, dado que o Irã é um dos principais polos ofertantes da commodity em escala mundial.

Por sua vez, o Ministério da Fazenda anunciou a revisão das metas para o resultado primário (diferença entre receitas e despesas excetuando o pagamento de juros da dívida) em 2025 (de +0,5% do PIB para 0% do PIB) e 2026 (de +1,00% do PIB para +0,25%). Convém lembrar que os antigos objetivos já não eram suficientes para impedir a trajetória de ampliação do endividamento como proporção do total de bens e serviços produzidos. Logo, a União tolerará patamares maiores dessa métrica tão relevante para avaliar a saúde das contas públicas. Além disso, a flexibilização ocorre depois de poucos meses da criação do arcabouço, ou seja, fragiliza a regra, que fica sujeita a novas mudanças do tipo no futuro. Entendemos que a piora do quadro doméstico também diz respeito: (1) à expansão do limite de gastos da ordem de R$ 15,7 bilhões pelo Congresso em virtude da arrecadação acima da esperada no primeiro bimestre; (2) às discussões envolvendo a distribuição de dividendos da Petrobras; (3) às rusgas entre o Executivo, a Câmara e o Senado. O conjunto da obra depreciou consideravelmente a taxa de câmbio (apesar de certa acomodação recente) e ajuda a explicar a modificação da cotação aguardada para o fim de dezembro (de R$ 4,97 para R$ 5,00).

Consequentemente, o Presidente do BC do Brasil, Roberto Campos Neto, reconheceu a possibilidade de diminuir o ritmo de corte da Taxa SELIC para 0,25 ponto percentual no próximo encontro do COPOM, a ser realizado nos dias 07 e 08 de maio, o que diverge do compromisso contratado em março, de -0,50 ponto percentual. No evento do FMI em Washington, Campos Neto declarou que a incerteza cresceu e destacou a preocupação do mercado sobre a questão fiscal, salientando que a majoração dos prêmios exigidos para compensar o risco dificulta e onera o trabalho do Comitê.

De acordo com o modelo que extrai a probabilidade das apostas dos investidores da B3, o cenário de redução de 0,5 ponto percentual na reunião de maio passou de 79% no último dia 15 para 32,75% ontem (22), enquanto as chances abrangendo a retração de 0,25 ponto percentual (de 15% para 52%) e a manutenção do atual nível (de 5% para 13%) subiram. A visão da Assessoria Econômica segue inalterada, de modo que nossa previsão para a Taxa SELIC ao final de 2024 é de 9,75%. O consenso entre analistas agora é de 9,50% ao ano, ante 9,13% da semana anterior.

Análise das vendas do varejo no primeiro bimestre de 2024

Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) / Variável: faturamento corrigido pelo IPCA / Fonte: IBGE.

Confronto: variação em relação ao período imediatamente anterior, após o ajuste sazonal

Brasil:

→ Conceito restrito: +2,8% em janeiro e +1,0% em fevereiro;

• Ambos os números superaram o consenso entre os especialistas sondados pelo Valor Data: +0,1% e -1,6%, respectivamente;

Avaliação: Cumpre notar que a base de comparação deprimida de dezembro (-1,5%) favoreceu a majoração. Esse padrão tem se repetido ao longo dos últimos anos também para o RS. Nossa hipótese é de que o adiantamento do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS desde a eclosão da pandemia, em 2020, é uma das prováveis causas. Logo, a distribuição dos recursos nas folhas de abril e maio reduz a propensão dos beneficiários com gastos típicos do Natal e réveillon, incluindo presentes.

Em fevereiro, dois recortes exerceram a maior influência para o avanço: farmacêuticos (+9,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (+4,8%). No tocante ao primeiro, o incremento (2º em tamanho de toda a série histórica) pode ter conexão com a epidemia de dengue no território nacional. Já no que se refere ao segundo, é necessário ressaltar os desdobramentos da crise contábil das Americanas, responsável por diminuir de forma significativa a atividade do nicho em 2023 através do fechamento de estabelecimentos e da deterioração da confiança. A retomada do subsetor, portanto, é puxada sobretudo pelas lojas de departamento.

Volume de vendas do comércio varejista* por categoria – Brasil e Rio Grande do Sul
(Em variações percentuais)
Fonte: IBGE. *Faturamento deflacionado. | Elaboração: AE/CDL POA.

