Resultado dos três primeiros meses de 2015 mostram o encolhimento do volume real de vendas em 3,65% com relação ao trimestre anterior, com ajustes sazonais. Esse é o pior resultado trimestral desde o quarto trimestre de 2008, quando o encolhimento foi de 7,33%.
De acordo com o IBGE, o Varejo Ampliado e o Varejo Restrito apresentaram queda real novamente em março, no Brasil e no RS. Os dados para março de 2015 estão a seguir.
Para o Varejo Ampliado gaúcho os dados apontam as seguintes variações (já descontada a inflação):
- contra março/14: queda de 2,10%;
- acumulada em 2015: queda de 8,10%;
- acumulada em 12 meses: queda de 3,1%.
No Varejo Restrito gaúcho, que exclui Veículos e Material de Construção, as variações foram:
- contra março/14: queda de 1,40%;
- contra fevereiro/15: aumento de 0,18% (descontados os efeitos sazonais);
- acumulada em 2015: queda de 3,5%;
- acumulada em 12 meses: aumento de 0,60%.
O Varejo Ampliado no Brasil teve desempenho negativo, com queda de 0,7% frente à março/14 e queda de 1,6% frente à fevereiro/15 (sem efeitos sazonais). No acumulado em 12 meses, o Varejo Ampliado brasileiro aumentou a taxa de crescimento de -3,8% (em janeiro) para -3,4%.
Por fim, para o Varejo Restrito no Brasil, os resultados mensais foram +0,4% (contra março/14) e -0,9% (contra fevereiro/15, com ajuste sazonal). O acumulado em 12 meses aumentou um pouco o seu ritmo novamente: de +0,9% para +1,0%.
(var. % real – mês s/ mês ano anterior)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real acumulada em 12 meses)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
O ano de 2015 manteve o ritmo de desaceleração apresentado no ano anterior. Os dados do Varejo Ampliado brasileiro apresentam queda de -5,28% no trimestre com relação ao mesmo trimestre do ano passado. Essa mesma relação para o varejo restrito brasileiro é de -0,76%. No mês de março, houve crescimento com relação ao mesmo mês do ano passado em apenas três categorias do varejo restrito, como mostra o gráfico abaixo.
Conforme afirmamos em nossas últimas notas, a moderação no consumo das famílias é resultado da deterioração da economia brasileira e gaúcha como um todo. Em cenário com inflação elevada, taxas de juros altas, baixa confiança do consumidor e mercado de trabalho em processo de desaceleração, é improvável que o consumidor encontre espaço em seu orçamento para aumentar seu consumo no mesmo ritmo dos anos anteriores.
(em var. % real)
Fontes: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.