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Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Projeções para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)

Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório FOCUS (20/03/2026). *Mediana. Elaboração: AE/CDL POA.

Hoje (23) termina o prazo concedido pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de liberar totalmente o Estreito de Ormuz – por onde circula aproximadamente 1/5 do consumo global de petróleo. Caso isso não aconteça, a promessa é de destruição da infraestrutura energética do Irã. No entanto, conforme anúncio recente, o mandatário americano disse ter tido “conversas produtivas”, suspendendo os ataques no Oriente Médio por 5 dias. Como resultado, a cotação do barril tipo Brent despencou, voltando a ficar abaixo da marca de US$ 100. Mesmo com a trégua, a imprevisibilidade deve seguir no radar.

Nesse contexto, alguns dos principais bancos centrais do mundo tiveram reuniões. Nos EUA, a taxa básica de juros permaneceu inalterada na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Particularmente, entendemos que o caráter da decisão foi mais duro (hawk) em virtude de duas razões: (1) a alta do balizador do custo de crédito esteve entre as possibilidades discutidas; (2) apesar de o consenso entre os dirigentes ainda antecipar um declínio de 0,25 ponto percentual em 2026 e outro em 2027, mais diretores defenderam o cenário de manutenção até o encerramento de dezembro. Do ponto de vista da agenda de dados, os preços no âmbito do atacado surpreenderam desfavoravelmente em fevereiro, com destaque para energia e manufaturados. Por sua vez, os serviços responderam por mais da metade da majoração do índice, embora tenham desacelerado em comparação com janeiro.

Não obstante o reconhecimento do aumento da incerteza e a elevação do prognóstico da inflação dentro do chamado “horizonte relevante” da política monetária (de 3,2% para 3,3% considerando o terceiro trimestre de 2027, ou seja, 18 meses à frente), o COPOM optou pelo início do ciclo de redução da Taxa SELIC: de 15,00% para 14,75% ao ano. O aparente contrassenso pode ser explicado pela sustentação do referencial em patamares restritivos (que colaboram para frear o crescimento da atividade e, por conseguinte, o IPCA) por bastante tempo, criando espaço para a convergência dos preços rumo à meta de 3,0%, a despeito do corte.

Na Zona do Euro, o BCE manteve a taxa básica de juros em 2,0% ao ano. O órgão afirmou que o nível atual encontra-se bem posicionado diante do ambiente conturbado e que as expectativas de inflação de longo prazo coincidem com o objetivo de 2,0%. Contudo, o quadro inspira cautela, pois a conjuntura ameaça a estabilização do poder de compra da moeda e prejudica a expansão do PIB.

A última edição do Relatório FOCUS contou com mudanças expressivas. O IPCA esperado para 2026 subiu de 4,10% para 4,17%, puxado pelo grupo dos administrados (aqueles regulados por contratos ou cuja dinâmica apresenta interferência do governo). A estimativa para a subcategoria passou de +3,85% para +4,02%, alavancada pela pressão nos combustíveis. Consequentemente, o mercado antevê agora que a margem de manobra para a queda da Taxa SELIC em 2026 é menor, de modo que o valor computado para o fim de 2026 moveu-se de 12,25% para 12,50% ao ano. Já o PIB avançou de +1,83% para +1,84%. Cabe lembrar que o choque sobre o petróleo tende a provocar uma ativação importante do segmento de óleo e gás, que vem ganhando participação na nossa oferta. Todavia, o efeito negativo para a renda real e para o encarecimento de empréstimos / financiamentos atua na contenção do impulso setorial.

Avaliação da decisão do Banco Central dos EUA sobre os juros – março de 2026

Detalhamento:

• O FOMC manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos (fed funds) entre 3,50% e 3,75% ao ano pela 2ª vez consecutiva, em linha com a expectativa dos investidores e analistas;

• Nessa oportunidade, tivemos apenas uma única discordância;

• Stephen Miran, dirigente indicado por Donald Trump em agosto do ano passado, optou por uma diminuição de -0,25 ponto percentual;

• O comunicado não trouxe grandes mudanças no confronto com o ocorrido em janeiro;

• Conforme o texto: (1) o nível de atividade americano encontra-se em processo de expansão sólida; (2) a geração de postos formais de emprego permaneceu deprimida; e (3) e os preços continuaram crescendo de forma relativamente elevada;

• A novidade ficou por conta da menção aos efeitos incertos da guerra no Oriente Médio;

• Na tradicional coletiva de imprensa, o Presidente do FED, Jerome Powell, ressaltou que o encarecimento do barril de petróleo verificado nas últimas semanas deve pressionar a inflação no curto prazo;

• Além disso, o contexto aumenta a complexidade das resoluções em virtude da existência do mandato dual, pois temos riscos de desaquecimento do mercado de trabalho (sugerindo um viés de flexibilização da política monetária) e de deterioração do poder de compra do dólar (viés de endurecimento) simultaneamente;

• O chairman segue esperando que a convergência dos preços rumo à meta de 2,0% progrida ao longo de 2026, porém mais lentamente do que o pretendido, a partir do enfraquecimento dos impactos das sobretaxas aos bens importados;

• Por fim, uma alta dos juros surgiu como possibilidade discutida pelos membros;

Os “gráficos de ponto” – dot plots

• Os diretores divulgaram seus prognósticos atualizados para importantes variáveis;

• Por um lado, a trajetória aguardada para os juros (uma queda em 2026 e outra em 2027) não registrou alteração. Em contrapartida, a inflação subiu (mais em 2026 e menos em 2027);

• Já o PIB sofreu ajustes para cima;

Taxa de juros para o encerramento de cada período:

• Em 2026: estável em 3,4% ao ano, de modo que a projeção é de um corte de 0,25 ponto percentual em comparação com o patamar de momento;

• Em 2027: estável em 3,1% ao ano (uma baixa adicional da mesma magnitude);

• Em 2028: estável em 3,1% ao ano;

• Longo prazo: de 3,0% para 3,1% ao ano;

Núcleo de inflação (PCE) – sem alimentos e energia:

• Em 2026: de 2,5% para 2,7%;

• Em 2027: de 2,1% para 2,2%;

• Em 2028: estável em 2,0%;

PIB:

• Em 2026: de +2,3% para +2,4%;

• Em 2027: de +2,0% para +2,3%;

• Em 2028: de +1,9% para +2,1%;

• Longo prazo (produto potencial ou sustentável): de +1,8% para +2,0%;

Taxa de desocupação:

• Em 2026: estável em 4,4%;

• Em 2027: de 4,2% para 4,3%;

• Em 2028: estável 4,2%;

Qual a nossa visão? Entendemos que o FOMC adotará uma postura conservadora nas próximas reuniões, até como alternativa de ganhar tempo para obter dados a respeito de como a turbulência no Oriente Médio reverberará na economia. A compreensão é fundamental para determinar o grau de calibragem para o futuro. Se, eventualmente, a inflação não ceder, Powell afirmou que não haverá redução dos juros. Todavia, o cenário-base do Comitê contempla que os principais choques (protecionista e geopolítico) são transitórios. Ainda assim, o declínio antevisto para as fed funds só tende acontecer no segundo semestre de 2026.

Data

24 março 2026

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