Rio Grande do Sul:

Seguimos observando resiliência das categorias sensíveis à renda no primeiro bimestre de 2024 ante igual janela de 2023, como hiper e supermercados (+12,2%), fármacos (+10,0%) e atacarejos (+5,1%). Além dos vetores positivos para os rendimentos – robustez do emprego, desaceleração da inflação e os impulsos fiscais direcionados, principalmente, às classes baixas –, o governo federal decidiu antecipar para fevereiro o pagamento de tudo o que planejava desembolsar com precatórios em 2024 (cerca de R$ 30 bilhões).

Por sua vez, a expansão nos ramos dependentes de crédito apresenta magnitudes distintas. Por um lado, os “veículos, motos, partes e peças” subiram +9,4%, embora ainda permaneçam 5,4% aquém do patamar registrado em 2020. Por outro, o desempenho em “móveis e eletrodomésticos” (+2,8%) e materiais de construção (+1,6%) é mais tímido, mesmo com o atual ciclo de queda da Taxa SELIC. Convém lembrar que a política monetária opera com defasagem sobre a economia real, ou seja, os efeitos plenos de mudanças na Taxa SELIC em indicadores como a receita costumam levar de dois a três trimestres.

Apesar dos resultados recentes, existem dificuldades para a geração de crescimento sustentado no varejo a despeito da elevação do consumo das famílias. Os problemas estruturais de falta de competitividade se manifestam, entre diferentes maneiras, sob o aspecto de vazamento de parte da demanda para o exterior via entrada de importados. Acreditamos que o panorama traz desafios adicionais para os pequenos negócios, pois a PMC considera somente empreendimentos com pelo menos 20 colaboradores.

Análise do Índice do Banco Central (IBC) – fevereiro de 2024

Definição: o IBC é um termômetro do nível de atividade gerado através da agregação de diversas estatísticas setoriais.

Informações para o Brasil:

→ Fev-24 / Jan-24*: +0,40%;

• Dado superou o consenso entre os especialistas sondados pela Agência Estado (+0,30%);

• Avanço ocorreu a despeito dos recuos verificados na indústria (-0,3%) e nos serviços (-0,9%), de acordo com o IBGE;

• Logo, entendemos que a alta foi puxada fundamentalmente pelo comércio varejista (+1,2% no conceito ampliado) e pelo emprego, de modo que a criação líquida de vagas com carteira assinada somou +306,1 mil, ultrapassando não somente o mesmo patamar de 2023 (+252,5 mil) como as expectativas dos analistas (mediana de +230 mil);

Avaliação: desempenho reforça a perspectiva positiva para o PIB do Brasil no primeiro trimestre de 2024. Conforme a G5 Partners, o crescimento estimado é de +0,7% no confronto com o período imediatamente precedente, sucedendo a estagnação entre julho e dezembro de 2023. Além dos vetores favoráveis para os rendimentos dos trabalhadores, cuja massa salarial vêm subindo acima da inflação, outro componente relevante para a constituição do número diz respeito à antecipação do pagamento de precatórios no montante de R$ 30 bilhões.

E o Rio Grande do Sul?

À exceção da métrica referente ao acumulado em 12 meses (+2,8%), o Rio Grande do Sul apresentou os melhores resultados entre todas as regiões investigadas pelo Banco Central em fevereiro. Convém notar que essa é uma época sazonalmente importante para a contabilização do efeito da agropecuária sobre a produção. Em relação a janeiro, a elevação totalizou +6,3%, enquanto a majoração sobre igual janela de 2023 alcançou +12,3%. As variações de tamanha magnitude fornecem indícios de retomada da economia gaúcha propiciada pela safra de grãos mais próxima a um padrão de normalidade. Segundo a CONAB, a produtividade (toneladas por hectare) projetada é 3,87 mil, o que representa acréscimo de 44,8% em comparação com o ciclo anterior, marcado pela estiagem que causou prejuízos severos assim como em 2022. Caso se confirme, o valor estará apenas 3,6% abaixo do constatado em 2020 / 2021.

Cabe ressaltar, porém, que a expansão no RS contou com a contribuição de diferentes segmentos como os serviços (+0,3%), o comércio varejista ampliado (+1,5%) e, principalmente, o parque fabril (+9,4%). No que tange ao ramo secundário local, destaque para o salto de +300,9% em derivados de petróleo ante fevereiro de 2023, lembrando que a categoria caiu 7,5% no ano passado, fruto das interrupções para manutenção nos equipamentos da Refinaria Alberto Pasqualini. Por sua vez, o volume de tabaco disparou +48,9%.

Índice do Banco Central (IBC)
(Var. % em relação ao período anterior)
Fonte: Banco Central. *Com ajuste sazonal. | Elaboração: AE/CDL POA.

Data

24 abril 2024

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