Considerações sobre a defasagem no preço dos combustíveis - CDL POA

Considerações sobre a defasagem no preço dos combustíveis

A mediana das projeções coletadas em 05 de abril junto aos agentes sondados pelo Relatório FOCUS, do Banco Central, aponta que o IPCA fechará 2024 em 3,76%, o que representa uma desaceleração em relação aos 4,62% registrados em 2023. Contudo, a análise do balanço dos riscos do indicador embute um vetor de alta que vem ganhando relevância: a defasagem existente no preço dos combustíveis.

De acordo com a ABICOM – órgão que reúne as empresas responsáveis pelas importações de produtos do setor –, a diferença vigente no mercado nacional em comparação com o externo atingiu 18% para a gasolina e 12% para o diesel no dia 09 de abril, algo sem precedentes desde meados de agosto do ano passado. Em termos monetários, os valores por litro deveriam ser R$ 0,60 e R$ 0,48 superiores no âmbito doméstico, respectivamente.

O aumento da discrepância ocorreu porque a Petrobras está represando reajustes a despeito da conjuntura, caracterizada não só pela depreciação cambial como também pelo encarecimento da cotação do petróleo. No que se refere ao primeiro componente, o Dólar chegou a ultrapassar R$ 5,05 após cinco meses e meio abaixo desse nível por causa, entre outros motivos, da perspectiva de que os juros americanos permaneçam em patamares elevados por mais tempo do que o previsto anteriormente. No tocante ao segundo, o barril tipo Brent extrapolou a marca de US$ 90 de forma inédita desde outubro de 2023, quando eclodiu a guerra entre Israel e Hamas. Questões geopolíticas, a robustez da procura e o horizonte de sustentação de uma oferta limitada pela OPEP+ são prováveis razões explicativas do fenômeno.

Por um lado, o congelamento é o típico expediente populista adotado visando a preservação da imagem do governo, pois se tratam de artigos básicos para o dia a dia dos cidadãos. No entanto, a insistência na postura tende a afetar possíveis investimentos da Petrobras no futuro como, dependendo da intensidade, demandar aporte de recursos de toda a sociedade via Tesouro para a estatal.

Conforme o IBGE, a gasolina é o subitem individual entre os 377 investigados pelo Instituto com o maior peso entre bens e serviços os que compõem a cesta do IPCA (4,92%). Por sua vez, o diesel participa com 0,25%. Caso, portanto, tivéssemos a equalização plena, com repasses integrais ao consumidor final, a influência sobre o índice cheio, mantidos os demais fatores constantes, somaria 0,97 ponto percentual.

No nosso cenário-base, a União não promoverá a correção completa do descompasso verificado nos combustíveis. Porém, certo reequilíbrio será necessário, o que impactaria a inflação tanto direta quanto indiretamente, via efeitos sobre os custos do frete, por exemplo.

 

Data

09 abril 2024

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