O índice oficial de inflação do Brasil, IPCA, voltou a crescer moderadamente em agosto com variação de 0,24%. Com o resultado, em 12 meses a inflação recuou novamente, fechando em 6,09%.
O resultado está em linha com as expectativas do mercado esse mês, que esperava variação de entre 0,25% e 0,26%.
Em Porto Alegre a variação foi maior: 0,4% no mês, acumulando 5,4% em 12 meses.
Dentre os grupos de maior variação encontramos:
- Brasil: Artigos de residência (+0,89%), Educação (+0,67%) e Alimentação fora do domicílio (+0,67%);
- Porto Alegre: Artigos de residência (+1,03%), Educação (+1,01%) e Habitação (+0,78%);;
Já entre os de menor variação estão:
- Brasil: Alimentação no domicílio (-0,34%), Transportes (-0,02%) e Comunicação (-0,02%);
- Porto Alegre: Vestuário (-0,45%), Transportes (-0,05%) e Comunicação (-0,04%);
Fonte: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var% acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
Em primeiro lugar, destacamos alguns pontos importantes:
- apesar da forte variação em relação a julho (0,03% contra 0,24%) o mês atual apresentou inflação menor que em agosto do ano passado: 0,24% contra 0,41% em 2012;
- a baixa inflação registrada em julho era um movimento esperado e atípico;
- o resultado de julho foi influenciado pelas tarifas de Transportes, que novamente voltaram a cair em agosto: -0,06% no Brasil e -0,05% em Porto Alegre.
- o item Combustível (veículos) apresentou a maior contribuição para esse resultado, muito em função do preço do Etanol (beneficiado pela safra de cana-de-açúcar), e não pelas passagens dos transportes públicos, cujo efeito foi verificado em julho.
Em segundo lugar destacamos os efeitos positivos da queda de alimentos, já há 3 meses com preços em retração ou estabilidade para esse grupo.
Conforme a Nota Econômica nº 31 (08/07) situações como a de julho, em que os preços caem rapidamente em função de acontecimentos atípicos em geral tendem a se dissipar ao longo do tempo.
Podemos ter uma idéia desse comportamento olhando para o núcleo da inflação. Ele exclui produtos que variam muito em um determinado mês. A comparação do movimento da linha cheia com a pontilhada nos diz que:
- o núcleo da inflação apresentou queda, mas que essa queda não é tão expressiva quanto na inflação cheia;
- se essa redução fosse um movimento na maioria dos produtos, verificaríamos uma distância entre as curvas, e não uma aproximação entre elas.
Assim, para garantir que a meta de inflação (4,5% a.a.) seja cumprida o Governo deveria iniciar uma contenção de gastos mais agressiva que a proposta para atingir a meta de superávit primário e, com isso, ajudar o Banco Central em sua tarefa.
Por fim, para os próximos meses o mercado espera variação dos preços entre 0,45% e 0,53%, porém com o acumulado em 12 meses reduzindo-se para perto de 6%.(em var. % acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.