Banco Central manteve o ritmo de aumentos da Selic como era esperado pelo mercado. Com a decisão, a taxa subiu de 12,75% para 13,25%.Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central informou que decidiu aumentar a taxa de juros SELIC para 13,25% a.a. por unanimidade. É o quarto aumento seguido nessa mesma magnitude. Em nota oficial, o Banco Central repitiu o que havia sido declarado nas duas notas anteriores, que “Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p.”.
O aumento de 0,5 p.p. ocorreu seguindo as expectativas do mercado, que projeta mais um aumento da Selic ainda esse ano, mas um retorno para os atuais 13,25% ao final de 2015. A avaliação da Assessoria Econômica é que o cenário deteriorado da economia brasileira obrigou o COPOM a manter o ritmo de aumento da Selic que vinha sido feito. O compromisso declarado do Banco Central é o retorno da inflação à meta de 4,5% ao final de 2016, quando, segundo as expectativas correntes de mercado, estaríamos recuperados da crise atual. A próxima decisão sobre a taxa de juros ocorrerá em 3 de junho de 2015.(em % a.a.)
Fontes: FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(SELIC em % a.a., IPCA em var. % acumulada em 12 meses)
Fontes: IBGE; FOCUS/Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
Após o rápido crescimento da inflação no primeiro trimestre de 2015, o mercado espera que a taxa acumulada em 12 meses mantenha-se perto de 8,2% até o final do ano e caia no início do ano que vem. Esse rápido crescimento da inflação no início desse ano foi influenciado principalmente pelo aumento da tarifa de certos preços controlados pelo governo, como artigos derivados do petróleo e energia elétrica. É de entendimento do mercado que esse aumento de preços administrados não será tão forte ao longo dos três últimos trimestres de 2015 e, por isso, a inflação acumulada em 12 meses deve permanecer estável. Além disso, a queda esperada no IPCA para o início do ano que vem deve-se pelo fato de que o mercado entende que os fortes aumentos ocorridos nos preços de derivados do petróleo e energia elétrica não tornarão a ocorrer no ínicio do ano que vem.(em var. %)
Fontes: FOCUS/Banco Central do Brasil; IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
Apesar dos aumentos na taxa de juros, o controle artificial de preços tentado pelo governo e a idéia de que seria possível reduzir os juros apenas pela vontade do Banco Central não produziram nem aceleração de crescimento, nem desaceleração da inflação. Para que a taxa básica de juros brasileira se aproxime das taxas internacionais é necessário alterar os fundamentos econômicos que fazem com que seja mais elevada: expansão acelerada de gastos públicos em custeio da máquina pública, baixo nível de poupança, baixa de produtividade dos fatores (capital e trabalho) e alto custo tributário para exercer uma atividade econômica – seja como funcionário ou como empreendedor.